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    Cúpula em Paris expõe desafio da Europa para manter protagonismo na corrida espacial

    Representantes da indústria espacial esperam fechar diversos contratos sob a cúpula de vidro do Grand Palais , que recebe o encontro de dois dias, promovido pelo presidente francês, Emmanuel Macron . Cerca de 120 países foram convidados, com exceção de Rússia , Irã e Coreia do Norte . Leia mais (09/09/2026 - 13h11)

    Folha de S.Paulo
    9 de setembro de 2026 às 16:11
    Cúpula em Paris expõe desafio da Europa para manter protagonismo na corrida espacial
    Modelo preto de aeronave futurista em exibição sob estrutura de vidro. Grupo de homens de terno observa e discute ao redor da peça. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Representantes da indústria espacial esperam fechar diversos contratos sob a cúpula de vidro do Grand Palais , que recebe o encontro de dois dias, promovido pelo presidente francês, Emmanuel Macron . Cerca de 120 países foram convidados, com exceção de Rússia , Irã e Coreia do Norte .

    O presidente da França, Emmanuel Macron, conversa com o CEO da Dassault Aviation, Eric Trappier, enquanto observam uma maquete do projeto de veículo espacial Dassault Vortex durante a Cúpula Internacional do Espaço, nesta quarta-feira (9) n
    O presidente da França, Emmanuel Macron, conversa com o CEO da Dassault Aviation, Eric Trappier, enquanto observam uma maquete do projeto de veículo espacial Dassault Vortex durante a Cúpula Internacional do Espaço, nesta quarta-feira (9) n — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Por trás da disputa pelo acesso ao espaço está um mercado em forte expansão. Segundo estudo da consultoria PwC divulgado na terça-feira (8), a economia espacial mundial, que ultrapassou US$ 500 bilhões (cerca de R$ 2,54 tri) em 2025, deverá chegar a US$ 1,1 trilhão (ou R$ 5,5 tri) até 2035, impulsionada pelas comunicações via satélite , navegação, observação da Terra , serviços de lançamento e atividades relacionadas à Lua .

    Especialistas garantem que a Europa conseguirá manter seu espaço nesse mercado. "Temos a sorte de contar com muito capital humano, engenheiros aeroespaciais e profissionais em todas as áreas do setor", afirmou à AFP Mathieu Luinaud, especialista da PwC.

    A consultoria Deloitte, por sua vez, alerta para o risco de a Europa ficar para trás e defende encomendas públicas garantidas e uma melhor coordenação dos investimentos, para evitar que cada país desenvolva seus próprios projetos.

    Conheça o Falcon 9, o principal foguete da SpaceX
    Conheça o Falcon 9, o principal foguete da SpaceX — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "O objetivo da cúpula é consolidar e afirmar o lugar da Europa, espremida entre Estados Unidos e China , que hoje são os dois grandes polos", afirmou Luinaud.

    O astronauta francês Thomas Pesquet, embaixador da cúpula, lamentou o impacto dos "sobressaltos da geopolítica" sobre um setor "no qual somos obrigados a trabalhar todos juntos".

    A questão do compartilhamento de frequências, que deveria estar no centro das discussões, não poderá ser plenamente debatida devido à ausência de SpaceX , de Elon Musk , e Blue Origin , fundada por Jeff Bezos . As duas gigantes americanas desistiram de participar do encontro em meio a rumores de pressão da Casa Branca.

    Hungria, Índia e Polônia voltam a ter astronautas no espaço
    Hungria, Índia e Polônia voltam a ter astronautas no espaço — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O afastamento dos Estados Unidos de alguns programas conjuntos com a Europa também levou os europeus a questionar sua dependência de Washington e seu próprio papel na exploração lunar.

    A possibilidade de a Europa desenvolver capacidade para voos tripulados voltou ao centro do debate. O diretor da Agência Espacial Europeia (ESA), Josef Aschbacher, defende uma nova ambição e afirma que o continente poderia desenvolver voos tripulados a um "custo razoável".

    A ArianeGroup, responsável pelo desenvolvimento do foguete Ariane 6, afirmou que o lançador pesado europeu poderia ser adaptado para voos tripulados.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A Europa também enfrenta um atraso na área de foguetes reutilizáveis . O presidente americano, Donald Trump , estabeleceu a meta de mil lançamentos por ano até 2030, enquanto a Europa, que atualmente realiza dezenas de lançamentos, corre o risco de enfrentar uma escassez de lançadores até o mesmo período, segundo o diretor da ESA.

    Em agosto, a empresa chinesa LandSpace conseguiu recuperar o primeiro estágio do foguete pesado Zhuque-3, comparável ao Falcon 9 , da SpaceX. A Europa ainda não testou um foguete reutilizável.

    A MaiaSpace, subsidiária da ArianeGroup que desenvolve um foguete reutilizável, prevê seu primeiro voo de teste apenas para o segundo semestre de 2027, embora já tenha garantido cinco contratos para 12 lançamentos.

    Surfista Ítalo Ferreira durante eclipse solar em praia entre as cidades de Natal e Baía Formosa, no Rio Grande do Norte - (Foto: Marcelo Maragni / Red Bull Content Pool)
    Surfista Ítalo Ferreira durante eclipse solar em praia entre as cidades de Natal e Baía Formosa, no Rio Grande do Norte - (Foto: Marcelo Maragni / Red Bull Content Pool) — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Na Alemanha, sua concorrente Isar Aerospace colocou recentemente um foguete em órbita a partir da Noruega, em um feito inédito para um lançador desenvolvido pelo setor privado na Europa continental.

    Politicamente, a cúpula ocorre em meio a divergências entre França e Alemanha, agravadas pela ausência do chanceler Friedrich Merz.

    A França defende uma preferência por soluções europeias, enquanto a Alemanha permanece mais aberta aos lançadores americanos da SpaceX. Para o ministro francês responsável pelo Espaço, Philippe Baptiste, a presença de lançadores privados europeus pode contribuir para fortalecer a autonomia espacial do continente.

    As constelações de satélites tornaram-se um componente essencial das operações militares modernas. A multiplicação de sensores, a integração dos sistemas de combate e a crescente robotização do campo de batalha ampliaram a dependência das forças armadas por redes de comunicação seguras e permanentes. Nesse contexto, o espaço passou a ser uma dimensão indispensável dos conflitos contemporâneos.

    Na guerra da Ucrânia , a rede americana Starlink consolidou-se como uma referência para as comunicações entre centros de comando e controle. Já em 2025, quando forças russas tiveram seu acesso ao sistema limitado em determinadas operações, enfrentaram dificuldades significativas para manter comunicações e coordenar ações no terreno.

    Na França, as Forças Armadas também utilizam a Starlink para acesso à internet de alta velocidade, mas apenas em exercícios e treinamentos. Em operações reais, recorrem à rede segura da Eutelsat OneWeb. A busca por autonomia nesse setor tornou-se prioridade para as principais potências militares. A Rússia anunciou recentemente a criação da constelação Rassvet, enquanto a China planeja lançar cerca de 13 mil satélites para atender às necessidades de seu Exército de Libertação Popular.

    A Europa, por sua vez, aposta na constelação Iris, cuja entrada em operação está prevista para 2030. O sistema contará com 264 satélites em órbita baixa e outros 18 em órbita média da Terra. Embora esteja longe das chamadas megaconstelações, o projeto deverá garantir aos europeus maior autonomia estratégica e soberania em uma área considerada cada vez mais crucial para a defesa e as comunicações.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2026/09/cupula-em-paris-expoe-desafio-da-europa-para-manter-protagonismo-na-corrida-espacial.shtml.

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    O presidente da França, Emmanuel Macron, conversa com o CEO da Dassault Aviation, Eric Trappier, enquanto observam uma maquete do projeto de veículo espacial Dassault Vortex durante a Cúpula Internacional do Espaço, nesta quarta-feira (9) n — Foto: Folha de S.Paulo

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