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    Cúpula do Brics reafirma falta de coesão do bloco

    A Índia sediará neste fim de semana a 18ª reunião de cúpula do Brics reafirmando a vocação do bloco como fórum para interesses díspares de seus membros. Agendas individuais se sobrepõem ao discurso oficial de união ante a hegemonia ocidental. Leia mais (09/11/2026 - 23h00)

    Folha de S.Paulo
    12 de setembro de 2026 às 02:00
    Cúpula do Brics reafirma falta de coesão do bloco
    Dois líderes sentados lado a lado em cadeiras estofadas durante conferência. O líder à esquerda veste terno escuro e gravata vermelha, com fone de ouvido, e está diante da placa 'IRAN'. O líder à direita veste traje tradicional claro e está — Foto: Folha de S.Paulo

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    A Índia sediará neste fim de semana a 18ª reunião de cúpula do Brics reafirmando a vocação do bloco como fórum para interesses díspares de seus membros. Agendas individuais se sobrepõem ao discurso oficial de união ante a hegemonia ocidental.

    Vladimir Putin e Narendra Modi no fórum empresarial da cúpula dos Brics, em Nova Déli - Alexander Kazakov/Sputnik/AFP · Alexander Kazakov/Sputnik/AFP
    Vladimir Putin e Narendra Modi no fórum empresarial da cúpula dos Brics, em Nova Déli - Alexander Kazakov/Sputnik/AFP · Alexander Kazakov/Sputnik/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Isso já havia ficado claro na esvaziada cúpula do ano passado, realizada no Brasil, que era o presidente rotativo do bloco. Nem Xi Jinping , líder chinês que havia forçado uma expansão dos Brics à sua imagem em 2023, apareceu.

    Agora, o comparecimento é mais robusto. Dos quatro países fundadores do bloco em 2009, Brasil, Rússia , Índia e China , o único líder ausente será Luiz Inácio Lula da Silva (PT), preocupado com sua campanha à reeleição. O chanceler Mauro Vieira o representará.

    Estarão presentes também o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, cujo país adicionou o S de sua inicial em inglês ao acrônimo Brics em 2010, e alguns convidados da turma de 2023.

    Rio de Janeiro recebe cúpula de líderes do Brics
    Rio de Janeiro recebe cúpula de líderes do Brics — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O mais relevante em termos políticos é o iraniano Masoud Pezeshkian , que estará em Nova Déli para vender uma imagem de apoio internacional no momento em que seu país enfrenta militarmente os Estados Unidos , o Grande Outro na psicanálise própria dos Brics.

    Com efeito, Xi e o russo Vladimir Putin apoiam o Irã , mas não a Índia. Pior, um dos novos membros, os Emirados Árabes Unidos , romperam relações comerciais com a teocracia após terem se tornado o principal alvo de retaliação iraniana contra aliados dos EUA no golfo Pérsico.

    O país árabe terá o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Khaled bin Mohamed bin Zayed, à mesa com Pezeshkian. As diferenças entre Irã e Emirados já bloquearam um comunicado do Brics neste ano, e o Kremlin disse temer que isso impeça o mesmo agora na Índia.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    No fim, a importância do encontro se concentrará na presença de Xi em solo indiano pela primeira vez em sete anos. É mais um movimento no balé entre as potências nucleares asiáticas, que viu escaramuças fronteiriças quase chegarem a um conflito de fato nos últimos anos.

    O anfitrião, Narendra Modi , já havia visitado a China e se encontrado com Xi na cúpula do Brics em Kazan , na Rússia, em 2024.

    Mas, ao mesmo tempo, ele articula uma rede de alianças militares com países desconfiados das intenções de Pequim no Indo-Pacífico, visando deixar a ameaça de um bloqueio a rotas marítimas no ar.

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A expectativa é de que haja um encontro bilateral entre Modi e Xi, que não se encontraram à parte quando estiveram há uma semana na cúpula da Organização de Cooperação de Xangai, no Quirguistão. Nela, o indiano encontrou-se com o russo, que por sua vez se reuniu com o chinês.

    Putin, por sua vez, chegou nesta sexta (11) a Nova Déli e já se encontrou com Modi. Sua prioridade é manter aberto o canal para exportação de petróleo russo para os indianos, que se tornaram ao lado da Índia a boia de salvação do setor energético de Moscou, sob sanções devido à Guerra da Ucrânia .

    No fórum empresarial da cúpula, que formalmente ocorre no sábado (12) e no domingo (13), Putin também aproveitou para fazer seu proselitismo. Acusou o Ocidente de estar engendrando ataques a "oleodutos e instalações petrolíferas" de países do Brics para "retomar sua hegemonia econômica".

    Ele se referia aos ataques com drones da Ucrânia contra suas refinarias e, presumivelmente, aos bombardeios americanos contra o Irã —embora tenha poupado Donald Trump , com quem se reaproximou em uma tentativa do republicano de mediar algum acordo entre o russo e Kiev.

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    Para o Brasil, será mais uma oportunidade de passar em branco ou repassar o discurso nacionalista ante Trump. Deverá ser abordada a questão da integração de meios de pagamentos digitais dos países do Brics, algo de difícil execução, mas que só de ser debatido garantirá irritação em Washington.

    Trump lê o bloco como uma frente hostil aos EUA, no que está certo na retórica. Mas, na prática, cada país mantém sua linha própria de diálogo e interesses com os americanos, da relação estreita com a Índia à guerra com o Irã.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/09/cupula-do-brics-reafirma-falta-de-coesao-do-bloco.shtml.

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    Vladimir Putin e Narendra Modi no fórum empresarial da cúpula dos Brics, em Nova Déli - Alexander Kazakov/Sputnik/AFP · Alexander Kazakov/Sputnik/AFP — Foto: Folha de S.Paulo

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