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    Cuba vê aumento de protestos e repressão em meio a crise com EUA, diz ONG

    A ONG de direitos humanos Cubalex afirmou, em relatório divulgado nesta terça-feira (18), que o primeiro semestre de 2026 em Cuba foi marcado por um "aumento sem precedentes" nos protestos e, consequentemente, na repressão na ilha. Leia mais (08/19/2026 - 23h00)

    Folha de S.Paulo
    20 de agosto de 2026 às 02:00
    Cuba vê aumento de protestos e repressão em meio a crise com EUA, diz ONG
    Silhueta de pessoa em primeiro plano observa fogo em barricada na rua à noite. Edifícios antigos e iluminação amarelada compõem o cenário urbano. — Foto: Folha de S.Paulo

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    A ONG de direitos humanos Cubalex afirmou, em relatório divulgado nesta terça-feira (18), que o primeiro semestre de 2026 em Cuba foi marcado por um "aumento sem precedentes" nos protestos e, consequentemente, na repressão na ilha.

    Cubano bate em uma panela para protestar contra cortes prolongados de energia - Norlys Perez - 10.jun.2026/Reuters · Norlys Perez - 10.jun.2026/Reuters
    Cubano bate em uma panela para protestar contra cortes prolongados de energia - Norlys Perez - 10.jun.2026/Reuters · Norlys Perez - 10.jun.2026/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    De acordo com a organização, fundada em 2010 em Havana e exilada nos Estados Unidos desde 2017, houve 766 protestos ao longo do período, incluindo 253 no mês de junho —este último número sendo um pico desde que a entidade começou a monitorar esses eventos na ilha, em 2022.

    As violações de direitos humanos também aumentaram, segundo a ONG: foram 1.894 de janeiro a junho, uma média de dez por dia. Para comparação, foram registrados 1.279 eventos do tipo no semestre anterior, ou sete por dia. Trata-se de um aumento de 48%.

    Os números, de acordo com a própria organização, refletem "tanto uma expansão da capacidade de monitoramento da Cubalex quanto sinais convergentes de intensificação da repressão".

    Cuba em crise energética e sob ameaça dos EUA
    Cuba em crise energética e sob ameaça dos EUA — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A newsletter da Folha sobre América Latina, editada pela historiadora e jornalista Sylvia Colombo

    Cuba vive sua maior crise desde a revolução, em 1959, quando passou a ser alvo de um bloqueio econômico que ganhou intensidade inédita no segundo mandato de Donald Trump . A falta de combustível na ilha —altamente dependente do petróleo da Venezuela , sob intervenção americana desde janeiro — já provocou seis apagões generalizados no país somente este ano.

    Segundo a Cubalex, a repressão atingiu 919 pessoas no primeiro semestre —204 mulheres e 715 homens. "Este período demonstra a continuidade e a intensificação de padrões que estendem a repressão a setores não organizados da população, em que o número de vítimas duplicou em comparação com os seis meses anteriores", escreveu a ONG, citando manifestantes, críticos nas redes sociais, trabalhadores informais e figuras religiosas.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Os registros da entidade mostram que 58% dos incidentes repressivos afetaram a sociedade civil independente e organizada e 42% afetaram cidadãos sem qualquer vínculo organizacional conhecido.

    Geograficamente, a repressão também se expandiu, segundo a organização. Havana, capital do país, foi palco de 662 eventos do tipo, mas violações atingiram também outros 140 municípios, frente a 88 no semestre anterior.

    "A elevada concentração de vulnerabilidades entre pessoas privadas de liberdade, afrodescendentes, defensores dos direitos humanos e ex-presos políticos, bem como um número alarmante de menores, confirma que, apesar da expansão do espectro repressivo, as violações continuam a atingir os grupos historicamente mais expostos", diz a organização.

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    As mortes potencialmente ilícitas provocadas pelo Estado somaram 42 de janeiro a junho deste ano, um aumento de 56% em comparação com julho a dezembro de 2025, quando o número de eventos do tipo ficou em 27, segundo a ONG.

    "Diante da onda de protestos alimentada pela crise material, o Estado recorreu a uma estratégia de contenção imediata e punição tardia. Também explorou as tensões geopolíticas decorrentes da captura de Nicolás Maduro e da pressão dos EUA sobre o regime cubano para aumentar a vigilância e as ameaças contra a dissidência", afirma a entidade, citando o ditador venezuelano capturado por Washington em janeiro .

    O relatório do mês de julho, divulgado no mesmo dia, parece confirmar a tendência observada nos primeiros seis meses do ano: embora o número de protestos tenha caído para 199 após o pico de 253 em junho, os eventos repressivos aumentaram em relação ao mês anterior.

    "O Estado implementou uma estratégia cada vez mais preventiva, baseada em vigilância, intimações arbitrárias e restrições à mobilidade contra ativistas e defensores dos direitos humanos. Os picos da repressão coincidiram com datas politicamente sensíveis, em vez de com os dias de maior protesto", afirma a entidade.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/08/cuba-ve-aumento-de-protestos-e-repressao-em-meio-a-crise-com-eua-diz-ong.shtml.

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    Cubano bate em uma panela para protestar contra cortes prolongados de energia - Norlys Perez - 10.jun.2026/Reuters · Norlys Perez - 10.jun.2026/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

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