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    Cuba comemora centenário de Fidel Castro em meio à maior crise desde a revolução

    Ilha celebra durante toda a semana os cem anos do revolucionário que derrubou a ditadura de Fulgêncio Batista

    UOL
    13 de agosto de 2026 às 03:00
    Cuba comemora centenário de Fidel Castro em meio à maior crise desde a revolução
    Foto: UOL

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    Cuba comemora, nesta quinta-feira (13), o centenário de nascimento de Fidel Castro , líder da revolução que derrubou a ditadura de Fulgêncio Batista em 1959 e instituiu um regime que passa pela sua maior crise desde o levante guerrilheiro, um dos principais do século 20.

    Retrato do líder cubano Fidel Castro (1926-2016), em Havana - Yamil Lage - 10.ago.2026/AFP · Yamil Lage - 10.ago.2026/AFP
    Retrato do líder cubano Fidel Castro (1926-2016), em Havana - Yamil Lage - 10.ago.2026/AFP · Yamil Lage - 10.ago.2026/AFP — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Morto há dez anos, o revolucionário não viveu para ver os Estados Unidos , sob Donald Trump , aprofundarem o embargo que recai sobre Cuba desde a década de 1960, praticamente colapsando o sistema energético da ilha . Desde o começo do ano, quando a intervenção americana na Venezuela cortou o fornecimento de petróleo de um dos últimos aliados do regime, houve ao menos seis apagões generalizados no país.

    A crise não impediu a cúpula do Partido Comunista, liderado por Miguel Díaz-Canel e, informalmente, pelo irmão de Fidel, Raúl, de organizar celebrações em homenagem à data. Desde segunda-feira (10), ocorre no Centro de Convenções de Havana o colóquio "Fidel: Legado e Futuro". O evento termina nesta quinta, quando haverá um ato na capital e em Santiago de Cuba, onde os restos do líder revolucionário estão enterrados no Cemitério Santa Ifigenia.

    Diversas outras nações registram homenagens desde o começo da semana —talvez a mais explícita seja uma figura metálica de 20 metros de altura instalada na segunda pela ditadura de Daniel Ortega em Manágua, capital da Nicarágua . Mas houve também um mutirão para plantar cem árvores em Caracas, organizado pelo Partido Verde da Venezuela, e uma campanha do Partido Comunista da Argentina para pintar cem murais de Fidel pelo país.

    Cuba em crise energética e sob ameaça dos EUA
    Cuba em crise energética e sob ameaça dos EUA — Foto: UOL · Fonte: UOL

    A newsletter da Folha sobre América Latina, editada pela historiadora e jornalista Sylvia Colombo

    Para Arturo Lopez-Levy, professor de relações internacionais e política na Universidade Autônoma de Madri, o principal mérito de Fidel foi o de construir uma Cuba "com capacidade de dizer não". "Cuba tinha uma relação de dependência muito grande com os EUA, às vezes funcionava como uma espécie de protetorado. Fidel Castro pôs fim a isso", afirma o cubano-americano.

    A dependência da ilha à qual o pesquisador se refere pode ser resumida em um trecho de um depoimento ao Senado de Earl E. T. Smith, embaixador de Washington em Cuba nos dois últimos anos antes da revolução.

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    "Os EUA, até a ascensão de Castro, exerceram uma influência tão avassaladora que [...] o embaixador americano era o segundo homem mais importante em Cuba", afirmou o diplomata em 1960. "Às vezes, até mais importante que o presidente."

    Se é verdade que, para sobreviver ao embargo, Cuba precisou recorrer à União Soviética, a relação com a outra superpotência da época não reproduziu a que a ilha mantinha com Washington, segundo Lopez-Levy. "Havia dependência, mas também muita autonomia do lado cubano", afirma o professor, que compara o laço Cuba-URSS com a atual relação entre Israel e EUA.

    Essa autonomia levou a ilha a se tornar uma espécie de potência política e diplomática do que hoje é chamado de Sul Global, termo cada vez mais utilizado em meios acadêmicos para se referir ao conjunto de economias emergentes. Em termos práticos, isso se traduziu no apoio militar a movimentos de libertação na África e no envio de médicos a países de todo o mundo, incluindo o Brasil.

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: UOL · Fonte: UOL

    "Isso também é mérito de Fidel Castro", diz Lopez-Levy, com um porém: "Todo esse mérito já não é tão relevante hoje porque o mundo mudou".

    "Todas essas estratégias já não são suficientes para Cuba resolver seus problemas, sejam internos ou externos", continua o pesquisador. "Ele nunca conseguiu tornar esse projeto sustentável economicamente, e seus quase 50 anos no poder, bloqueando uma transição intergeracional para novos líderes, deixaram Cuba em uma posição ainda mais difícil diante das mudanças globais."

    Para além disso, a juventude cubana que não recorreu à migração para outros países não viveu tempos gloriosos da Revolução Cubana —somente as crises que, em diferentes intensidades, acumulam-se desde o Período Especial, na década de 1990, após o colapso da URSS.

    "Hoje a população cubana vive dentro de um sistema cujas fronteiras políticas para pensar seu lugar no mundo são muito limitadas", diz Lopez-Levy.

    "É um país que não consegue se projetar da mesma forma no mundo em desenvolvimento. Hoje, por exemplo, na América Latina , Claudia Sheinbaum e Luiz Inácio Lula da Silva são figuras mais importantes para a esquerda latino-americana do que Raúl Castro ou Miguel Díaz-Canel", continua, citando os presidentes de México e Brasil. "As pessoas não podem viver no ontem."

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/08/cuba-comemora-centenario-de-fidel-castro-em-meio-a-maior-crise-desde-a-revolucao.shtml.

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    Retrato do líder cubano Fidel Castro (1926-2016), em Havana - Yamil Lage - 10.ago.2026/AFP · Yamil Lage - 10.ago.2026/AFP — Foto: UOL

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