Política

    Crise no STF torna reeleição de Alcolumbre no Senado incerta

    Senadores avaliam que resistência do presidente em abrir processo de impeachment podem fortalecer candidatos da oposição; vitória de Flávio é o pior cenário

    Poder360
    13 de setembro de 2026 às 17:00
    Crise no STF torna reeleição de Alcolumbre no Senado incerta
    Foto: Poder360

    Senadores avaliam que resistência do presidente em abrir processo de impeachment podem fortalecer candidatos da oposição; vitória de Flávio é o pior cenário

    Senadores avaliam que o calendário eleitoral deve dificultar o avanço dos pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal, apesar das 109 solicitações protocoladas no Senado. A avaliação é que o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), deve evitar uma decisão sobre os processos antes das eleições e que essa postura pode comprometer sua tentativa de permanecer no comando do Senado em 2027.

    O mandato de Alcolumbre termina em 1º de fevereiro de 2027, quando o Senado deverá eleger a nova Mesa Diretora. Para integrantes da oposição, uma eventual composição mais oposicionista a partir do próximo ano aumenta a pressão sobre o senador, já que o impeachment de ministros do STF é uma das principais bandeiras da direita nas eleições de 2026 .

    O presidente do Senado Federal, senador Davi Alcolumbre
    O presidente do Senado Federal, senador Davi Alcolumbre — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    Alcolumbre, porém, não tem segurança em nenhum dos cenários políticos desenhados para 2027. Em caso de vitória de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na eleição presidencial, Tereza Cristina (PP-MS) e Rogério Marinho (PL-RN) são apontados como nomes com força para disputar o comando do Senado.

    Já a base governista não assegura que Alcolumbre se mantenha no principal assento da Casa Alta. A prioridade do PT é o 4º mandato presidencial de Lula. Mas o senador amapaense pode ser uma opção mais conciliadora em um cenário provável de Senado majoritariamente oposicionista.

    A oposição também associa a resistência de Alcolumbre em avançar com pedidos de impeachment a interesses pessoais e políticos. Entre os episódios citados está o caso da Amprev (Amapá Previdência), fundo previdenciário dos servidores do Amapá que investiu R$ 400 milhões em letras financeiras do Banco Master .

    Entre os investigados está Jocildo Silva Lemos, que foi tesoureiro de Alcolumbre. O senador também tem um vínculo familiar com o fundo: seu irmão, Alberto Alcolumbre, é conselheiro fiscal da Amprev.

    A Amprev foi alvo da operação Zona Cinzenta, deflagrada em fevereiro de 2026. A investigação apura a atuação de gestores da autarquia na aprovação dos investimentos.

    Em uma das aplicações, de R$ 100 milhões, a aprovação foi condicionada apenas à realização posterior de uma visita ao banco. A PF classificou o procedimento como “atípico” . Gestores da Amprev são investigados por possível gestão fraudulenta e temerária.

    A relação de Alcolumbre com o ministro Alexandre de Moraes também é citada pela Oposição como um dos motivos para o senador não avançar com pedidos de impeachment no Senado.

    Em 2 de setembro, Alcolumbre afirmou ter sido alvo de “muitas agressões” nos dias anteriores diante das críticas relacionadas ao ministro do STF. No plenário, questionou a responsabilização dele e de Moraes pela destinação de recursos para a produção do filme Dark Horse .

    “Todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para as mesmas pessoas para fazer um filme e agora o culpado sou eu e o ministro Moraes” , disse.

    Enquanto é pressionado pela oposição, Alcolumbre busca apoio do governo para permanecer na Presidência do Senado. O entorno do petista avalia que o senador precisará do apoio do Planalto para tentar continuar no cargo. Em contrapartida, Alcolumbre vem acelerando a tramitação de pautas prioritárias para o governo.

    A reaproximação entre Lula e Alcolumbre se deu depois de meses de desgaste na relação entre o Planalto e o comando do Senado. O distanciamento aumentou depois que Jorge Messias, indicado por Lula para uma vaga no STF, foi rejeitado pelo Senado em 29 de abril. Foi a 1ª vez em 132 anos que a Casa barrou um indicado ao Supremo.

    Alcolumbre teve papel central nas articulações para a rejeição de Messias depois que Lula decidiu não indicar Rodrigo Pacheco (PSB-MG), amigo e aliado do presidente do Senado, para a vaga.

    Desde então, Alcolumbre se afastou do grupo ligado ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que já escolheu Rogério Marinho (PL-RN) como candidato à Presidência do Senado em 2027. O movimento abriu espaço para uma aproximação entre Alcolumbre e o governo.

    Integrantes do Centrão, porém, avaliam que o senador cometeu um erro estratégico ao se afastar da oposição e se aproximar de Lula neste momento. Para esses senadores, as eleições de 2026 podem produzir um Senado menos governista a partir de 2027, o que reduziria as chances de Alcolumbre conseguir apoio para permanecer no cargo.

    A avaliação do grupo é que Alcolumbre pode ter dificuldade para construir uma maioria caso a nova composição da Casa seja mais alinhada à Oposição, sobretudo se os processos de impeachment de ministros do STF se consolidarem como uma das principais pautas do próximo Senado. É o cenário que as pesquisas indicam.

    O cenário eleitoral de Alcolumbre no Amapá também é considerado desfavorável. Seu aliado na disputa pelo governo do Estado, Clécio Luís (União Brasil), tem 31% das intenções de voto, conforme o levantamento Real Time Big Data, divulgado em 8 de setembro. Na mesma pesquisa, o principal adversário, Dr. Furlan (PSD), tem 62%, com a possibilidade de vencer no 1º turno .

    A disputa pelo Senado também apresenta dificuldades para o grupo político de Alcolumbre. A aliada Alliny Serrão (União Brasil) aparece em 4º lugar, com 9% das intenções de voto, conforme a mesma pesquisa.

    Randolfe Rodrigues (PT), outro aliado do presidente do Senado, tem 20%. Ele está atrás de Rayssa Furlan (Podemos), que lidera a disputa com 33%, segundo pesquisa divulgada em 8 de setembro. Lucas Barreto (PSD) aparece em 3º, com 14%.

    O Real Time Big Data entrevistou 1.600 eleitores de 3 a 7 de setembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número AP-04000/2026.

    Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-congresso/crise-no-stf-torna-reeleicao-de-alcolumbre-no-senado-incerta/.

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    O presidente do Senado Federal, senador Davi Alcolumbre — Foto: Poder360

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