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    Crise no STF reforça imprevisibilidade no resultado da disputa ao Planalto

    Pesquisas divulgadas nessa segunda-feira (13/9) mostram Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) empatados tecnicamente, em meio à crise no Supremo

    Metrópoles
    15 de setembro de 2026 às 07:30
    Crise no STF reforça imprevisibilidade no resultado da disputa ao Planalto
    Foto: Metrópoles

    A crise institucional no Supremo Tribunal Federal ( STF ) a um mês das eleições trouxe pequenas mudanças no resultado das pesquisas eleitorais para presidente, que tem os candidatos Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na dianteira

    A crise no Supremo escalou de nível em 1° de setembro , após o ministro André Mendonça retirar o sigilo de autos que envolvem conversas de Daniel Vorcaro com um número atribuído ao ministro Alexandre de Moraes e indicam relação do banqueiro com o magistrado. O episódio desencadeou acusações de Moraes contra Mendonça e um desgaste na credibilidade da mais alta Corte do país. O plenário do Supremo analisará denúncias contra Moraes nesta terça, às 10h.

    De acordo com as últimas pesquisas Quaest e BTG/Nexus, divulgadas na segunda-feira (14/9), os números de intenção de voto de Lula e Flávio Bolsonaro tiveram pequenas oscilações no último mês, mas foram o suficiente para deixar a disputa ainda mais acirrada e imprevisível. Veja:

    Arte Metrópoles
    Arte Metrópoles — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concorre à reeleição

    Flávio Bolsonaro (PL) herdou o lugar do pai como o principal opositor de Lula nas eleições

    Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) concorre à Presidência da República

    Eleições 2026
    Eleições 2026 — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Ao Metrópoles , o CEO da Quaest, Felipe Nunes, apontou que a crise no STF não causou grande mudanças nas intenções de voto porque a decisão eleitoral é multidimensional. “O eleitor pode estar muito insatisfeito com o Supremo e, ao mesmo tempo, manter sua preferência presidencial”.

    Nunes afirma que a disputa para presidente está bastante consolidada entre Lula e Flávio, o que impede grandes mudanças no resultado das pesquisas.

    “Lula e Flávio já ocupam posições muito consolidadas no eleitorado. É uma eleição bastante polarizada e com alto grau de rejeição aos dois. Isso cria uma espécie de ‘calcificação’ da disputa: notícias muito importantes podem alterar a avaliação de instituições ou de candidatos, mas não necessariamente deslocam grandes contingentes de eleitores de um lado para o outro”, afirmou o CEO da Quaest. Nunes chama atenção ainda para o peso dos eleitores independentes, que tendem a ser mais sensíveis a episódios envolvendo o STF.

    Presidente Lula (PT) e senador Flávio Bolsonaro (PL) com o prédio do STF ao fundo
    Presidente Lula (PT) e senador Flávio Bolsonaro (PL) com o prédio do STF ao fundo — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Para ele, no entanto, criticar o Supremo não significa migrar automaticamente para Flávio . Esse grupo pode ler a crise de duas formas: como um abuso institucional ou como mais um capítulo da polarização.

    Na avaliação de Nunes, a crise também pode acabar favorecendo nomes da direita que se coloquem como alternativa ao sistema político atual.

    “A crise pode abrir espaço principalmente para a direita e para candidatos que consigam se apresentar como alternativa ao sistema político-institucional atual. Mas isso não significa necessariamente transferência para Flávio. Mais do que voto, a crise tem engajado a direita. E isso faz diferença”, afirmou. Lula e Flávio se beneficiam a partir da crise? Ao Metrópoles , o doutor em Direito Constitucional e pró-reitor da Estácio Brasília, Murilo Borsio Bataglia, explicou que ainda não dá para apontar um beneficiário direto da crise no Judiciário.

    Crise no STF reforça imprevisibilidade no resultado da disputa ao Planalto - destaque galeria
    Crise no STF reforça imprevisibilidade no resultado da disputa ao Planalto - destaque galeria — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Isso porque, segundo ele, decisões da Suprema Corte podem ter efeitos políticos indiretos, principalmente por envolverem aliados e, eventualmente, os próprios presidenciáveis.

    “Por isso, é possível que a crise seja instrumentalizada eleitoralmente, mas não se pode afirmar, a priori, que ela beneficiará Lula ou Flávio, até mesmo em virtude da complexidade dos casos e pelos indícios ou elementos ainda em apuração”, analisou Murilo. Ele avalia ainda que o impacto não aparece nos levantamentos porque o eleitor pesa vários fatores na hora de decidir o voto. Para ele, economia, segurança, avaliação do governo, rejeição e identificação política costuma falar mais alto do que uma crise institucional envolvendo o Judiciário. “É importante distinguir a relevância política do episódio de sua efetiva capacidade de produzir comportamento eleitoral”, disse.

    Sobre o eleitores independentes, o professor disse que o grupo é o mais sensível à forma como a crise é interpretada. Uma parte pode reagir em defesa das instituições, enquanto outra pode comprar o discurso de politização do STF. “O ponto decisivo será como os diferentes atores conseguirão enquadrar politicamente a crise”, afirmou.

    Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concorre à reeleição
    Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concorre à reeleição — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Bataglia não vê um lado como beneficiário automático.

    “A direita pode explorar a ideia de excesso de poder do Judiciário, enquanto a esquerda tende a reforçar a defesa das instituições. O centro pode tentar ocupar o espaço da moderação”, avaliou o professor.

    No fim, segundo ele, leva vantagem quem conseguir transformar a crise em uma narrativa clara e convincente para o eleitor.

    Flávio Bolsonaro (PL) herdou o lugar do pai como o principal opositor de Lula nas eleições
    Flávio Bolsonaro (PL) herdou o lugar do pai como o principal opositor de Lula nas eleições — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
    Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) concorre à Presidência da República
    Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) concorre à Presidência da República — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
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    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/brasil/crise-stf-disputa-planalto.

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