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    Crise no STF impacta julgamento de ações de pejotização, uberização e reforma da Previdência

    A crise pela qual o STF (Supremo Tribunal Federal) atravessa, com o julgamento de ações envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça em relação ao caso do Banco Master , deve impactar decisões a respeito de temas de amplo alcance econômico como pejotização e uberização . Leia mais (09/15/2026 - 23h00)

    Folha de S.Paulo
    16 de setembro de 2026 às 02:00
    Crise no STF impacta julgamento de ações de pejotização, uberização e reforma da Previdência
    Cinco ministros do Supremo Tribunal Federal sentados em cadeiras amarelas atrás de bancada de madeira. Bandeira do Brasil ao fundo na parede de mármore. Tela exibe imagem de um dos ministros falando. — Foto: Folha de S.Paulo

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    A crise pela qual o STF (Supremo Tribunal Federal) atravessa, com o julgamento de ações envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça em relação ao caso do Banco Master , deve impactar decisões a respeito de temas de amplo alcance econômico como pejotização e uberização .

    Sessão plenária extraordinária do STF nesta terça-feira (15); em crise, corte adia decisão sobre processos de pejotização, uberização e INSS - Rosinei Coutinho/Divulgação STF · Rosinei Coutinho/Divulgação STF
    Sessão plenária extraordinária do STF nesta terça-feira (15); em crise, corte adia decisão sobre processos de pejotização, uberização e INSS - Rosinei Coutinho/Divulgação STF · Rosinei Coutinho/Divulgação STF — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Também estão parados, à espera da resolução do impasse entre os ministros da corte, processos ligados à reforma da Previdência Social de 2019—que tem forte impacto no déficit do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social)— e de direito tributário.

    Para especialistas, os assuntos de maior interesse da sociedade nas áreas trabalhista e previdenciária, como a validade do contrato de PJ (pessoa jurídica) e o vínculo de emprego entre motoristas de aplicativos e empresas, por exemplo, não devem ser julgados antes das eleições e podem ser adiados para 2027.

    A professora Olívia Pasqualeto, da Escola de Direito de São Paulo da FGV (Fundação Getulio Vargas), afirma que a crise atual tende a tirar espaço de pautas relevantes que aguardam definição do Supremo.

    Entenda o que é a pejotização e saiba o que o STF vai decidir
    Entenda o que é a pejotização e saiba o que o STF vai decidir — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Para ela, tanto a pejotização quanto a ação do trabalho por aplicativos exigem cautela da corte pelo impacto social e econômico.

    Olívia diz que a pejotização é uma questão ainda mais central porque pode atingir diferentes setores da sociedade e produzir efeitos não apenas sobre os direitos dos trabalhadores, mas também sobre a Previdência e outras estruturas de proteção social.

    A decisão deve afetar empresas que adotam esse tipo de contratação e trabalhadores que atuam como PJs.

    Entregadores protestam em São Paulo e Osasco contra curso obrigatório em mais um 'Breque dos Apps'
    Entregadores protestam em São Paulo e Osasco contra curso obrigatório em mais um 'Breque dos Apps' — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Por isso, para a professora, o melhor é que essa análise seja feita em um momento em que os ânimos da sociedade estejam mais calmos e com sentimentos menos impactados por atitudes dos ministros da corte. Ela considera, no entanto, que já houve debate suficiente para julgar o caso.

    "É um tema que vem sendo discutido há mais de um ano. Os processos foram suspensos, depois, em junho deste ano, parte da suspensão foi retirada . É um tema que exige cautela, e é urgente dar uma resposta à sociedade. Mas é de tamanha seriedade, não pode ser julgado de forma rápida", diz.

    O processo da uberização, que tem sido analisado sob o tema 1.291 , foi afetado em dois momentos neste ano. Pautado em junho, foi adiado pelo ministro Edson Fachin, presidente do STF e relator do caso, para incluir nele os debates a respeito da convenção 193 da OIT (Organização Internacional do Trabalho).

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Depois, foi incluído na pauta da corte do dia 27 de agosto, mas a Polícia Federal entregou, no mesmo dia, um relatório a Mendonça sobre o caso Master, e o processo saiu da pauta sem nenhum aviso.

    A professora da FGV diz que a ação da uberização chegou a ganhar força em 2023, antes de o governo Lula enviar projeto de lei para o Congresso tentando regulamentar o trabalho por apps. Depois, perdeu força, mas ainda é um dos mais importantes a ser definido pelo Supremo no âmbito do trabalho.

    Para ela, a ausência de uma regulamentação legislativa a respeito dos apps ou de uma decisão do STF prolonga a insegurança jurídica. "O fato é que nada aconteceu, nem foi regulado, nem foi julgado", afirma.

     Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira
    Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Olívia também chama atenção para os efeitos da pejotização sobre as mulheres. Segundo ela, a contratação como PJ pode retirar proteções associadas ao vínculo formal de emprego, como a estabilidade da gestante e a igualdade salarial. "PJ não tem gênero", diz.

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    Para Rômulo Saraiva, advogado e colunista da Folha , a demora do STF em julgar alguns temas, em especial na área previdenciária, prejudica cidadãos comuns que aguardam decisão da Justiça e estão com processos parados. Segundo ele, há demandas suspensas há anos.

    Para Saraiva, a demora em julgar causas de grande impacto social representa um problema para o Judiciário como prestador de serviço à sociedade, especialmente quando outras questões acabam sendo priorizadas.

    A advogada Adriane Bramante, da comissão de direito previdenciário da OAB-SP e IBDP (Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário), diz que há vários processos previdenciários à espera de decisão. Entre eles, 13 ADIs (Ações Diretas de Inconstitucionalidade) da reforma da Previdência de 2019.

    Ela cita ainda processos relacionados à aposentadoria especial e ao pagamento de contribuições dos autônomos. Uma delas é a ADI 6.309, que discutiu a idade mínima para a aposentadoria especial após a reforma. O STF decidiu em junho deste ano que a idade mínima é inconstitucional.

    Segundo ela, ainda não foi publicada a tese, o que impede a conclusão dos debates sobre o caso. A advogada cita também o tema 1.209, que trata da aposentadoria especial de vigilantes . Nesse caso, o STF negou o direito. Houve embargos de declaração —quando se contesta pontos da decisão— que ainda não foram pautados.

    Outro processo citado por Adriane é o tema 1.329, que discute a possibilidade de complementação de contribuições previdenciárias por autônomos para conseguirem entrar em regra de transição mais vantajosa da reforma da Previdência. O tema tem repercussão geral reconhecida pelo Supremo e não foi julgado.

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    Na pauta desta quarta-feira (16), está o julgamento de uma ação ainda sob a relatoria da ministra Rosa Weber, que se aposentou em 2023. O caso trata sobre o reajuste do plano de saúde dos idosos contratado antes do Estatuto do Idoso.

    Para a professora Olívia, no entanto, não é o melhor momento para julgar grandes temas. Qualquer decisão tomada em meio à atual crise poderia ampliar a repercussão sobre a imagem da corte. Os casos interferem diretamente na vida de trabalhadores e envolvem interesses econômicos relevantes de empresas e de órgãos públicos.

    Fontes: IBDP (Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário), STF (Supremo Tribunal Federal) e advogado Rômulo Saraiva, do Rômulo Saraiva Advogados Associados e colunista da Folha

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/09/crise-no-stf-impacta-julgamento-de-acoes-de-pejotizacao-uberizacao-e-reforma-da-previdencia.shtml.

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