Crise no STF cria raro clima de união nacional
São raros os momentos em que a sociedade em seus diferentes segmentos se mostra unânime frente a questões de ordem institucional e/ou a problemas que afetem a vida da coletividade. Leia mais (09/15/2026 - 15h20)

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São raros os momentos em que a sociedade em seus diferentes segmentos se mostra unânime frente a questões de ordem institucional e/ou a problemas que afetem a vida da coletividade.

Anos atrás, vimos unidade no anseio pela retomada do regime democrático e assistimos de novo coesão nacional no apoio ao combate à inflação .
Agora, vemos personalidades dos mundos jurídico, empresarial, cultural, político e brasileiros ditos comuns —donos da nobre credencial de cidadãos— juntos na expectativa de que o Supremo Tribunal Federal aplique aos seus os critérios da legalidade válidos para todos, de modo a não perder a legitimidade para julgar quem ou o que quer seja .
Inédito é que tal união ocorra justamente em período eleitoral e ainda mais numa quadra de categórica divisão do país entre duas forças políticas. Cisão que em boa medida se reflete no ambiente idealmente imparcial do STF .

Sintomático, portanto, que no clima de acirramento político-eleitoral os diferentes grupos sociais falem o mesmo idioma nos seguintes tópicos: perplexidade diante do desarranjo que assola a corte; repulsa a condutas de magistrados; demanda pela adoção dos melhores procedimentos de correção; uma enorme desconfiança de que o tribunal vai decepcionar e procurar alguma forma de acomodação.
Dessa coincidência de visões na opinião pública depreende-se que não estamos diante de algo que possa se confundir com a disputa eleitoral em curso.
Fazer essa junção é deslocar para outro campo o cerne do assunto em tela: a contaminação da corte suprema de Justiça por práticas questionáveis, quando não ilícitas, que precisam ser passadas a limpo.
Adiar o enfrentamento dessa chaga para depois do pleito não fará desaparecer o fato de que hoje temos metade da corte sob algum tipo de desconfiança.
A mais grave recai sobre o ministro Alexandre de Moraes , que não terá autoridade para daqui a um ano assumir a presidência do Supremo se não estiver acima de qualquer suspeita.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/dora-kramer/2026/09/crise-no-stf-cria-raro-clima-de-uniao-nacional.shtml.

O ministro Alexandre de Moraes na sessão plenária extraordinária do STF - Rosinei Coutinho/Divulgação STF — Foto: Folha de S.Paulo
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