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    Crise entre Rússia e Europa entra em nova e perigosa etapa

    Vladimir Putin é o vilão do establishment europeu pelo menos desde 2008, quando usou a força para conter as ambições da minúscula Geórgia, que buscava virar um Estado da aliança militar Otan . Leia mais (10/03/2026 - 22h00)

    Folha de S.Paulo
    4 de outubro de 2026 às 01:00
    Crise entre Rússia e Europa entra em nova e perigosa etapa
    Homem de terno preto e gravata vermelha fala em púlpito branco com logo e texto em russo. Fundo azul com iluminação suave. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Vladimir Putin, presidente da Rússia - Igor Ivanko - 1.out.26/AFP · Igor Ivanko - 1.out.26/AFP
    Vladimir Putin, presidente da Rússia - Igor Ivanko - 1.out.26/AFP · Igor Ivanko - 1.out.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Vladimir Putin é o vilão do establishment europeu pelo menos desde 2008, quando usou a força para conter as ambições da minúscula Geórgia, que buscava virar um Estado da aliança militar Otan .

    De lá para cá, o autocrata russo só alimentou sua fama. Anexou a Crimeia quando um presidente pró-Kremlin foi derrubado em Kiev, em 2014, e completou o serviço com a desastrosa invasão total da Ucrânia oito anos depois.

    A guerra disseminou a percepção, que antes era restrita ao Leste Europeu , de riscos provenientes de Moscou. Até as neutras Suécia e Finlândia aderiram à Otan.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Ao mesmo tempo, o retorno de Donald Trump à Casa Branca abriu uma era de desengajamento americano da defesa europeia e do apoio aos ucranianos, aumentando a preocupação nas capitais continentais.

    Segundo o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, de Londres, o gasto militar europeu cresceu mais de 90% em termos nominais entre 2021, ano anterior à invasão da Ucrânia, e 2026.

    Num continente marcado por séculos de conflitos e duas guerras mundiais, desconfianças antigas já se apresentam, não menos porque quem puxa o dispêndio é a outrora ameaçadora Alemanha.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Nesse sentido, Putin vai colhendo parcialmente uma vitória estratégica: ele ampliou diferenças entre aliados ocidentais que vê como hostis, e o impacto econômico de sua guerra impulsiona partidos de ultradireita simpáticos à Rússia em toda a Europa .

    A disputa se acirra com incidentes de guerra híbrida —quando o agressor camufla sua identidade em atos menores. Houve tentativa de explodir aviões na Alemanha, incêndio em fábrica militar na Estônia e disrupções de aeroportos com drones.

    Em todos os casos, a Europa acusa a Rússia, que dá de ombros e denuncia suposta russofobia. Ao mesmo tempo, ambos os lados escalam sua presença bélica em áreas como o Báltico e o Ártico. Países da Otan falam em risco de ataque iminente, algo que até a aliança descarta.

    Mas o alarmismo tem custo. Há duas semanas, o chanceler polonês sugeriu que a Otan deveria exercer pressão militar sobre o exclave russo de Kaliningrado, entre seu país e a Lituânia .

    Além de inútil para tirar o foco russo da Ucrânia, a ideia serviu para Putin sacar sua carta nuclear , lembrando que qualquer ação contra o território será respondida até com armas atômicas.

    É improvável que isso ocorra, mas a tensão precisa ser contida para minimizar o risco de entrechoques acidentais que possam levar a cenários mais sombrios.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/10/crise-entre-russia-e-europa-entra-em-nova-e-perigosa-etapa.shtml.

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    Vladimir Putin, presidente da Rússia - Igor Ivanko - 1.out.26/AFP · Igor Ivanko - 1.out.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo

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