Crise entre Rússia e Europa entra em nova e perigosa etapa
Vladimir Putin é o vilão do establishment europeu pelo menos desde 2008, quando usou a força para conter as ambições da minúscula Geórgia, que buscava virar um Estado da aliança militar Otan . Leia mais (10/03/2026 - 22h00)

Texto não assinado que expressa a opinião da Folha
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

Vladimir Putin é o vilão do establishment europeu pelo menos desde 2008, quando usou a força para conter as ambições da minúscula Geórgia, que buscava virar um Estado da aliança militar Otan .
De lá para cá, o autocrata russo só alimentou sua fama. Anexou a Crimeia quando um presidente pró-Kremlin foi derrubado em Kiev, em 2014, e completou o serviço com a desastrosa invasão total da Ucrânia oito anos depois.
A guerra disseminou a percepção, que antes era restrita ao Leste Europeu , de riscos provenientes de Moscou. Até as neutras Suécia e Finlândia aderiram à Otan.

Ao mesmo tempo, o retorno de Donald Trump à Casa Branca abriu uma era de desengajamento americano da defesa europeia e do apoio aos ucranianos, aumentando a preocupação nas capitais continentais.
Segundo o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, de Londres, o gasto militar europeu cresceu mais de 90% em termos nominais entre 2021, ano anterior à invasão da Ucrânia, e 2026.
Num continente marcado por séculos de conflitos e duas guerras mundiais, desconfianças antigas já se apresentam, não menos porque quem puxa o dispêndio é a outrora ameaçadora Alemanha.

Nesse sentido, Putin vai colhendo parcialmente uma vitória estratégica: ele ampliou diferenças entre aliados ocidentais que vê como hostis, e o impacto econômico de sua guerra impulsiona partidos de ultradireita simpáticos à Rússia em toda a Europa .
A disputa se acirra com incidentes de guerra híbrida —quando o agressor camufla sua identidade em atos menores. Houve tentativa de explodir aviões na Alemanha, incêndio em fábrica militar na Estônia e disrupções de aeroportos com drones.
Em todos os casos, a Europa acusa a Rússia, que dá de ombros e denuncia suposta russofobia. Ao mesmo tempo, ambos os lados escalam sua presença bélica em áreas como o Báltico e o Ártico. Países da Otan falam em risco de ataque iminente, algo que até a aliança descarta.
Mas o alarmismo tem custo. Há duas semanas, o chanceler polonês sugeriu que a Otan deveria exercer pressão militar sobre o exclave russo de Kaliningrado, entre seu país e a Lituânia .
Além de inútil para tirar o foco russo da Ucrânia, a ideia serviu para Putin sacar sua carta nuclear , lembrando que qualquer ação contra o território será respondida até com armas atômicas.
É improvável que isso ocorra, mas a tensão precisa ser contida para minimizar o risco de entrechoques acidentais que possam levar a cenários mais sombrios.
Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!
Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?
Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.
Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/10/crise-entre-russia-e-europa-entra-em-nova-e-perigosa-etapa.shtml.

Vladimir Putin, presidente da Rússia - Igor Ivanko - 1.out.26/AFP · Igor Ivanko - 1.out.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo
Compartilhe
Espalhe essa notícia

