Crianças e idosos serão os mais afetados pelos efeitos do El Niño, diz Secretaria da Saúde de SP
Pasta lança nesta segunda (31) um plano de preparação e resposta em saúde para enfrentar o fenômeno

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A intensificação do El Niño promete potencializar as ocorrências de arboviroses como dengue , chikungunya e febre amarela , além de doenças diarreicas, leptospirose e hepatite A .

É provável que o fenômeno —responsável pelo aquecimento anormal das águas do oceano Pacífico — também agrave doenças crônicas , cardiovasculares e renais, bem como as condições respiratórias, e aumente o risco de desidratação.
Segundo a Noaa (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica) dos Estados Unidos , o evento climático está em patamar forte e deverá evoluir para muito forte ( super El Niño ) já a partir de setembro.
Para tentar mitigar os efeitos do fenômeno climático, a Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo lança nesta segunda-feira (31) o Plano Estadual de Preparação e Resposta em Saúde para o Fenômeno El Niño, que reúne diretrizes aos 645 municípios.

Para chegar às instruções, os departamentos regionais de saúde elencaram as principais ameaças, as prioridades e a dimensão do impacto.
Para assegurar o atendimento em momentos críticos, o plano prevê o mapeamento de redes essenciais e a definição de rotas alternativas de cuidado caso ocorram falhas no sistema.
A estratégia abrange o monitoramento da assistência farmacêutica para impedir a falta de remédios e institui ações de saúde mental voltadas tanto para a população afetada por desastres climáticos como para os próprios profissionais da linha de frente.
O documento também estabelece um plano para garantir a continuidade do tratamento de quem depende dos serviços de saúde com regularidade. É o caso de pacientes em terapia renal substitutiva, em tratamento oncológico ou que utilizam oxigenoterapia domiciliar.
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Segundo Regiane de Paula, responsável pela Coordenadoria de Controle de Doenças da secretaria, as alterações climáticas promovidas pelo El Niño devem repercutir de forma mais intensa entre crianças e os idosos.
"Não podemos descartar ninguém —imagine que, num cenário de isolamento, todos serão atingidos. Quando olhamos para a população, os mais afetados costumam ser sempre as crianças e os idosos ", diz afirma.
Além dos danos à infraestrutura, enchentes e inundações causadas pelas chuvas extremas favorecem a proliferação de doenças de transmissão hídrica, que são infecções provocadas pela ingestão ou contato com a água contaminada. São exemplos as gastroenterites virais e bacterianas, classificadas como diarreicas, a leptospirose e a hepatite A.
Outro risco é o de acidentes com animais peçonhentos , que deixam o habitat natural e invadem as áreas urbanas.
Também agravadas com o El Niño, as ondas de calor aumentam os riscos de desidratação , exaustão térmica, insolação e podem piorar doenças cardiovasculares , respiratórias e renais. Regiane de Paula alerta que a consequência é o aumento de internações e da mortalidade entre idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas .
A combinação entre chuva e calor traz preocupação com arboviroses. A última ocorrência do El Niño (2023 e 2024) também levou as temperaturas globais a níveis recordes, e em 2024 a dengue matou 6.321 pessoas no Brasil, segundo o Ministério da Saúde , marcando o ano mais crítico da doença no país —ao menos desde 2000.
Do total de óbitos, 79,7% se concentraram no Sul e no Sudeste.
"Há a expectativa de que em setembro, outubro já tenhamos municípios com aumento de arboviroses. A gente se preocupa bastante com a dengue. Zika não se estabeleceu no estado de São Paulo, graças a Deus. A chikungunya é uma preocupação também. E ainda precisamos lembrar da febre amarela ", diz.
Regiane de Paula também orienta a população a manter a caderneta de vacinação em dia. A imunização é a melhor forma de se proteger contra infecções e assegurar a saúde coletiva, principalmente em situações de aglomeração.
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Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2026/08/criancas-e-idosos-serao-os-mais-afetados-pelos-efeitos-do-el-nino-diz-secretaria-da-saude-de-sp.shtml.

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