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    Creutzfeldt-Jakob: novos testes tentam interromper ação dos príons; saiba mais sobre a doença diagnosticada no influenciador Lito Sousa

    Novos testes contra a doença de Creutzfeldt-Jakob tentam reduzir a produção de príons, enquanto a pesquisa da UFRJ investiga novos compostos O post Creutzfeldt-Jakob: novos testes tentam interromper ação dos príons; saiba mais sobre a doença diagnosticada no influenciador Lito Sousa apareceu primeiro em Olhar Digital .

    Olhar Digital
    24 de agosto de 2026 às 11:58
    Creutzfeldt-Jakob: novos testes tentam interromper ação dos príons; saiba mais sobre a doença diagnosticada no influenciador Lito Sousa
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    O diagnóstico de doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) do influenciador e especialista em aviação Lito Sousa chamou atenção para uma enfermidade rara e agressiva. Hoje, não há tratamento capaz de interromper ou reverter a doença, mas pesquisadores já testam medicamentos desenvolvidos para interferir no mecanismo dos príons .

    A informação é apresentada por Tuane Vieira, doutora em Química Biológica e professora do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ em artigo no The Conversation . Segundo ela, dois desses medicamentos já estão sendo avaliados em pacientes, enquanto outra frente investiga compostos que possam agir sobre agregados de proteínas já existentes.

    A DCJ é provocada por príons, formas anormais de uma proteína produzida pelo próprio organismo. Uma proteína alterada pode induzir outras a mudar de estrutura. O processo se repete e, aos poucos, os agregados comprometem o funcionamento do cérebro .

    Pesquisadores começaram a testar formas de reduzir a produção da proteína envolvida na formação de novos príons. – Imagem: StudioMolekuul/Shutterstock
    Pesquisadores começaram a testar formas de reduzir a produção da proteína envolvida na formação de novos príons. – Imagem: StudioMolekuul/Shutterstock — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    A doença atinge de um a dois casos por milhão de habitantes por ano. Na maioria das vezes, surge de forma esporádica, sem uma fonte de infecção identificável, e não passa de uma pessoa para outra pelo contato cotidiano.

    “Não existe, hoje, terapia capaz de deter ou reverter a DCJ”, afirma Vieira. O atendimento atual é de suporte, com foco no controle dos sintomas e no conforto do paciente.

    Uma das ideias em estudo é reduzir a produção da proteína normal que serve de matéria-prima para novos príons. É nesse caminho que seguem os principais testes:

    Dois compostos encontrados na moringa reduziram agregados de príons em testes de laboratório. O resultado ainda é preliminar. – Imagem: Thana Ram/Shutterstock
    Dois compostos encontrados na moringa reduziram agregados de príons em testes de laboratório. O resultado ainda é preliminar. – Imagem: Thana Ram/Shutterstock — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    O ensaio do ION717 recrutou 56 participantes em 2024 e ganhou um novo braço em março de 2026. Os resultados não devem ser divulgados antes de 2027. O PRiSM é um estudo de fase 1 com 15 pacientes sintomáticos, voltado à segurança e à tolerabilidade.

    Nenhum dos dois primeiros estudos recruta no Brasil. Até agora, também não há demonstração de que essas pesquisas consigam interromper a DCJ em pessoas.

    O que mudou não é a certeza do resultado, mas a qualidade da aposta. Agora, testam-se moléculas desenhadas para o mecanismo central da doença, com efeito comprovado em animais.

    Proteína príon humana (hPrP). Associada a doenças neurodegenerativas, incluindo kuru, EEB e Creutzfeldt-Jakob.
    Proteína príon humana (hPrP). Associada a doenças neurodegenerativas, incluindo kuru, EEB e Creutzfeldt-Jakob. — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Outra pergunta preocupa os pesquisadores: como lidar com os agregados que já se acumularam quando a doença é diagnosticada?

    Um estudo da UFRJ, em parceria com a Universidade Federal Fluminense e a Universidade Federal de Goiás, analisou a Moringa oleifera . Entre 18 compostos encontrados no extrato, dois — os ácidos clorogênico e neoclorogênico — se ligaram à proteína priônica.

    Nos testes in vitro , as duas substâncias reduziram a formação de agregados e desorganizaram estruturas que já estavam formadas.

    Vagens de Moringa oleifera, vagens da árvore moringa nos galhos
    Vagens de Moringa oleifera, vagens da árvore moringa nos galhos — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    “Nosso trabalho com os compostos da moringa é uma pista científica, não uma terapia pronta”, ressalta Vieira.

    O próximo passo é verificar os efeitos em células e animais, além de descobrir quanto dessas moléculas chega ao cérebro e o que ocorre após a desagregação.

    O exame RT-QuIC, disponível no laboratório da UFRJ citado pela pesquisadora, detecta a conversão da proteína priônica no líquido cefalorraquidiano e permite confirmar a DCJ em vida.

    Valdir Antonelli
    Valdir Antonelli — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    A doença costuma aparecer principalmente entre os 60 e 70 anos e pode causar perda rápida de memória, alterações de comportamento, dificuldades para caminhar, movimentos involuntários e alterações visuais. Como sinais semelhantes aparecem em outras doenças neurológicas, algumas tratáveis, identificar corretamente a causa é importante para orientar o paciente e a família.

    A DCJ continua sem cura. A diferença é que pesquisadores começaram a testar formas de interferir diretamente no processo que produz os príons. O resultado dessas tentativas ainda precisa ser demonstrado — mas é justamente aí que a pesquisa começa a abrir novas possibilidades.

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    Bruno Capozzi
    Bruno Capozzi — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital
    Pesquisadores começaram a testar formas de reduzir a produção da proteína envolvida na formação de novos príons. – Imagem: StudioMolekuul/Shutterstock
    Pesquisadores começaram a testar formas de reduzir a produção da proteína envolvida na formação de novos príons. – Imagem: StudioMolekuul/Shutterstock — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital
    Dois compostos encontrados na moringa reduziram agregados de príons em testes de laboratório. O resultado ainda é preliminar. – Imagem: Thana Ram/Shutterstock
    Dois compostos encontrados na moringa reduziram agregados de príons em testes de laboratório. O resultado ainda é preliminar. – Imagem: Thana Ram/Shutterstock — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Publicado originalmente por Olhar Digital. Leia a matéria completa em https://olhardigital.com.br/2026/08/24/medicina-e-saude/doenca-de-creutzfeldt-jakob-novos-testes-tentam-interromper-acao-dos-prions/.

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    Pesquisadores começaram a testar formas de reduzir a produção da proteína envolvida na formação de novos príons. – Imagem: StudioMolekuul/Shutterstock — Foto: Olhar Digital

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