Brasil

    Cremos mais em máquinas do que pessoas, diz Esther Perel em abertura da SP2B

    Abertura tem bate-papo sobre impacto da IA nas relações

    UOL
    10 de agosto de 2026 às 04:00
    Cremos mais em máquinas do que pessoas, diz Esther Perel em abertura da SP2B
    Mulher de cabelos curtos loiros segura microfone com logo 'P2B' enquanto fala em evento. Fundo com painéis iluminados em preto e branco. — Foto: UOL

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    A psicoterapeuta belga Esther Perel foi o grande destaque da abertura do SP2B , que aconteceu na noite deste domingo (9) no parque Ibirapuera, na zona sul da cidade. A inauguração do festival contou ainda com um coquetel e um show surpresa dos Titãs.

    Esther Perel, psicoterapeuta belga, na abertura do SP2B - Felipe Iruatã/Folhapress · Felipe Iruatã/Folhapress
    Esther Perel, psicoterapeuta belga, na abertura do SP2B - Felipe Iruatã/Folhapress · Felipe Iruatã/Folhapress — Foto: UOL · Fonte: UOL

    A programação, que se estende até o dia 16 de agosto, reúne palestras, workshops e shows de música –distribuídos em nove espaços do Ibirapuera. Inspirado no festival americano South by Southwest, o evento brasileiro chega com a promessa de movimentar debates sobre empreendedorismo e inovação.

    O SP2B deste domingo ocorreu no espaço Beyond e foi restrito a convidados e compradores do ingresso Platinum (R$ 4.720). Após uma curta apresentação dos criadores do festival, Rafael Lazarini e Hugh Forrest, o público recebeu Perel ao som de aplausos e gritos empolgados.

    Autora de best-sellers como "Sexo no Cativeiro" e "Casos e Casos: repensando a infidelidade", a especialista é conhecida por analisar dilemas das relações humanas. E foram reflexões desse tipo que ela levou ao SP2B.

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    A belga foi entrevistada pela atriz paulistana Alice Braga, que deu à conversa um clima descontraído, com direito a piadas sobre dar um CPF brasileiro à especialista —devidas à empolgação do público. As duas conversaram principalmente sobre o impacto da inteligência artificial nos relacionamentos e sentimentos contemporâneos.

    "A solidão moderna não diz respeito a não ter contato social suficiente. A solidão moderna diz respeito à perda de profundidade", afirmou Perel, ao explicar que, embora o mundo esteja cada vez mais conectado digitalmente, a tendência é que cresça o que ela chama de "atrofia social". Ou seja, a falta de uma conexão de presença real e genuína.

    Para a especialista, o grande desafio da inovação hoje não é a tecnologia em si, mas sim uma espécie de reconstrução da confiança humana. "Não estamos dispostos a confiar na inteligência artificial, mas sim na ‘inteligência alienígena’", disse ela, arrancando algumas risadas. "Confiamos cegamente nas máquinas, mas não confiamos nas pessoas com as quais já convivemos."

    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor
    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Essa perda de confiança entre nós, humanos, afeta todas as áreas da vida, segundo a terapeuta. No quesito profissional, por exemplo, há o que ela chama de "infraestrutura operacional": quem determina a qualidade de um projeto é o vínculo entre os trabalhadores. É como uma ironia do mundo corporativo. Cresce o número de máquinas, mas não a comunicação entre quem as opera.

    "Quando a inteligência relacional é boa, o trabalho parece leve, energético e rápido. Quando é ruim, o trabalho parece pesado, defensivo e lento", disse a palestrante.

    Após a mesa de Parel, houve um show surpresa dos Titãs, que se apresentaram para uma plateia já mais enxuta. O show teve uma estética futurista —em alguns momentos, surgiam hologramas gigantes dos rostos de cada um dos integrantes. O grupo tocou hits como "Cabeça Dinossauro", "Pra Dizer Adeus" e "Flores".

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/08/cremos-mais-em-maquinas-do-que-pessoas-diz-esther-perel-em-abertura-da-sp2b.shtml.

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    Esther Perel, psicoterapeuta belga, na abertura do SP2B - Felipe Iruatã/Folhapress · Felipe Iruatã/Folhapress — Foto: UOL

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