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    Crédito para motoristas de apps libera só 11% do previsto, e governo admite falhas

    O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) liberou até o momento 11,3% dos R$ 30 bilhões disponíveis para o Move Brasil, lançado pelo governo Lula para motoristas de aplicativos e táxi financiarem a compra de novos veículos. A validade do programa termina em 15 de setembro. Leia mais (08/18/2026 - 23h00)

    Folha de S.Paulo
    19 de agosto de 2026 às 02:00
    Crédito para motoristas de apps libera só 11% do previsto, e governo admite falhas
    Foto: Folha de S.Paulo

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    O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) liberou até o momento 11,3% dos R$ 30 bilhões disponíveis para o Move Brasil, lançado pelo governo Lula para motoristas de aplicativos e táxi financiarem a compra de novos veículos. A validade do programa termina em 15 de setembro.

    O presidente Lula durante lançamento do Move Aplicativos, na Casa de Portugal, no bairro paulistano da Liberdade, em maio. Programa começou a rodar quase um mês depois, por problemas operacionais - Bruno Santos - 19.mai.26/Folhapress · Brun
    O presidente Lula durante lançamento do Move Aplicativos, na Casa de Portugal, no bairro paulistano da Liberdade, em maio. Programa começou a rodar quase um mês depois, por problemas operacionais - Bruno Santos - 19.mai.26/Folhapress · Brun — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Até o momento, o banco liberou R$ 3,44 bilhões em empréstimos para 33,4 mil motoristas. Destes, 27 mil são motoristas de aplicativo e 6.000 são taxistas, segundo dados obtidos pela Folha . Entre os beneficiários, 5% são mulheres, grupo que contou com taxas de juros mais baixas.

    Diante do ritmo lento de liberações, representantes do governo Lula (PT) culpam a baixa adesão dos grandes bancos privados, que na visão deles estariam superdimensionando o risco de crédito dos motoristas de aplicativo.

    Os integrantes admitem, no entanto, que houve demora na ativação do fundo garantidor de crédito, bancado por recursos do orçamento federal, que entrou em ação apenas duas semanas depois do lançamento da linha de crédito. Outra falha foi na comunicação com o público-alvo.

    Trabalhadores por aplicativo protestam contra o PLP 152
    Trabalhadores por aplicativo protestam contra o PLP 152 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A reportagem procurou a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) na tarde desta terça-feira (17), por e-mail e mensagem, mas não obteve resposta.

    "A nossa avaliação é que os bancos têm sido excessivamente restritivos na concessão de crédito e deveriam olhar com mais respeito para esses trabalhadores", disse o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos , à Folha .

    O ministro afirma que os financiamentos têm sido liderados pelo Banco do Brasil e pela Caixa, dois bancos sem particular destaque no financiamento de automóveis, e cita a baixa adesão dos bancos privados.

    Uber completa 10 anos no Brasil
    Uber completa 10 anos no Brasil — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Segundo Boulos, dos três grandes bancos privados, o único a entrar no programa foi o Santander, e com números aquém do desejado pelo governo.

    Um dos pontos de resistência pelo setor bancário ao programa foi a fixação de uma taxa de juros abaixo da praticada no mercado em financiamentos automotivos.

    O Move Brasil tem taxa fixada pelo Conselho Monetário Nacional em 12,6% ao ano para homens e 11,5% para mulheres. No mercado, a taxa média para financiamento de automóveis é de 28% ao ano, segundo informações monitoradas pelo próprio governo.

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    O governo alega que, como compensação, acionou o FGI (Fundo Garantidor para Investimentos), que é um fundo operado pelo BNDES com recursos do Tesouro para garantir o pagamento aos bancos em caso de calote.

    O FGI, entretanto, não concede garantia total para os empréstimos do programa —o fundo protege 80% do valor de cada empréstimo, em um limite de até 30% da carteira do banco disponível para o programa.

    Uallace Moreira Lima, secretário de Desenvolvimento Industrial do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), diz que o fato de o Move Brasil ter rodado por duas semanas sem a garantia do FGI gerou ruído muito grande, com críticas dos trabalhadores.

    Ilustração para Economia - Governo vai implantar sistema de chamadas verificadas contra fraudes telefônicas - Ferramenta será capaz de indicar se ligação partiu ou não de origem confiável
    Ilustração para Economia - Governo vai implantar sistema de chamadas verificadas contra fraudes telefônicas - Ferramenta será capaz de indicar se ligação partiu ou não de origem confiável — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Faltou a gente dialogar melhor com o trabalhador, [explicar] que estar habilitado não significava dizer que teria aprovação no sistema financeiro", afirma o secretário.

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    Trabalhadores e funcionários de concessionárias ouvidos pela reportagem relatam frustração com as negativas de crédito dos bancos.

    Segundo a gerente de marketing de uma concessionária em Brasília, muitos motoristas acreditavam que receberiam o crédito mesmo com nome sujo, e as vendas acabaram abaixo do esperado –em um determinado dia, uma vendedora aprovou apenas 12 de 60 propostas.

    Motoristas relatam irritação com o governo e com os bancos, que estariam aprovando apenas os trabalhadores com melhor nível de crédito.

    Como mostrou a Folha , o início do Move Brasil, no dia 19 de junho , fez as concessionárias receberem um volume incomum de motoristas de aplicativo e taxistas interessados em comprar um carro zero com juros reduzidos, mas o volume de aprovações foi baixo. Muitos profissionais relataram rebaixamento da pontuação de crédito após múltiplas tentativas de aprovação em bancos diferentes.

    A diretora de crédito digital do BNDES, Maria Fernanda Coelho , cita uma curva de aprendizagem dos bancos com o programa. Segundo ela, as instituições financeiras que operam o Move Brasil adaptaram seu cálculo de renda disponível para se adequar à realidade do público-alvo.

    "Se o motorista alugava um carro, ele já tinha um pagamento de aluguel, mas esse pagamento ia se tornar um pagamento de prestação, e a análise de risco poderia não estar contemplando isso", diz ela.

    As instituições financeiras também passaram a considerar a redução de gastos com combustível, caso o motorista financie um carro elétrico .

    Segundo a diretora, o volume de financiamentos aumentou de R$ 300 milhões, em média, nas primeiras semanas, para R$ 700 milhões por semana atualmente. Banco do Brasil, Caixa Econômica e Stellantis são as principais financiadoras até o momento, e as marcas mais financiadas são BYD, Fiat e Chevrolet.

    A reportagem perguntou ao BNDES, ao Mdic e à Secretaria-Geral da Presidência se existe discussão para prorrogar o programa, mas nenhum dos órgãos soube responder.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/credito-para-motoristas-de-apps-libera-so-11-do-previsto-e-governo-admite-falhas.shtml.

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