Brasil

    Crédito caro nos EUA pressiona demanda e oferta, diz especialista

    Juliana Benvenuto, da Avenue, analisa os impactos do encarecimento do crédito sobre imóveis, bolsa e empresas americanas

    CNN Brasil
    4 de outubro de 2026 às 10:00
    Crédito caro nos EUA pressiona demanda e oferta, diz especialista
    Foto: CNN Brasil

    O encarecimento dos juros longos nos Estados Unidos já começa a pressionar ativos e setores específicos da economia americana. Hipotecas, crédito corporativo e segmentos inteiros da bolsa já sentem os efeitos desse movimento, que não se restringe ao mercado americano, mas se estende de forma global.

    Em entrevista, Juliana Benvenuto, da Avenue, destacou que o cenário atual é resultado de uma combinação de fatores. "Vemos ainda uma economia americana forte e resiliente, os últimos dados divulgados corroboram muito com isso", afirmou.

    Ela também apontou que a g uerra no exterior segue pressionando os preços do petróleo , que voltou a superar os US$ 100 por barril, elevando as expectativas de inflação e levando bancos centrais ao redor do mundo a manterem juros elevados .

    Investidor está exigindo mais retorno nos EUA, diz especialista
    Investidor está exigindo mais retorno nos EUA, diz especialista — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    O setor imobiliário figura entre os mais sensíveis a esse ambiente de juros altos. Segundo Juliana Benvenuto, as taxas de hipoteca nos Estados Unidos já superam 7% ao ano, patamar não observado há mais de um ano.

    "Já observamos uma diminuição no volume de compras, os estoques estão aumentando o tempo que eles ficam disponíveis, esse valor já chegou a 4,9 meses , que é o mais alto em mais de um ano", explicou.

    O cenário pressiona tanto a demanda — com menos pessoas tendo acesso a crédito — quanto a oferta, já que o financiamento para novas construções também ficou mais caro.

    Fed sobe juros nos EUA pela 1ª vez em 3 anos em meio à pressão da guerra
    Fed sobe juros nos EUA pela 1ª vez em 3 anos em meio à pressão da guerra — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Além do setor imobiliário, Juliana Benvenuto destacou que o setor de utilities, por ser muito endividado, também sofre impacto direto com a alta dos juros . As small caps , empresas geralmente mais alavancadas e com dívidas a taxas flutuantes, igualmente sentem o movimento.

    Na renda fixa, os spreads de high yield subiram nos últimos pregões, saindo de cerca de 2,60% para mais de 3% frente aos títulos do governo americano , evidenciando o estresse nas empresas desse segmento.

    Ao analisar o comportamento da bolsa americana, Juliana Benvenuto ponderou que o índice S&P 500 segue próximo das máximas históricas, mas esse desempenho é sustentado, em grande parte, pelas empresas de tecnologia.

    Construção civil vê juros e fiscal como travas para investimento no Brasil
    Construção civil vê juros e fiscal como travas para investimento no Brasil — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    "Quando você pega o índice de peso igual, que aí você coloca todas as 500 empresas com o mesmo nível, você já vê que a gente não está nem próximo das máximas", disse. Ela ressaltou que empresas de outros setores já não performam tão bem, embora não apareçam com destaque no noticiário diário.

    No que diz respeito ao mercado de trabalho, Juliana Benvenuto observou que ele ainda não sentiu os efeitos mais duros do aperto monetário. "Vivemos aquele famoso low hire, low fire — poucas empresas contratando, poucas empresas demitindo", disse.

    No entanto, ela alertou que, em um cenário de juros altos por período prolongado, as empresas poderiam ser levadas a cortar investimentos e, eventualmente, reduzir quadros de funcionários como forma de controlar custos.

    Investidor está exigindo mais retorno nos EUA, diz especialista
    Investidor está exigindo mais retorno nos EUA, diz especialista — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Juliana Benvenuto também chamou atenção para o dado do ISM Industrial divulgado no dia da entrevista, que veio abaixo do esperado e mostrou pressão nos preços para a indústria .

    Para ela, esse resultado coloca o Fed em um dilema : ao mesmo tempo em que a inflação pode seguir pressionada para cima, há indícios de possível desaceleração econômica.

    Fed sobe juros nos EUA pela 1ª vez em 3 anos em meio à pressão da guerra
    Fed sobe juros nos EUA pela 1ª vez em 3 anos em meio à pressão da guerra — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil
    Construção civil vê juros e fiscal como travas para investimento no Brasil
    Construção civil vê juros e fiscal como travas para investimento no Brasil — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/macroeconomia/credito-caro-nos-eua-pressiona-demanda-e-oferta-diz-especialista/.

    Imagem 1
    1 / 6

    Investidor está exigindo mais retorno nos EUA, diz especialista — Foto: CNN Brasil

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)