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    Cratera de Colônia: estudo da USP encontra evidências de que bairro de SP cresceu dentro de área atingida por asteroide

    Bairro Vargem Grande se desenvolveu na área da cratera de Colônia Ricardo Reichhardt/TV Globo Uma descoberta feita por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto de Pesquisas Ambientais trouxe novas evidências de que a origem da Cratera de Colônia, em Parelheiros, na Zona Sul da capital paulista, ocorreu devido à colisão de um asteroide com a Terra. 🔍A Cratera de Colônia é uma depressão circular de 3,6 quilômetros de diâmetro descoberta nos anos 1960 por imagens aéreas. A formação, situada em uma área de patrimônio ambiental, foi tombada pelo Condephaat em 2003 e declarad

    G1
    7 de agosto de 2026 às 19:50
    Cratera de Colônia: estudo da USP encontra evidências de que bairro de SP cresceu dentro de área atingida por asteroide
    Foto: G1

    Bairro Vargem Grande se desenvolveu na área da cratera de Colônia — Foto: Ricardo Reichhardt/TV Globo

    Uma descoberta feita por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto de Pesquisas Ambientais trouxe novas evidências de que a origem da Cratera de Colônia, em Parelheiros, na Zona Sul da capital paulista, ocorreu devido à colisão de um asteroide com a Terra.

    🔍A Cratera de Colônia é uma depressão circular de 3,6 quilômetros de diâmetro descoberta nos anos 1960 por imagens aéreas. A formação, situada em uma área de patrimônio ambiental, foi tombada pelo Condephaat em 2003 e declarada Monumento Geológico em 2009. Até então não se sabia se o corpo celeste era meteoro, cometa ou asteroide. O g1 es teve na cratera em 2024, conversou com moradores e percorreu as ruas do bairro (veja abaixo).

    Bairro de SP cresceu em cratera formada pelo impacto de corpo celeste há milhares de anos
    Bairro de SP cresceu em cratera formada pelo impacto de corpo celeste há milhares de anos — Foto: G1 · Fonte: G1

    Pela primeira vez, grãos de zircão, um mineral muito resistente, capaz de preservar marcas de eventos extremos, foram identificados com sinais de metamorfismo de choque, um tipo de deformação causada por pressões muito altas, compatíveis com o impacto de um asteroide. O resultado reforça que a formação geológica foi causada pela queda de um corpo extraterrestre.

    O estudo foi publicado em abril na revista científica Earth and Planetary Science e divulgado pelo Jornal da USP na quinta-feira (7). O artigo é assinado por Victor Velázquez Fernandez, José Maria Azevedo Sobrinho, Rodrigo Ferreira Lucena, Alethéa Ernandes Martins Sallun e William Sallun Filho.

    Victor Velázquez Fernandez e Rodrigo Ferreira Lucena são da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP. José Maria Azevedo Sobrinho, Alethéa Ernandes Martins Sallun e William Sallun Filho, do Instituto de Pesquisas Ambientais.

    Zircão é normalmente encontrado em formato de cristais ou grãos irregulares — Foto: Reprodução/Geociências USP

    Os cientistas analisaram amostras retiradas da cratera e identificaram, em cristais de zircão, alterações minúsculas na estrutura do mineral, visíveis apenas com técnicas de microscopia.

    Ao Jornal da USP , Victor Velázquez Fernandez, docente da EACH da USP e autor do artigo, disse que as coletas em diferentes níveis de profundidade foram feitas durante três sondagens realizadas dentro da cratera pela Sabesp, que buscava obter água para abastecer a comunidade local por meio de um poço artesiano.

    Na análise das amostras, os cientistas separaram 40 grãos do cristal, cada um com cerca de 50 micrômetros de comprimento, o equivalente a 0,05 milímetros.

    Essas estruturas são importantes porque funcionam como registros de eventos geológicos extremos. No caso da Cratera de Colônia, elas indicam que os minerais foram submetidos a pressões e temperaturas muito elevadas, em um processo compatível com um impacto.

    O chamado metamorfismo de choque acontece quando uma rocha ou mineral sofre uma pressão súbita e muito intensa, como a provocada pela colisão de um asteroide com a Terra. Esse processo altera a estrutura interna dos minerais e deixa marcas microscópicas.

    Ainda de acordo com Velázquez, uma das espécies de deformação de impacto encontradas nos grãos foi a planar deformation features (PDFs), pequenas linhas com cerca de um micrômetro de largura que atravessam o interior dos minerais em diferentes direções, como resultado da propagação de ondas de choque.

    “Os PDFs são praticamente uma impressão digital de que houve impactos de asteroides para a formação de crateras na superfície da crosta terrestre”, afirmou o pesquisador ao Jornal da USP.

    magem óptica de cristal de zircão exibindo padrões complexos de deformação, incluindo PDF, zoneamento de crescimento perturbado (GZD), textura metamítica (MET), desorientação cristalográfica (CM), textura granular (GT) e extinção ondulante (UE) — Foto: Reprodução/ Artigo Earth and Planetary Science

    Os pesquisadores trabalharam com 200 lâminas delgadas, que são fatias muito finas de rocha preparadas para observação em microscópio. A partir desse material, selecionaram 40 grãos de zircão com mais de 50 micrômetros para análise detalhada com luz polarizada em alta resolução.

    O estudo mostrou que os cristais apresentavam diferentes tipos de deformação, como:

    recristalização, quando a estrutura interna do mineral se reorganiza; desorientação cristalográfica, que é uma mudança na orientação das partes internas do cristal; perturbação das zonas de crescimento, isto é, alteração nas camadas formadas durante o crescimento do mineral; feições planares de deformação (PDFs); texturas granulares, ligadas à fragmentação e reorganização interna do cristal.

    Na prática, essas marcas ajudam os cientistas a reconstruir o que aconteceu com os minerais após o impacto.

    O zircão é um dos minerais mais usados em estudos geológicos porque resiste bem à ação do tempo, ao calor e a alterações químicas. Por isso, consegue preservar sinais de eventos muito antigos mesmo quando outras evidências já desapareceram.

    Segundo o artigo, isso faz do zircão um material importante para investigar crateras antigas ou muito desgastadas, nas quais sinais mais visíveis do impacto podem ter sido apagados pelo intemperismo ou por outras transformações geológicas.

    Cerca de 60 mil pessoas moram na Cratera de Colônia, no bairro Vargem Grande, em SP — Foto: Ricardo Reichhardt/TV Globo

    A Cratera de Colônia já era apontada em estudos anteriores como uma estrutura de impacto. O novo trabalho, porém, acrescenta uma evidência mineralógica direta e detalhada a essa interpretação.

    Além dos zircões deformados, o artigo menciona que pesquisas anteriores já haviam encontrado outros sinais associados a impacto, como deformações em quartzo e mica, além de esférulas e rochas relacionadas ao evento.

    Com o novo resultado, os autores afirmam que o conjunto de evidências afasta explicações alternativas, como deformação tectônica regional ou metamorfismo comum, e reforça a origem por impacto de asteroide.

    Publicado originalmente por G1. Leia a matéria completa em https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/08/07/cratera-de-colonia-estudo-da-usp-encontra-evidencias-de-que-bairro-de-sp-cresceu-dentro-de-area-atingida-por-asteroide.ghtml.

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    Bairro de SP cresceu em cratera formada pelo impacto de corpo celeste há milhares de anos — Foto: G1

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