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    Cracolândia: como a arte é usada por coletivos na abordagem a usuários

    Coletivos como "TTT" e "Pagode na Lata" oferecem aulas de arte, rodas de samba e profissionalização aos adictos como forma de tratamento

    Metrópoles
    16 de agosto de 2026 às 05:15
    Cracolândia: como a arte é usada por coletivos na abordagem a usuários
    Foto: Metrópoles

    O atendimento aos frequentadores da Cracolândia , na região central da capital paulista , não se restringe a equipes do governo do estado e da Prefeitura de São Paulo . Organizações não governamentais e coletivos sem fins lucrativos também atuam na área há anos, oferecendo alternativas de tratamento, lazer e educação. Um dos métodos mais utilizados por esses grupos é a chamada Redução de Danos — estratégia implementada no Brasil na década de 1980, inicialmente em Santos , no litoral paulista , em meio à epidemia de HIV.

    A partir de maio de 2025, no entanto, com o “espalhamento” dos dependentes químicos , essas organizações tiveram que adaptar sua forma de atuação para continuar dando acolhimento a essa população.

    Coletivos como o “Teto, Trampo e Tratamento” (TTT) e o “Pagode na Lata ”, por exemplo, reorganizaram suas frentes e concentraram sua atuação em locais específicos, como os Centros de Atenção Psicossocial (Álcool e Drogas) . Ainda assim, segundo representantes dos grupos, o volume de assistidos diminuiu significativamente.

    Cassio Rothschild
    Cassio Rothschild — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Bateria do "Teto, Trampo e Tratamento" na Praça General Osório

    Dependentes químicos em cruzamento da Rua dos Protestantes com a Rua dos Gusmões, na Cracolândia

    Cracolândia antes, na região onde fica a atual Praça do Triunfo

    Coletivos como "TTT" e "Pagode na Lata" oferecem aulas de arte, rodas de samba e profissionalização aos adictos, como forma de tratamento
    Coletivos como "TTT" e "Pagode na Lata" oferecem aulas de arte, rodas de samba e profissionalização aos adictos, como forma de tratamento — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Estudo identificou beneficiários do Bolsa Família entre frequentadores da cracolândia

    Fluxo da Cracolândia entre a Rua dos Gusmões e dos Protestantes

    Guardas municipais observam movimento de dependentes químicos em cruzamento da Rua dos Protestantes com a Rua dos Gusmões, na Cracolândia

    Cracolândia: como a arte é usada por coletivos na abordagem a usuários - destaque galeria
    Cracolândia: como a arte é usada por coletivos na abordagem a usuários - destaque galeria — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Usuários da Cracolândia se aglomeram ao redor da Estação da Luz, em São Paulo

    Ambos os coletivos apostam em iniciativas de arte e educação como principal forma de criar vínculo com os usuários, oferecendo um ponto de apoio e dignidade. Segundo os ativistas, a política do trabalho é antiproibicionista — ou seja, os usuários não precisam, necessariamente, estar em abstinência total para receber o atendimento.

    O objetivo principal, de acordo com Lydia Gama, advogada e coordenadora do TTT, é fazê-los voltarem a se enxergar como seres humanos e a enxergar outras perspectivas de vida, mesmo que ainda sejam usuários de substâncias.

    Bateria do "Teto, Trampo e Tratamento" na Praça General Osório
    Bateria do "Teto, Trampo e Tratamento" na Praça General Osório — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    “Tudo que falaram para ela [a pessoa que frequentava as cenas de fluxo] é que ela é um zumbi, que está errada… O nosso trabalho não é só fazer com que a sociedade entenda, é fazer com que eles entendam também que são humanos”, diz Lydia. O “Teto, Trampo e Tratamento” oferece, durante a semana, oficinas e encontros para os participantes, abordando temas como Letramento e pensamento crítico e Ritmo e escrevivências. Além disso, o coletivo estimula a educação financeira, através de frentes de trabalho organizadas pela Operação Trabalho (POT) . Em parceria com a prefeitura, o POT disponibiliza vagas com foco em inclusão social e qualificação profissional às pessoas em situação de vulnerabilidade.

    Lydia conta que o que mais conecta os participantes ao TTT é a arte, principalmente os encontros de bateria que, atualmente, acontecem na praça General Osório , nas tardes de segunda a sexta-feira. O estímulo à produção artística, segundo ela, também abre caminhos para a profissionalização. Ao transformar o interesse pela música ou pela arte em uma oportunidade de geração de renda, os participantes encontram meios para se reorganizar e se restabelecer. Ao acessar novos ambientes, eles se distanciam do cenário de vulnerabilidade social e encontram trajetórias mais dignas.

    O “Pagode Na Lata” segue a mesma premissa e, atualmente, é formado por 10 pessoas, sendo seis delas ex-moradores ou frequentadores da Cracolândia. O coletivo, que antes tocava apenas gratuitamente dentro do fluxo, hoje se apresenta em diversos ambientes e serve como fonte de renda aos participantes.

    Bateria do "Teto, Trampo e Tratamento" na Praça General Osório
    Bateria do "Teto, Trampo e Tratamento" na Praça General Osório — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Grupo "Pagode Na Lata" se apresentando no antigo território da Cracolândia

    Leonardo dos Santos, integrante do grupo e ex-orientador socioeducativo do programa De Braços Abertos, diz que o impacto das rodas não se restringe aos músicos fixos. Engloba também, segundo ele, todos aqueles que param para acompanhar o show. O grupo também oferece aos participantes escuta ativa, informações sobre onde encontrar tratamento e momentos de lazer acessíveis, prática essencial dentro da política de Redução de Danos.

    “Por exemplo, quando a gente vai no bar da Nice [ponto de encontro frequente do grupo], a gente também cuida do entorno, porque é naquele momento que as pessoas deixam de usar a substância, nem que seja o mínimo possível, para curtir uma roda de samba”, conta Leonardo “ Tinha um homem que dizia que, em uma hora, usava 80 pedras de crack. Se ele está há uma hora, duas horas em uma roda de samba, ele deixou de usar 160 pedras” , afirma.

    Bateria do "Teto, Trampo e Tratamento" na Praça General Osório
    Bateria do "Teto, Trampo e Tratamento" na Praça General Osório — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
    Bateria do "Teto, Trampo e Tratamento" na Praça General Osório
    Bateria do "Teto, Trampo e Tratamento" na Praça General Osório — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
    Dependentes químicos em cruzamento da Rua dos Protestantes com a Rua dos Gusmões, na Cracolândia
    Dependentes químicos em cruzamento da Rua dos Protestantes com a Rua dos Gusmões, na Cracolândia — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
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    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/sao-paulo/cracolandia-como-a-arte-e-usada-por-coletivos-na-abordagem-a-usuarios.

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