Cozinha minimalista do Nomo surpreende ao entregar virtuosismo
Nomo 5 estrelas (ótimo) R. Harmonia, 815, Vila Madalena, região oeste. @nomogamia Leia mais (09/10/2026 - 16h59)

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Nomo 5 estrelas (ótimo) R. Harmonia, 815, Vila Madalena, região oeste. @nomogamia

Quando o cliente entra pela primeira vez no pequeno salão do Nomo, não imagina a cozinha autoral de peso que está prestes a conhecer. O ambiente é elegante, mas não intimidador. Os pratos têm apresentações bonitas, mas singelas. O cardápio é de papel, e pode acontecer de chegar respingado de algum preparo, como aconteceu comigo.
A maior parte dos pratos é feita para colocar no centro da mesa e dividir, conceito que se espalhou pelos restaurantes da cidade, mas que raras vezes resulta numa refeição realmente memorável. No Nomo, a magia acontece.
O primeiro pedido foi a polenta de milho doce (R$ 48). Quando senti vontade de morar dentro do prato, bem embaixo da chuva de pecorino que cobre a polenta, entendi que seria um privilégio poder provar não apenas uma entrada, um principal e uma sobremesa, mas várias criações do chef Nando Carneiro .

Igualmente surpreendente é o prato de repolho e alface (R$ 56). Eles são preparados na brasa e servidos com muhammara, uma pasta de pimentão vermelho típica da culinária do Oriente Médio . Por cima, um condimento egípcio chamado dukkah. Feito na casa, ele leva gergelim, amêndoa, avelã, pistache, sementes de erva-doce e de coentro.
Na textura perfeita e em companhia de coalhada de ovelha, os quiabos tostados (R$ 48) seguem a linha de transformar alimentos triviais em iguarias. Ao ouvir que um dos quatro integrantes da mesa era sensível à pimenta, o garçom avisou que os quiabos eram finalizados com crispy chile oil. Mas a picância se revelou discreta, e o prato foi aprovadíssimo.
Essa parte do cardápio se chama Vegetais Potentes. Sendo ou não vegetariano, dá para ficar só nela e ser muito feliz. Quem parte para as carnes, tem a possibilidade de pedir pratos mais bem servidos, como o flat iron angus (350 gramas; R$ 198) ao molho poivre.

Provamos o porco preto (300 gramas; R$ 110), que à mesa recebe um untuoso molho karashi (mostarda japonesa picante) com vôngoles. Num primeiro momento fiquei na dúvida sobre o papel dos mariscos ali. Mas logo notei que a presença deles rendeu graça e sutileza à receita. A carne, saborosa e ligeiramente malpassada, desmanchava na boca.
Outro pedido foi o cupim casqueirado (200 gramas; R$ 110) com jus e pinoli, finalizado na frente do cliente. Alto, de interior macio e suculento, estava um deleite. Aqui, uma dica preciosa para extrair o máximo que o Nomo pode oferecer: antes de o garçom limpar a mesa, peça o pão de fermentação natural passado na brasa (R$ 18). Por si só, ele é um espetáculo. Raspado naqueles restinhos de molho que acabam sobrando, então…
Para finalizar, creme de pudim e banana com massa filo (R$ 39). Não espere uma sobremesa parruda. Nem supermarcante. A proposta parece ser alcançar o máximo de delicadeza a que um doce pode chegar. Também para aproveitar ao máximo a experiência de um menu pensado para compartilhar, vale ir em grupos maiores. Mas não exagere, o salão é pequeno. Quatro pessoas talvez seja o ideal.

Os textos da crítica não avaliam cartas de bebidas, mas vale comentar que a última edição do especial da Folha O Melhor de São Paulo elegeu Paty Werneck , do Nomo (e do Gnomo, bar aberto mais recentemente na esquina em frente), a sommelière do ano. No restaurante, há boas opções entre R$ 200 e R$ 300 para um jantar que merece a companhia de um bom vinho.
Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://guia.folha.uol.com.br/restaurantes/2026/09/cozinha-minimalista-do-nomo-surpreende-ao-entregar-virtuosismo.shtml.

Creme de pudim e banana com massa filo (R$ 39) do Noma - Priscila Pastre/Folhapress · Priscila Pastre/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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