Cosan reorganiza grupo, troca executivos e anuncia saída da Bolsa de Nova York
A Cosan anunciou nesta sexta-feira (14) uma série de reestruturações na companhia que prevê mudanças na diretoria, a saída da Bolsa de Nova York e uma simplificação acionária no Grupo Radar -subsidiária focada na aquisição e gestão de propriedades rurais. Leia mais (08/14/2026 - 21h36)

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.
A Cosan anunciou nesta sexta-feira (14) uma série de reestruturações na companhia que prevê mudanças na diretoria, a saída da Bolsa de Nova York e uma simplificação acionária no Grupo Radar —subsidiária focada na aquisição e gestão de propriedades rurais.

Em fato relevante ao mercado, a companhia informou as saídas de Rafael Bergman, diretor vice-presidente financeiro e de relações com investidores, e Maria Rita de Carvalho Drummond, vice-presidente jurídica.
Para o cargo de Bergman, foi anunciado José Cezário Menezes de Barros Sobrinho, que exerceu função equivalente na Rumo —empresa de logística ferroviária da Cosan . Já a área jurídica perde o status de diretoria e passa a reportar à Barros Sobrinho.
As mudanças passam a valer em 1° de setembro.

A companhia de Rubens Ometto também convocou uma assembleia extraordinária para alterar o estatuto social e extinguir a Radar II Propriedades Agrícolas S.A., que será encerrada por meio de uma cisão total. Nesse tipo de arranjo, uma empresa transfere a totalidade de seu patrimônio para outras sociedades e deixa de existir.
O patrimônio da Radar II, avaliado em R$ 2,5 bilhões, será dividido praticamente meio a meio entre a Cosan, que detém 50% do negócio, e a Mansilla Participações, únicas acionistas da companhia.
O objetivo com a cisão da Radar II é "otimizar e simplificar a estrutura" do Grupo Radar, eliminando o que foi classificado como um veículo intermediário para reduzir custos envolvidos na gestão dos negócios e permitir que Cosan e Mansilla tenham participação direta no capital social das investidas da Radar II.

De acordo com a Cosan, a incorporação dessa parcela cindida não acarretará aumento de capital, diluição de acionistas ou direito de recesso, que permite ao acionista discordante se retirar da companhia mediante reembolso de suas ações.
A companhia também afirma que a operação é classificada como transação com parte relacionada, já que a Radar II é controlada da Cosan. Não será, no entanto, necessário laudo de avaliação a preço de mercado, um mecanismo exigido na Lei das S.A., pois não existe troca de ações.
Se aprovada, a cisão passa a produzir seus efeitos em 1° de outubro.
Acionista majoritária da Raízen em conjunto com a Shell, a Cosan ainda anunciou que vai deslistar seus ADSs (American Depositary Shares) da Bolsa de Nova York. Esses papéis são recibos negociados na Bolsa americana que representam ações de empresas estrangeiras.
Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes.
Após a conclusão do processo, a Cosan pretende pedir o cancelamento de seu registro na SEC (Securities and Exchange Commission), a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) dos Estados Unidos .
De acordo com a companhia, a deslistagem não afeta imediatamente seu registro na SEC e será divulgado um cronograma sobre o tratamento a ser dado ao programa de ADSs, incluindo alternativas para os detentores dos papéis.
Por fim, a Cosan também passará a fornecer uma projeção para sua métrica de cobertura de juros da dívida, uma métrica que mede a capacidade de uma empresa pagar os juros de suas dívidas com o resultado operacional gerado.
A companhia prevê que o indicador convirja para uma faixa entre 0,8 e 1,2 vez até o final de 2026.
A Cosan registrou prejuízo líquido de R$ 320 milhões no segundo trimestre de 2026, um recuo de 66% em relação ao prejuízo de R$ 946 milhões observado no mesmo período do ano anterior, segundo balanço divulgado nesta sexta.
O resultado reflete o impacto pontual negativo de R$ 233 milhões, referente ao impairment do ativo disponível para venda (TUP Porto São Luís), compensado pelo não reconhecimento contábil do resultado da Raízen, segundo a companhia.
Já a receita operacional líquida foi de R$ 10,8 bilhões.
A dívida líquida expandida do corporativo somou R$ 9,2 bilhões no segundo trimestre, recuo de 47% na comparação com o mesmo período de 2025.
Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!
Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?
Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.
De 2ª a 6ª pela manhã, receba o boletim gratuito com notícias e análises de economia
Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/cosan-reorganiza-grupo-troca-executivos-e-anuncia-saida-da-bolsa-de-nova-york.shtml.

Logotipo da Cosan - Amanda Perobelli - 25.jul.19/Reuters · Amanda Perobelli - 25.jul.19/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo
Compartilhe
Espalhe essa notícia

