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    Corvos reconhecem seu rosto e ensinam outros corvos a te evitar

    Em Seattle (EUA), pesquisadores usaram máscaras para testar a memória dos corvos e descobriram como o alerta se espalha até para aves que nunca foram capturadas O post Corvos reconhecem seu rosto e ensinam outros corvos a te evitar apareceu primeiro em Olhar Digital .

    Olhar Digital
    31 de agosto de 2026 às 20:46
    Corvos reconhecem seu rosto e ensinam outros corvos a te evitar
    Foto: Olhar Digital

    Corvos da espécie Corvus brachyrhynchos memorizam o rosto de uma pessoa específica associada a perigo e passam a hostilizar só ela, mesmo anos depois. Um estudo da Universidade de Washington (EUA) provou isso usando máscaras humanas para capturar e soltar os pássaros.

    O mais intrigante veio na sequência. Corvos que nunca tinham sido capturados também passaram a hostilizar quem usava a mesma máscara , mostrando que a informação sobre um “ rosto perigoso” se espalha pelo grupo.

    O experimento aconteceu em cinco pontos perto de Seattle (EUA), sob comando do biólogo John Marzluff e sua equipe da Universidade de Washington. Em cada local, entre sete e 15 corvos foram capturados com rede.

    Corvos ensinam a seus filhotes qual é o perigo – Imagem: vladimir subbotin/Shutterstock
    Corvos ensinam a seus filhotes qual é o perigo – Imagem: vladimir subbotin/Shutterstock — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Os pássaros recebiam uma anilha de identificação na perna e eram soltos em seguida. Durante a captura, os pesquisadores usavam uma máscara de borracha classificada como “perigosa”. Em outros momentos, sem capturar ninguém, eles caminhavam pelo mesmo território com uma máscara diferente, chamada de “neutra”. Antes da captura, poucos corvos reagiam a qualquer uma das duas.

    Depois, o cenário mudou: os pássaros passaram a gritar e a mergulhar sobre quem usava a máscara perigosa, não importava a roupa, o gênero ou o jeito de andar da pessoa.

    A máscara neutra seguiu sendo ignorada, e o mesmo aconteceu com pesquisadores sem máscara nenhuma. Os resultados saíram em dois artigos da mesma equipe, publicados nos periódicos Animal Behaviour , em 2010, e Proceedings of the Royal Society B , em 2012.

    Corvos voando acima de um prédio
    Corvos voando acima de um prédio — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    O segundo estudo se dedicou justamente a essa questão. Ele mostrou dois caminhos para o alerta se espalhar dentro do grupo.

    O primeiro é vertical: filhotes de corvos que nunca viram nenhuma captura já reagiam à máscara perigosa, aparentemente orientados pelos próprios pais. O segundo é horizontal, entre pássaros da mesma geração.

    Quando um corvo é capturado, outros da vizinhança se aproximam, alarmados pelo grito de socorro característico da espécie. Mesmo sem serem tocados, esses vizinhos parecem associar toda a cena, incluindo o rosto do responsável, ao perigo.

    Rodrigo Mozelli
    Rodrigo Mozelli — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Há uma diferença importante entre os grupos. Corvos que foram de fato capturados distinguem a máscara perigosa da neutra com muito mais precisão do que os que só aprenderam observando a reação alheia.

    Não se trata de um corvo “avisando” o outro em uma conversa literal. O aprendizado acontece porque o comportamento de alarme de um pássaro funciona como pista para os vizinhos, um mecanismo já registrado em outras espécies.

    Na pesquisa original, os cientistas confirmaram que o reconhecimento durou pelo menos 2,7 anos após uma única captura. Relatos posteriores da própria equipe sugerem um efeito ainda mais duradouro.

    Corvos ensinam a seus filhotes qual é o perigo – Imagem: vladimir subbotin/Shutterstock
    Corvos ensinam a seus filhotes qual é o perigo – Imagem: vladimir subbotin/Shutterstock — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Em uma caminhada pelo campus da universidade usando a máscara perigosa, anos depois do experimento, Marzluff foi hostilizado por 47 dos 53 corvos que cruzou pelo caminho. É bem mais pássaros do que os originalmente capturados.

    Isso indica que o grupo carrega e repassa essa informação ao longo do tempo, mesmo trocando de integrantes entre uma geração e outra. A lição prática para quem convive com corvos é direta: incomodar um único pássaro pode render fama ruim com o bando inteiro, por anos, inclusive entre corvos que nunca viram a cena original.

    Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

    Publicado originalmente por Olhar Digital. Leia a matéria completa em https://olhardigital.com.br/2026/08/31/ciencia-e-espaco/corvos-reconhecem-seu-rosto-e-ensinam-outros-corvos-a-te-evitar/.

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    Corvos ensinam a seus filhotes qual é o perigo – Imagem: vladimir subbotin/Shutterstock — Foto: Olhar Digital

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