Cortina de bolhas de ar em leitos aquáticos retém quase 90% dos resíduos flutuantes
Invenção holandesa testada na Amsterdã usa tubos perfurados para empurrar a poluição por plástico até armadilhas de alumínio nas margens

Uma tecnologia holandesa instalada no leito de canais urbanos está modificando o combate ao lixo descartável . O sistema dispara uma parede constante de bolhas de ar a partir do fundo do leito aquático, criando uma barreira física capaz de interceptar os resíduos.
Ao subir até a superfície, o fluxo contínuo direciona garrafas, embalagens e detritos para um coletor localizado na margem. A inovação já consegue reter cerca de 86% do plástico flutuante em cidades da Europa sem interromper a navegação de barcos nem prejudicar a fauna aquática.
Como funciona a barreira de bolhas de ar nos rios

A estrutura baseia-se em um tubo perfurado posicionado na diagonal ao longo do canal. Compressores injetam ar na tubulação, gerando uma cortina ascendente de microbolhas que empurra a poluição aquática para a superfície.
A própria correnteza natural encarrega-se de guiar os materiais até uma armadilha de alumínio . Equipes de limpeza urbana esvaziam o reservatório periodicamente, impedindo que os detritos cheguem aos oceanos .
Diferente das barragens tradicionais com grades rígidas, o mecanismo não bloqueia a passagem de embarcações turísticas e peixes. Testes biológicos comprovaram que organismos aquáticos e espécies juvenis atravessam o fluxo sem sofrer danos.

Após o sucesso operacional nos canais de Amsterdã , o projeto prepara sua primeira instalação em solo americano. O local escolhido foi o Grand River , no estado de Michigan, ponto estratégico que deságua no Lago Michigan .
Estimativas ambientais indicam que o complexo dos Grandes Lagos recebe cerca de 10 mil toneladas de detritos poliméricos anualmente. Autoridades locais acreditam que a engrenagem reduzirá drasticamente a entrada de microplásticos na reserva de água doce.
Além do recolhimento prático de descartáveis, a instalação serve como uma ferramenta de conscientização . Ver a quantidade diária de sujeira coletada alerta a população sobre o consumo desenfreado de plásticos de uso único .

Especialistas destacam que a interceptação nos cursos de água urbanos é a forma mais eficiente de proteger ecossistemas marinhos. Conter a contaminação na origem evita que o material se fragmente em partículas microscópicas nocivas à saúde humana.




Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/curiosidades/cortina-de-bolhas-de-ar-em-leitos-aquaticos-retem-quase-90-dos-residuos-flutuantes/.

Uma barreira de bolhas cria uma linha diagonal de água mais branca no Westerdok, em Amsterdã. A Grande Barreira de Bolhas. • A Grande Barreira de Bolhas. · • A Grande Barreira de Bolhas. — Foto: CNN Brasil
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