Cortar R$ 200 bilhões sem afetar programas é “papo furado”, diz ministro
Ministro diz que ajuste exigiria cortes em programas sociais ou despesas obrigatórias, como aposentadorias e benefícios do INSS

O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, disse ao Metrópoles , nesta terça-feira (13/10), que um corte de R$ 190 bilhões a R$ 200 bilhões nas despesas públicas, como prevê o plano econômico proposto pelo candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), atingiria programas sociais ou despesas obrigatórias, como benefícios previdenciários e assistenciais.
Ao comentar a proposta, Moretti afirmou que não seria possível promover uma redução dessa magnitude sem mexer em despesas que financiam políticas públicas ou em gastos obrigatórios. Para o ministro, dizer o contrário é “papo furado”.
“O orçamento é organizado de tal modo que você não consegue fazer esse corte sem afetar essas despesas. O resto é papo furado”, afirmou.

Segundo Moretti, as despesas discricionárias concentram recursos de programas como Farmácia Popular, Pé-de-Meia e Gás do Povo, além de investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e recursos para conservação de rodovias.
“Trata-se do quê? De fazer desvinculação de benefícios, trata de fazer cortes em benefícios assistenciais, porque um corte desse patamar, quem conhece o orçamento público sabe, só se faz cortando despesas de programas relevantes em despesas discricionárias ou em despesas obrigatórias, salários, benefícios do INSS”, avaliou.
O ministro estima que, mesmo somadas, algumas das principais políticas financiadas com despesas discricionárias chegariam a cerca de R$ 110 bilhões. Dessa forma, para alcançar um corte próximo de R$ 200 bilhões, seria necessário avançar também sobre despesas obrigatórias.

Nesse grupo estão gastos com aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e despesas com pessoal.
“Quando você soma todos esses programas mais conhecidos da população, isso soma, com muito esforço, R$ 110 bilhões, mais ou menos. Então, você ainda tem um universo enorme para chegar a esse valor e aí começa a entrar na despesa obrigatória”, disse.

Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/brasil/cortar-r-200-bilhoes-sem-afetar-programas-e-papo-furado-diz-ministro.

Gabriela Pires/MPO — Foto: Metrópoles
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