Corrupção é tema inglório para Lula e Flávio
Em diferentes momentos antes do início pleno da disputa presidencial, tanto Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ) quanto Flávio Bolsonaro ( PL ) consideraram boa estratégia explorar o tema da corrupção para desgastar o outro. Nesta primeira semana de campanha oficial, porém, os dois principais candidatos ao Planalto têm mais a explicar do que a acusar nessa seara. Leia mais (08/20/2026 - 22h00)

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Em diferentes momentos antes do início pleno da disputa presidencial, tanto Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ) quanto Flávio Bolsonaro ( PL ) consideraram boa estratégia explorar o tema da corrupção para desgastar o outro. Nesta primeira semana de campanha oficial, porém, os dois principais candidatos ao Planalto têm mais a explicar do que a acusar nessa seara.
O constrangimento mais recente vem de novas informações vazadas da Polícia Federal a respeito das atividades de Fábio Luís da Silva , conhecido como Lulinha —o filho do presidente é objeto de inquérito sobre a suspeita de ter tentado usar o nome para fazer avançar negócios no governo.
O caso envolve também o ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Ribeiro, de apelido Marcola. Ele e Lulinha mantinham ligações com uma lobista, Roberta Luchsinger, que, segundo a PF, servia de facilitadora para contatos de Antônio Carlos Camilo Antunes —conhecido como Careca do INSS — no governo federal.

Já Antunes foi indiciado no escândalo dos descontos fraudulentos em pagamentos de aposentadorias. Apurou-se que ele pagou R$ 1,5 milhão a Roberta, e Marcola recebeu dela R$ 249 mil, explicados como empréstimo.
Todos negam irregularidades. Até pela natureza opaca dos vazamentos, é prematuro atribuir culpas. Mas o tempo da política é diferente. Lula declarou publicamente que o filho deve ser investigado como qualquer cidadão e afastou Marcola da campanha.
Mas a necessidade de responder sobre um caso que atinge a família e a antessala presidencial tirou do PT a possibilidade, incerta desde o início, de usar o discurso de moralidade contra Flávio.

O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que falava com mais desenvoltura das condenações de Lula por corrupção, foi atropelado pela revelação de suas relações com Daniel Vorcaro , principal personagem do escândalo do Banco Master , que une cooptação de autoridades nos três Poderes e um desfalque recorde no sistema financeiro.
Em um áudio também vazado, Flávio chama o ex-banqueiro de "meu irmão" e cobra dinheiro para o filme hagiográfico sobre seu pai, hoje preso por tentativa de golpe de Estado. Como se não bastasse, o candidato do PL também tem um histórico nebuloso de suspeitas de apropriação de recursos de seu gabinete parlamentar e ligações com milicianos no Rio de Janeiro .
Felizmente para ele e para Lula, a corrupção não parece ser um tema tão central neste pleito quanto já foi. Segundo o Datafolha , não mais que 9% dos brasileiros a consideram o principal problema do país. Com o acirramento da polarização política, a rejeição a um dos principais postulantes parece ser o motivo mais forte para o voto no outro.
Infelizmente para o país, tal quadro tanto empobrece o debate eleitoral quanto favorece uma apatia institucional diante dos desmandos que se sucedem à esquerda e à direita.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/08/corrupcao-e-tema-inglorio-para-lula-e-flavio.shtml.

Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) - Evaristo Sá e Ricardo Stuckert/AFP e Presidência da República · Evaristo Sá e Ricardo Stuckert/AFP e Presidência da República — Foto: Folha de S.Paulo
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