Corpo em mata, tiro na cabeça e ex preso: o que a polícia já sabe sobre sequestro e assassinato de jovem
O corpo de Gleice de Assis Ferreira, de 22 anos, foi encontrado nesta quarta-feira (7), uma semana após ela ter sido levada à força de dentro de casa, no Conjunto Parque dos Caetés, no Benedito Bentes, em Maceió. A Polícia Civil confirmou que o cadáver estava em uma área privada, próxima a um lixão, e apresentava um ferimento provocado por arma de fogo na cabeça.Gleice faria 23 anos nesta quarta-feira. O corpo estava em avançado estado de decomposição e foi localizado em uma fazenda. Segundo a polícia, as roupas encontradas no cadáver são semelhantes às usadas pela jovem no dia em que desapare

Polícia passou a investigar homicídio qualificado após localizar corpo com marca de tiro
07/10/2026 às 19:20 • Atualizada em 07/10/2026 às 19:41 - há XX semanas
O corpo de Gleice de Assis Ferreira, de 22 anos, foi encontrado nesta quarta-feira (7), uma semana após ela ter sido levada à força de dentro de casa, no Conjunto Parque dos Caetés, no Benedito Bentes, em Maceió. A Polícia Civil confirmou que o cadáver estava em uma área privada, próxima a um lixão, e apresentava um ferimento provocado por arma de fogo na cabeça.

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Gleice faria 23 anos nesta quarta-feira. O corpo estava em avançado estado de decomposição e foi localizado em uma fazenda. Segundo a polícia, as roupas encontradas no cadáver são semelhantes às usadas pela jovem no dia em que desapareceu. Uma tatuagem no braço também foi identificada. A confirmação oficial da identidade, no entanto, ainda será feita pelo Instituto Médico Legal (IML).
A investigação, conduzida pela Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco), começou sendo tratada como sequestro. Com a localização do corpo e os indícios de que Gleice foi executada, a polícia passou a considerar o caso como homicídio qualificado, com ocultação de cadáver.

De acordo com o delegado João Marcello, que participa da investigação, o corpo foi localizado após a polícia receber informações sobre o possível paradeiro da vítima. Buscas já haviam sido realizadas na noite dessa terça-feira (6), mas o cadáver não havia sido encontrado.
Na manhã desta quarta, uma nova equipe retornou à área e conseguiu localizar o corpo. Durante a análise inicial, os policiais identificaram visualmente um orifício provocado por projétil de arma de fogo no crânio.
A polícia ainda não sabe se Gleice foi morta no local onde o corpo foi encontrado ou se foi levada para lá depois de já estar morta. Nenhuma cápsula de munição foi localizada na área.

As investigações apontam que quatro homens encapuzados e armados invadiram o apartamento onde Gleice estava. Segundo os depoimentos colhidos pela polícia, ela teria sido agredida com uma pancada na cabeça e levada desacordada.
Uma testemunha que estava no imóvel no momento do crime conseguiu informar aos investigadores quais roupas Gleice usava quando foi retirada da residência. O pai da jovem também esteve no local onde o corpo foi encontrado e reconheceu as vestimentas e a tatuagem.
Uma pessoa foi presa durante a investigação. Trata-se do ex-companheiro de Gleice, que, segundo a Polícia Civil, negou participação no desaparecimento e na morte.

O delegado afirma, porém, que o homem apresentou contradições em diferentes momentos dos interrogatórios e demonstrou nervosismo durante os depoimentos. Segundo a investigação, também foi possível confirmar que ele fazia ameaças contra Gleice e pessoas ligadas a ela.
A polícia afirma ainda que o suspeito não informou onde o corpo estava e que as declarações dadas por ele foram confrontadas com outros elementos reunidos durante a investigação.
Segundo o delegado, o ex-companheiro de Gleice integraria uma facção criminosa responsável pelo tráfico de drogas na região do Planalto, no Benedito Bentes. Conforme a investigação, ele exerceria uma função conhecida como “disciplina”, relacionada à aplicação de punições a pessoas que descumprem ordens da organização.

A polícia trabalha com a hipótese de que Gleice teria sido alvo da facção após retornar ao Conjunto Parque dos Caetés, localidade próxima ao Planalto, mesmo depois de ter sido orientada a deixar a região.
Segundo os investigadores, Gleice trabalhava em um restaurante e tinha um filho. Até o momento, não há indicação de que ela tivesse envolvimento com o tráfico de drogas. A principal linha investigativa é de que a facção teria se sentido desafiada pelo fato de ela não ter obedecido à ordem para deixar a localidade.
Morte do irmão pode ter relação com o caso

A investigação também apura uma possível relação entre o assassinato de Gleice e a morte do irmão dela, ocorrida no ano passado, no bairro Ouro Preto, em Maceió.
Segundo a Polícia Civil, o irmão teria sido ameaçado pela mesma facção e recebeu uma ordem para deixar a região. Como não teria obedecido, acabou assassinado. Após o homicídio, Gleice também teria sido orientada a deixar a localidade.
A polícia investiga se a permanência da jovem na região e o histórico de ameaças estão relacionados ao sequestro e à morte.

Com a localização do corpo, os investigadores agora tentam identificar os demais envolvidos no crime e esclarecer toda a dinâmica do assassinato, incluindo onde Gleice foi morta e qual teria sido a participação de cada suspeito.
O IML fará a perícia no corpo para confirmar oficialmente a identidade da vítima e determinar outros elementos relacionados à causa da morte.


Publicado originalmente por Gazeta de Alagoas. Leia a matéria completa em https://www.gazetaweb.com/noticias/policia/corpo-em-mata-tiro-na-cabeca-e-ex-preso-o-que-a-policia-ja-sabe-sobre-sequestro-e-assassinato-de-jovem-941066.

Michelle Farias — Foto: Gazeta de Alagoas
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