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    Coreia do Sul muda de posição e propõe aliviar sanções à Coreia do Norte

    Rompendo com décadas de política em relação à Coreia do Norte , o presidente da Coreia do Sul , Lee Jae-myung , agora insta os Estados Unidos a aliviar as sanções contra Pyongyang em troca de um acordo para que o país congele seus programas militares . Leia mais (09/22/2026 - 14h12)

    Folha de S.Paulo
    22 de setembro de 2026 às 17:12
    Coreia do Sul muda de posição e propõe aliviar sanções à Coreia do Norte
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    Rompendo com décadas de política em relação à Coreia do Norte , o presidente da Coreia do Sul , Lee Jae-myung , agora insta os Estados Unidos a aliviar as sanções contra Pyongyang em troca de um acordo para que o país congele seus programas militares .

    O presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, durante um discurso em Paris - Gonzalo Fuentes - 8.set.26/Reuters · Gonzalo Fuentes - 8.set.26/Reuters
    O presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, durante um discurso em Paris - Gonzalo Fuentes - 8.set.26/Reuters · Gonzalo Fuentes - 8.set.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Acredito que há um valor significativo em uma troca entre as sanções —que, de todo modo, não são particularmente eficazes— e a interrupção do desenvolvimento de novas armas nucleares e da tecnologia de mísseis balísticos intercontinentais", disse Lee em entrevista ao The New York Times na sexta-feira (18).

    "Por mais desagradável que o acordo possa parecer, o mundo não tem uma alternativa realista", argumentou Lee. O regime norte-coreano vem exibindo de forma cada vez mais ostensiva seus mísseis nucleares contra o Sul.

    O regime já não é mais o rival isolado que Washington tentou domar por meio de uma combinação de pressão e diálogo, à medida que as guerras na Ucrânia e no Irã alteraram o cenário geopolítico.

    Protestos na Coreia do Sul em favor de presidente preso tentam chamar atenção de Trump
    Protestos na Coreia do Sul em favor de presidente preso tentam chamar atenção de Trump — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Rússia e China voltaram a acolher Pyongyang como parceira estratégica, sobretudo depois que seu líder, Kim Jong-un , enviou tropas e armas para apoiar a invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia . Esse conflito, somado aos ataques dos EUA no Irã , apenas reforçou a determinação do país de ampliar sua capacidade nuclear.

    Ainda assim, Lee acredita que o presidente Donald Trump é o único líder capaz de levar Kim de volta à mesa de negociações. Autoridades sul-coreanas afirmam que Trump representa a melhor oportunidade para o líder norte-coreano assinar um tratado de paz para a Guerra da Coreia , que nunca terminou formalmente, e normalizar as relações com Washington.

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    Kim Jong-un e Donald Trump se reúnem no Vietnã, em 2019
    Kim Jong-un e Donald Trump se reúnem no Vietnã, em 2019 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Alguns analistas alertam que é ingênuo esperar que os dois líderes cheguem a um acordo substancial, mas Lee questionou que opção resta além da diplomacia.

    "Buscar a desnuclearização nas circunstâncias atuais", advertiu Lee, "é a garantia de que nada será alcançado."

    Uma vez assegurado o congelamento, ele pretende construir confiança por meio de incentivos e concessões recíprocos para, no fim, persuadir o Norte a reduzir seu arsenal nuclear. O objetivo final seria criar um ambiente no qual Pyongyang se sinta segura o suficiente para sobreviver sem armas nucleares.

    O presidente russo, Vladimir Putin, conversa com o líder norte-coreano, Kim Jong-un, durante a visita de ambos a Pequim no 80º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial - Agência Central de Notícias da Coreia do Norte - 3.set.25/via Reut
    O presidente russo, Vladimir Putin, conversa com o líder norte-coreano, Kim Jong-un, durante a visita de ambos a Pequim no 80º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial - Agência Central de Notícias da Coreia do Norte - 3.set.25/via Reut — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Nesta semana, Lee visitará Nova York , onde apresentará à ONU sua visão de paz e coexistência na Península Coreana.

    Lee conversou com o Times por cerca de 70 minutos na Casa da Primavera Eterna, um salão de banquetes com telhado de telhas situado no complexo da Casa Azul, sede tradicional da Presidência sul-coreana.

    Seu antecessor, Yoon Suk Yeol , um conservador, transferiu o gabinete presidencial para a sede do Ministério da Defesa antes de decretar lei marcial há dois anos , dando início a um período político turbulento que terminou com seu impeachment e sua prisão .

    Península coreana vive aumento de tensões com disparos do Norte e exercícios militares do Sul
    Península coreana vive aumento de tensões com disparos do Norte e exercícios militares do Sul — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A decisão de Lee de devolver a Presidência à Casa Azul ao tomar posse, há 15 meses, pretendia sinalizar um retorno à normalidade. Durante uma recente cerimônia de formatura universitária, ele posou para selfies com estudantes —um contraste marcante com Yoon, cujos seguranças derrubaram e amordaçaram um estudante manifestante dois anos antes.

    Mas Lee, 61, enfrenta seus próprios problemas. Seus índices de aprovação caíram quase pela metade desde abril, já que muitos sul-coreanos culpam seu governo pela disparada dos preços dos imóveis e por uma recente queda da bolsa de valores.

    Ele também enfrenta uma pressão crescente de Trump , que recentemente o chamou de ingrato por se recusar a apoiar a guerra de Washington contra o Teerã . Durante a entrevista, Lee defendeu sua posição sobre o Irã, dizendo que a Constituição sul-coreana o impedia de enviar tropas para uma guerra já em curso entre países estrangeiros.

    Soldados do Exército dos EUA participam de um exercício conjunto em Yeoncheon, a zona desmilitarizada que separa a Coreia do Sul dos norte-coreanos - Kim Soo-hyeon - 14.mar.26/Reuters · Kim Soo-hyeon - 14.mar.26/Reuters
    Soldados do Exército dos EUA participam de um exercício conjunto em Yeoncheon, a zona desmilitarizada que separa a Coreia do Sul dos norte-coreanos - Kim Soo-hyeon - 14.mar.26/Reuters · Kim Soo-hyeon - 14.mar.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O presidente sul-coreano também busca reduzir as tensões comerciais com Trump. Negociadores sul-coreanos correm para implementar um acordo firmado entre os dois líderes no último outono, pelo qual Seul concordou em investir US$ 350 bilhões (R$ 1,7 trilhão) nos EUA em troca de tarifas mais baixas sobre produtos sul-coreanos .

    Para apaziguar Trump, a Coreia do Sul pode se oferecer para construir uma usina termelétrica a gás no Texas e oito usinas nucleares nos EUA, segundo pessoas a par do assunto.

    Lee insistiu que não se abalou com as críticas de Trump. "Compreendo plenamente que, da perspectiva dele, o presidente republicano possa fazer diversas declarações", afirmou.

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    Lee espera tirar proveito do fascínio persistente de Trump pelo ditador norte-coreano para convencer o líder americano a retomar as negociações paralisadas e reduzir as tensões na Península Coreana.

    Lee espera que o diálogo entre Pyongyang e Washington melhore as relações de seu próprio país com o vizinho do norte, que se deterioraram nos últimos anos. A Coreia do Norte demoliu estradas e ferrovias que antes ligavam as duas Coreias , além de instalar campos minados e outras barreiras ao longo da fronteira, que já era fortemente fortificada.

    Em contrapartida, Pyongyang está se aproximando de Moscou e Pequim . Depois de apoiar a guerra da Rússia na Ucrânia, o regime inaugurou uma ponte em sua fronteira com a Rússia e está prestes a abrir outra com a China.

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    O colapso da comunicação intercoreana eliminou a capacidade dos sul-coreanos de atuar como mediadores entre Kim e Trump, papel que Seul desempenhou ao ajudar a organizar três reuniões de cúpula durante o primeiro mandato de Trump. Esses encontros terminaram sem um acordo sobre a desnuclearização do regime.

    Com o apoio de potências e fortalecido pela retomada do crescimento econômico, Kim já não está tão desesperado por um acordo com Trump e agora dispõe de maior poder de barganha para exigir condições mais favoráveis, segundo analistas.

    Ainda assim, Trump manifestou repetidas vezes o desejo de retomar sua diplomacia pessoal com Kim, muitas vezes vangloriando-se de seu "relacionamento muito bom" .

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    No mês passado, Trump reduziu unilateralmente um importante exercício militar conjunto anual com Seul, classificando-o como "hostil" a Kim. Pyongyang, por sua vez, afirmou que Kim guardava "boas lembranças e sentimentos em relação a Trump" de seus encontros anteriores.

    Lee afirmou que o atual impasse nas relações é simplesmente arriscado demais para continuar, enquanto os norte-coreanos ampliam continuamente seu arsenal nuclear .

    "Nossas estimativas indicam que a Coreia do Norte agora é capaz de produzir, ou talvez já esteja produzindo, de 10 a 20 armas nucleares adicionais por ano", disse Lee. "Quando acreditar que acumulou armas nucleares e mísseis suficientes para garantir sua sobrevivência, ela se sentirá tentada a exportá-los para ganhar dinheiro.

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Esse será um momento verdadeiramente perigoso", afirmou.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/09/coreia-do-sul-muda-de-posicao-e-propoe-aliviar-sancoes-a-coreia-do-norte.shtml.

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    O presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, durante um discurso em Paris - Gonzalo Fuentes - 8.set.26/Reuters · Gonzalo Fuentes - 8.set.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

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