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    Coreia do Sul desafia Trump e diz que não vai enviar tropas ao Irã

    O presidente da Coreia do Sul , Lee Jae-myung , resistiu nesta sexta-feira (18) à pressão do governo Trump, declarando que seu país não enviaria tropas nem recursos militares para apoiar a guerra no Irã liderada pelos Estados Unidos . Leia mais (09/18/2026 - 11h22)

    Folha de S.Paulo
    18 de setembro de 2026 às 14:22
    Coreia do Sul desafia Trump e diz que não vai enviar tropas ao Irã
    Dois homens de terno escuro caminham lado a lado com cabeças inclinadas para baixo. Ao fundo, várias bandeiras dos Estados Unidos e da Coreia do Sul estão alinhadas em um ambiente interno. — Foto: Folha de S.Paulo

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    O presidente da Coreia do Sul , Lee Jae-myung , resistiu nesta sexta-feira (18) à pressão do governo Trump, declarando que seu país não enviaria tropas nem recursos militares para apoiar a guerra no Irã liderada pelos Estados Unidos .

    O presidente dos EUA, Donald Trump (esq.), em encontro com o líder sul-coreano, Lee Jae-myung - Evelyn Hockstein - 29.out.25/Reuters · Evelyn Hockstein - 29.out.25/Reuters
    O presidente dos EUA, Donald Trump (esq.), em encontro com o líder sul-coreano, Lee Jae-myung - Evelyn Hockstein - 29.out.25/Reuters · Evelyn Hockstein - 29.out.25/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Nas últimas semanas, o presidente Donald Trump provocou publicamente o líder sul-coreano, manifestando frustração com o que descreveu como a recusa de Seul em ajudar a defender o estreito de Hormuz —antes a principal rota de trânsito de petróleo do mundo— enquanto tropas americanas continuam estacionadas na Península Coreana para proteger a Coreia do Sul da Coreia do Norte .

    Nesta sexta-feira, Lee rejeitou firmemente qualquer envolvimento militar no conflito do Oriente Médio .

    "Não haverá envio de tropas nem de recursos militares para participar desta guerra ou intervir nela", disse Lee em uma entrevista coletiva.

    EUA e Irã retomam ataques após fim de cessar-fogo
    EUA e Irã retomam ataques após fim de cessar-fogo — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Em vez de um envio para operações de combate, Lee observou que Seul estuda ampliar o alcance operacional de um destróier da marinha sul-coreana e de seus navios de apoio, posicionados ao largo da costa da Somália para operações de combate à pirataria.

    Ele enfatizou que, mesmo que esses meios se aproximem do mar Vermelho ou do estreito de Hormuz, seu único objetivo será proteger petroleiros sul-coreanos e outras embarcações comerciais. Eles não participarão de nenhuma operação que possa ser interpretada como apoio à guerra no Irã, afirmou.

    Embora Trump não tenha especificado o tipo exato de ajuda que espera de Seul, ele reclamou no mês passado que havia pedido a Lee "que nos desse uma mãozinha" no conflito, lembrando-o da presença militar americana na Coreia do Sul.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Ele disse: ‘Não, obrigado’", recordou Trump. "Entendo. Bem, então por que estamos envolvidos em ajudá-los? "

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    Essa não foi a única questão abordada nesta sexta-feira por Lee, que exibia uma expressão sombria. Quinze meses após o início de seu único mandato de cinco anos, seu índice de aprovação caiu para 37%, abalado tanto por problemas que se acumulam internamente quanto pelas tensões com o aliado mais importante da Coreia do Sul, os Estados Unidos.

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    No mês passado, Trump reduziu unilateralmente um dos exercícios militares conjuntos anuais dos Estados Unidos com a Coreia do Sul, classificando as manobras não apenas como caras, mas também como "totalmente inadequadas e hostis" à Coreia do Norte.

    Ele afirmou que, durante todo o período em que esteve no cargo, a Coreia do Norte havia se mostrado "não ameaçadora e respeitosa". Trump também se vangloriou de manter uma "relação muito boa" com o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un , mesmo diante do aumento da ameaça nuclear que o Norte representa para o Sul.

    Internamente, o principal índice da Bolsa sul-coreana —antes elogiado como um dos maiores beneficiários do boom global da inteligência artificial— despencou, devastando as carteiras de milhões de investidores individuais que haviam sido incentivados pelo governo Lee a comprar ações. Lee também não conseguiu cumprir suas reiteradas promessas de conter a alta dos custos de moradia.

    A oposição o acusa de buscar uma emenda constitucional que lhe permitiria concorrer a um segundo mandato, algo expressamente proibido pela Constituição atual. Sua Presidência também continua marcada pela suspensão de processos criminais contra ele por acusações que incluem violação das leis eleitorais e indução ao perjúrio.

    A oposição afirmou que Lee tramava um projeto de lei especial para eliminar essas acusações, que, segundo ele, foram forjadas por seu adversário conservador e antecessor, o ex-presidente Yoon Suk-yeol, destituído após sofrer impeachment .

    Nesta sexta-feira, Lee afirmou que, embora apoiasse uma revisão constitucional que permitisse a futuros presidentes concorrer a um segundo mandato, não tinha intenção de buscar a reeleição. Ele classificou essa possibilidade como "constitucionalmente impossível". A alegação de que poderia disputar um segundo mandato, disse, não passava de uma "ofensiva política" .

    Lee também afirmou apoiar a nomeação, pela Assembleia Nacional, de um promotor especial para investigar se políticos como ele, além de jornalistas, foram alvo de investigações criminais motivadas politicamente durante o governo Yoon. Mas disse não querer que esse promotor especial tenha o poder de retirar as acusações criminais já apresentadas contra ele.

    "Isso se deve às minhas próprias deficiências", disse Lee, referindo-se à queda acentuada de seus índices de aprovação. "Faltaram-me consideração, sensibilidade e comunicação."

    Lee também afirmou que seu governo continuava em negociações "intensas" com Washington sobre como implementar o amplo acordo anunciado pelos dois governos em novembro passado. Pelo pacto, Trump reduziu de 25% para 15% as tarifas sobre importantes produtos sul-coreanos exportados, incluindo automóveis.

    Ele também prometeu apoio dos Estados Unidos aos esforços da Coreia do Sul para desenvolver submarinos de propulsão nuclear e enriquecer urânio para a geração civil de energia nuclear. Em troca, Lee se comprometeu a investir US$ 350 bilhões (R$ 1,8 trilhão) nos Estados Unidos.

    Mas as negociações sobre a implementação do acordo estão paralisadas por divergências quanto aos detalhes, alimentando dúvidas de ambos os lados sobre a disposição do outro de cumprir o prometido.

    Os Estados Unidos lideraram as forças das Nações Unidas que repeliram os invasores norte-coreanos durante a Guerra da Coreia, de 1950 a 1953, lançando as bases de uma aliança que já dura sete décadas.

    As tropas sul-coreanas formaram o maior contingente estrangeiro a combater ao lado das forças americanas na Guerra do Vietnã.

    Ainda assim, atender ao pedido de Trump de ajuda no Irã acarretaria sérios riscos políticos para Lee . Na última vez em que a Coreia do Sul enviou forças para um conflito liderado pelos Estados Unidos —a Guerra do Iraque , iniciada em 2003—, o governo progressista do então presidente Roh Moo-hyun enfrentou uma feroz reação interna, sobretudo de seu próprio partido e de sua base.

    Embora o contingente fosse composto principalmente por unidades de engenharia e médicas, a decisão prejudicou de forma permanente os índices de aprovação de Roh.

    A opinião pública na Coreia do Sul continua contrária à intervenção. Uma pesquisa realizada neste mês mostrou que 55% dos sul-coreanos se opõem ao envio de tropas para o conflito com o Irã, ante apenas 32% favoráveis.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/09/coreia-do-sul-desafia-trump-e-diz-que-nao-vai-enviar-tropas-ao-ira.shtml.

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    O presidente dos EUA, Donald Trump (esq.), em encontro com o líder sul-coreano, Lee Jae-myung - Evelyn Hockstein - 29.out.25/Reuters · Evelyn Hockstein - 29.out.25/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

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