Copom vê atividade econômica mais fraca sob efeito de juros altos e queda da inflação, mostra ata
O Copom (Comitê de Política Monetária) disse ver perda de força da atividade econômica sob efeito de juros altos -a taxa básica (Selic) está fixada em 13,75 ao ano - e queda da inflação , segundo ata divulgada pelo Banco Central nesta terça-feira (22). Leia mais (09/22/2026 - 08h21)

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O Copom (Comitê de Política Monetária) disse ver perda de força da atividade econômica sob efeito de juros altos —a taxa básica (Selic) está fixada em 13,75 ao ano — e queda da inflação , segundo ata divulgada pelo Banco Central nesta terça-feira (22).

No documento, o comitê afirmou que têm se acumulado gradualmente as evidências da transmissão da política de juros sobre a economia.
"A leitura mais recente do PIB [Produto Interno Bruto], referente ao segundo trimestre de 2026, confirmou a desaceleração apontada por outros indicadores e revelou que o movimento foi mais intenso nas atividades econômicas e nos componentes da demanda mais sensíveis ao ciclo econômico", disse.
Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o PIB desacelerou no Brasil no segundo trimestre, com avanço de 0,5% em relação aos três meses anteriores. O resultado veio após alta de 1,1% no primeiro trimestre. O recuo da taxa que mede o consumo das famílias puxou o indicador para baixo.

O Copom disse também que observou a evolução do mercado de crédito bancário com recursos livres, com desaceleração nas linhas de prazos mais longos. "Nota-se, em particular, redução nas modalidades de mais longo prazo, mais sensíveis à política monetária que as modalidades de curto prazo ou emergenciais, mais onerosas", disse.
Em relação ao comportamento da inflação, afirmou que as leituras mais recentes apontam para queda da inflação ao consumidor, tanto no índice cheio quanto na média das medidas subjacentes (que apontam tendência para os preços).
O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) desacelerou para 4,22% no acumulado de 12 meses até agosto , puxado pela queda da conta de luz sob impacto temporário do bônus de Itaipu .

O alvo central do BC é 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. No modelo de meta contínua, em vigor atualmente, o objetivo é considerado descumprido pela autoridade monetária quando a inflação acumulada permanece durante seis meses seguidos fora do intervalo, que vai de 1,5% (piso) a 4,5% (teto).
Apesar de reconhecer um cenário doméstico mais favorável, preservou uma comunicação cautelosa, reforçando que a inflação permanece pressionada pela demanda e que monitora com atenção eventuais efeitos indiretos dos choques de oferta sobre a trajetória de preços.
Reafirmou que acompanhará a evolução do cenário de forma a manter a Selic em patamar restritivo para cumprir seu objetivo de controle da inflação e que é preciso ter "serenidade e cautela" na condução dos juros diante de um contexto de maior incerteza, com expectativas de inflação distantes do alvo e riscos elevados para suas projeções.

Na última quarta (16), o Copom decidiu por unanimidade reduzir pela quinta vez seguida a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano .
Mais uma vez, o colegiado do Banco Central evitou antecipar seus passos seguintes, reforçando a postura "dependente dos dados" adotada pela gestão de Gabriel Galípolo. Isso significa que o Copom evita se comprometer antecipadamente com qualquer movimento futuro e que suas decisões ficam atreladas à evolução dos dados divulgados entre uma reunião e outra.
O Copom voltará a se reunir nos dias 3 e 4 de novembro, quando já será conhecido o resultado das eleições presidenciais.
Assim como no comunicado, o comitê repetiu na ata que, devido aos riscos associados à evolução dos preços, o tamanho total do ciclo de queda de juros será definido "à luz de novas informações" com o objetivo de levar a inflação à meta de 3%.
Desde o início do recuo da Selic, em março, foram cinco cortes consecutivos de mesma intensidade (0,25 ponto), com queda acumulada de 1,25 ponto percentual.
No cenário de referência do Copom, a estimativa de inflação subiu de 5,1% para 5,2% para este ano e de 3,8% para 3,9% para 2027. Devido aos efeitos defasados da política de juros sobre a economia, o BC já tem na mira o primeiro trimestre de 2028. Nesse intervalo, a expectativa se manteve parada em 3,2%.
Esse cálculo foi feito com base na trajetória para a taxa de juros extraída da pesquisa Focus, que projetava a Selic em 13,75% ao ano em 2026, e a taxa de câmbio a R$ 5,15, evoluindo segundo a paridade do poder de compra. O preço do petróleo seguia a curva futura pelos próximos seis meses e passava a aumentar 2% ao ano posteriormente.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/09/copom-ve-atividade-economica-mais-fraca-sob-efeito-de-juros-altos-e-queda-da-inflacao-mostra-ata.shtml.

Sala da reunião ampliada do Copom (Comitê de Política Monetária), na sede do Banco Central, em Brasília - Pedro Ladeira - 24.fev.23/Folhapress · Pedro Ladeira - 24.fev.23/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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