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    Copom não fechou portas para novos cortes, diz Rafaela Vitória

    Economista-chefe do Inter avalia que magnitude dos próximos cortes dependerá dos dados e do cenário fiscal pós-eleição

    CNN Brasil
    17 de setembro de 2026 às 00:32
    Copom não fechou portas para novos cortes, diz Rafaela Vitória
    Foto: CNN Brasil

    O Banco Central anunciou, nesta quarta-feira (16), um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, levando a Selic para 13,75% ao ano.

    Em entrevista ao CNN Money , Rafaela Vitória, economista-chefe do Inter, avaliou que o comunicado divulgado pela autoridade monetária não encerrou a possibilidade de novas reduções nas próximas reuniões.

    De acordo com a especialista, o tom do comunicado, que repetiu em grande parte o documento anterior, sugere que novos cortes permanecem no radar.

    Juros altos e crédito restrito alteram decisões de consumo, dizem CEOs
    Juros altos e crédito restrito alteram decisões de consumo, dizem CEOs — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    "O Banco Central deixa a frase de que a magnitude dessa calibração será definida pelos dados. Então, ela não está definida, ou seja, as portas não se fecharam para novos cortes", afirmou. Para ela, a instituição ainda não sinalizou se optará por uma pausa ou pela continuidade do ciclo de afrouxamento monetário.

    O comunicado também trouxe menção à desaceleração da atividade econômica no Brasil, que Vitória considerou a grande novidade dos últimos meses.

    Ela destacou que o próprio Banco Central divulgou, na mesma data, o indicador de atividade referente ao mês de julho, que registrou resultado negativo de 0,2% .

    Copom aponta que cortes futuros dependerão de dados; leia comunicado
    Copom aponta que cortes futuros dependerão de dados; leia comunicado — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    "A gente começa o PIB do terceiro trimestre no território negativo, existe até uma chance de um PIB negativo no trimestre", disse.

    Segundo ela, a combinação de atividade mais fraca e dados recentes de inflação em desaceleração cria um pano de fundo favorável para um novo corte em novembro, com a projeção do Inter apontando dois cortes e a Selic encerrando o ano em 13,25%.

    Questionada sobre o que poderia frustrar essa perspectiva, Vitória apontou o cenário fiscal após as eleições como o principal risco.

    BC reduz juros a 13,75% e deixa "porta aberta" para novos cortes
    BC reduz juros a 13,75% e deixa "porta aberta" para novos cortes — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    "O grande risco que a gente vê hoje é um risco pós-eleição: o que será anunciado após as eleições do ponto de vista da política fiscal para 2027", afirmou.

    Ela explicou que um programa crível de contenção do crescimento dos gastos tenderia a ancorar as expectativas de inflação e abrir espaço para cortes mais expressivos, enquanto um eventual anúncio de novos estímulos fiscais poderia pressionar o câmbio e a inflação, forçando o Copom (Comitê de Política Monetária) a interromper o ciclo de cortes.

    Sobre o impacto do ambiente externo, Vitória avaliou que a elevação dos juros nos Estados Unidos não representa, necessariamente, um obstáculo imediato para os cortes no Brasil.

    Juros altos e crédito restrito alteram decisões de consumo, dizem CEOs
    Juros altos e crédito restrito alteram decisões de consumo, dizem CEOs — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Segundo ela, o patamar atual da taxa brasileira é suficientemente elevado para preservar o diferencial de juros, mesmo com o aperto monetário americano.

    Ela ponderou, no entanto, que o petróleo mais alto por um período prolongado poderia gerar pressões inflacionárias adicionais via commodities agrícolas e custos de transporte, embora esse impacto tenda a ser transitório.

    "O grande risco do petróleo muito alto por muito tempo é trazer uma recessão global", alertou.

    Copom aponta que cortes futuros dependerão de dados; leia comunicado
    Copom aponta que cortes futuros dependerão de dados; leia comunicado — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Ao comentar sobre o mercado de trabalho, que registrou taxa de desemprego de 5,4% — mínima histórica para o mês —, Vitória explicou que o emprego costuma ser a última variável a reagir a um processo de desaceleração econômica.

    Ela apontou que, na margem, já é possível observar sinais de perda de força, como a redução na geração de vagas formais e a desaceleração do crescimento da renda real média.

    "O emprego ainda está muito robusto, mas a pressão inflacionária nos salários começa também a reduzir", disse, classificando esse movimento como uma boa notícia para o Banco Central.

    BC reduz juros a 13,75% e deixa
    BC reduz juros a 13,75% e deixa — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Sobre a possibilidade de a Selic retornar a um dígito, Vitória disse que o cenário é plausível, mas condicionado à recuperação da confiança na política fiscal.

    Ela lembrou que o Brasil já conviveu com a taxa abaixo de dois dígitos antes da pandemia e que, com uma taxa neutra entre 3% e 4% e inflação na meta, seria possível ter uma Selic próxima de 7%.

    "Para isso, precisamos ter de volta a confiança na política fiscal, principalmente no que diz respeito à expansão desenfreada dos gastos", concluiu.

    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/macroeconomia/copom-nao-fechou-portas-para-novos-cortes-diz-rafaela-vitoria/.

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    Juros altos e crédito restrito alteram decisões de consumo, dizem CEOs — Foto: CNN Brasil

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