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    Contrabando e pirataria causam perda de quase R$ 500 bilhões em 2025, indica levantamento

    O FNCP (Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade) estima que o Brasil teve perdas de quase R$ 500 bilhões no ano passado devido ao mercado ilegal, que inclui produtos piratas e contrabandeados . O valor representa 3,75% do PIB (Produto Interno Bruto), o que coloca o Brasil acima da média regional. Leia mais (08/29/2026 - 13h00)

    Folha de S.Paulo
    29 de agosto de 2026 às 16:00
    Contrabando e pirataria causam perda de quase R$ 500 bilhões em 2025, indica levantamento
    Várias camisas da seleção brasileira de futebol penduradas e empilhadas em uma loja. As camisas são predominantemente amarelas com detalhes verdes, algumas com números e o escudo da CBF. Também há camisas pretas e azuis, além de muitos paco — Foto: Folha de S.Paulo

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    O FNCP (Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade) estima que o Brasil teve perdas de quase R$ 500 bilhões no ano passado devido ao mercado ilegal, que inclui produtos piratas e contrabandeados . O valor representa 3,75% do PIB (Produto Interno Bruto), o que coloca o Brasil acima da média regional.

    Camisas de seleções apreendidas em operação da Polícia Civil, em São Paulo - Polícia Civil de São Paulo · Polícia Civil de São Paulo
    Camisas de seleções apreendidas em operação da Polícia Civil, em São Paulo - Polícia Civil de São Paulo · Polícia Civil de São Paulo — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A Alac (Aliança Latino-Americana Anticontrabando) estima que as atividades representam, em média, 2% do PIB dos países da região. A Alac é formada por empresas , câmaras e governos de 15 países latino-americanos.

    Os dados não levam em consideração outros impactos do mercado ilegal, como na geração de emprego e renda e na diminuição de investimentos que poderiam ser feitos legalmente no país, por exemplo.

    O fórum tem como base um levantamento feito por 15 setores da economia , que calculam perdas de R$ 473,2 bilhões. Deste total, R$ 326,3 bilhões seriam de perdas das cadeias de produção e R$ 146,9 bilhões são provenientes do impacto da sonegação fiscal nas contas públicas.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A pesquisa é feita pelo FNCP desde 2014, quando os dados apontavam uma perda total de R$ 100 bilhões, em valor não corrigido com base na inflação do período. Apesar da tendência de alta, o ritmo de crescimento do valor tem sido menor nos últimos anos. Em 2024, as perdas eram estimadas em R$ 468,3 bilhões e, em 2023, R$ 441,3 bilhões.

    Dos 15 setores, dois respondem por mais de metade do total: vestuário e as bebidas alcoólicas , respectivamente. Completam a lista combustíveis, material esportivo, higiene pessoal, perfumaria e cosméticos, defensivos agrícolas, ouro, TV por assinatura, óculos, cigarros, celulares, filmes, perfumes importados, computadores e brinquedos.

    Para o advogado Edson Vismona, que preside o FNCP e o ETCO (Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial), é possível dizer que o valor supera os R$ 500 bilhões. "Nós acompanhamos 50 setores da economia que são impactados pelo comércio ilegal, mas apenas 15 deles divulgam seus números", diz.

     Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira
    Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Entre os setores que não divulgam números estão o de peças para automóveis motos e aviões, ferramentas, alimentos, próteses, medicamentos e cilindros de oxigênio, por exemplo.

    Série relata como a entrada ilegal de mercadorias afeta o Brasil por meio da perda arrecadação de impostos e do fortalecimento da criminalidade

    Um outro estudo, elaborado pela Ápice (Associação pela Indústria e Comércio Esportivo), aponta que 34% dos artigos consumidos da categoria no ano passado eram falsificados. Eles citam um movimento de 225 milhões de peças no ano, um aumento de 30% em relação a 2023, quando foi feito o levantamento anterior.

    Diferentemente do levantamento do FNCP, que usa dados da indústria, a Ápice fez uma pesquisa com os consumidores, com uma amostragem de 2.000 pessoas, que representam estatisticamente a população brasileira.

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    A entidade estima uma perda de R$ 31,8 bilhões no mercado formal de artigos esportivos e de R$ 7,4 bilhões em impostos que poderiam ser arrecadados. Aponta ainda que, caso os produtos adquiridos não fossem piratas, o setor poderia ter gerado outras 60 mil vagas diretas de trabalho formal, 15 mil a mais do que na pesquisa anterior.

    Diretor-executivo da entidade, Renato Jardim aponta que o consumo de produtos piratas também reduz o investimento em inovação e que os produtos falsificados não seguem os mesmos padrões de tecnologia, desempenho e qualidade do que os originais.

    O principal produto esportivo pirateado é a camisa dos times de futebol. Nesse item, os produtos falsificados representam quase 30% do total. A pesquisa apontou também um crescimento expressivo em outros artigos esportivos, como outras peças de vestuário, tênis, óculos e bonés.

    A pesquisa da Ápice também traz números sobre o aumento da participação do comércio eletrônico na venda de produtos falsificados. De 2023 para 2025, o percentual de produtos piratas que foram adquiridos via internet subiu de 37% para 44%. A entidade acredita que, já em 2026, as vendas online se tornarão a principal forma de escoamento desses produtos.

    O aumento da audiência dos canais digitais, em detrimento das mídias tradicionais é apontado como um dos fatores do avanço das compras de falsificados na internet. Além dos marketplaces, a pesquisa aponta a força do varejo online feito diretamente nas redes sociais.

    O trabalho também mostra um crescimento do consumo de produtos piratas em diferentes perfis de compradores, o que demonstra uma "naturalização" do comportamento.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/contrabando-e-pirataria-causam-perda-de-quase-r-500-bilhoes-em-2025-indica-levantamento.shtml.

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