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    Contra tráfico, portos investem em scanner com IA, drones submarinos e trocam contêineres por pallets

    Diversificação de rotas criminosas na costa brasileira leva autoridades portuárias a adotarem medidas de segurança

    UOL
    26 de agosto de 2026 às 18:00
    Contra tráfico, portos investem em scanner com IA, drones submarinos e trocam contêineres por pallets
    Foto: UOL

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    O avanço das novas rotas do tráfico de drogas pela região costeira do Brasil acende alerta em operadores portuários e leva terminais a investir em inteligência artificial, comprar drones submarinos e até a reduzir o uso de contêineres em remessas de frutas ao exterior. Em vez disso, a orientação é de uso de pallets.

    Trabalhador portuário de Navegantes (SC) acompanha passagem de caminhão por um dos novos scanners adquiridos pelo porto; segundo o terminal, investimento foi de R$ 25 milhões - Divulgação Portonave · Divulgação Portonave
    Trabalhador portuário de Navegantes (SC) acompanha passagem de caminhão por um dos novos scanners adquiridos pelo porto; segundo o terminal, investimento foi de R$ 25 milhões - Divulgação Portonave · Divulgação Portonave — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Sete portos afirmaram à Folha ter tomado medidas para combater a exportação de entorpecentes. As medidas vêm na esteira de mudanças na dinâmica do tráfico internacional diante do aperto na fiscalização do porto de Santos .

    As apreensões de cocaína nos portos brasileiros vêm caindo nos últimos anos, segundo dados do Ministério da Justiça. Em 2021, foram 46 toneladas de cocaína confiscadas em portos, embarcações e rios de todo o país. Em 2025, a quantidade somou 15 toneladas.

    A retração das apreensões pode estar ligada à diversificação de estratégias criminosas, conforme investigadores.

    O que diz o Anuário da Segurança Pública de 2026
    O que diz o Anuário da Segurança Pública de 2026 — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Um dos padrões é de remessas menores, mais difíceis de serem detectadas, em vez de mandar centenas de quilos ou toneladas de droga de uma só vez —neste caso, o prejuízo de uma eventual apreensão seria muito maior. Outra mudança é o uso de outros tipos de embarcação, como pesqueiros e veleiros.

    A Receita Federal disse que não divulga terminais considerados prioritários para a fiscalização. Além de ser uma informação sensível, afirmou, "organizações criminosas podem alterar simultaneamente portos de origem, escalas marítimas, destinos, cargas utilizadas, métodos de ocultação e formas de acesso aos contêineres".

    O porto de Paranaguá (PR), o maior da região Sul, disse que o terminal de contêineres "é o mais visado pelos narcotraficantes", mas que ações adotadas de 2019 a 2025 reduziram em 85% as apreensões no local —entre elas estão o uso de cães farejadores e sistema de monitoramento contínuo.

    Em Santana (AP), câmera de segurança do terminal portuário identificou momento em que canoa se aproxima de um navio para acoplar droga de maneira submersa - Reprodução · Reprodução
    Em Santana (AP), câmera de segurança do terminal portuário identificou momento em que canoa se aproxima de um navio para acoplar droga de maneira submersa - Reprodução · Reprodução — Foto: UOL · Fonte: UOL

    O terminal é uma das rotas mais antigas do tráfico internacional, que hoje avança também por Santa Catarina.

    Foi o que levou o porto de Imbituba (SC) a comprar um drone subaquático para ampliar o monitoramento. Operado remotamente, o equipamento auxilia a PF em buscas ou varreduras nos cascos de navios a fim de identificar potenciais ilícitos ocultos nas áreas submersas das embarcações.

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    Barco chamado DYNA FLORESTA atracado em porto durante a noite, com data e hora no canto superior direito indicando 07/04/2024 00:03:01. Próximo à lateral do barco, há um objeto submerso parcialmente visível na água barrenta, destacado por c
    Barco chamado DYNA FLORESTA atracado em porto durante a noite, com data e hora no canto superior direito indicando 07/04/2024 00:03:01. Próximo à lateral do barco, há um objeto submerso parcialmente visível na água barrenta, destacado por c — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Há vídeos que registram as inspeções. As imagens mostram um cenário de baixa visibilidade e repleto de algas. Quem controla o drone passa com ele por cada ponto considerado vulnerável de um navio.

    Em um dos casos, o terminal constatou que um local havia sido manipulado dias antes porque o aspecto de um parafuso estava mais limpo do que o local no qual ele estava inserido.

    Em abril deste ano, o porto assinou um acordo com a Polícia Federal que "estabelece cooperação direta entre a Superintendência Regional da PF em Santa Catarina e o porto, com foco na atuação do Núcleo Especial de Polícia Marítima". A iniciativa é inédita, dizem autoridades locais.

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    A aposta em novas tecnologias se dá também para o porto de Navegantes (SC). A Portonave, operadora privada do terminal, disse ter comprado dois scanners com recursos de inteligência artificial por cerca de R$ 25 milhões.

    Cada equipamento inspeciona em torno de 120 caminhões por hora. Somado ao aparelho que já existia no local, a capacidade de fiscalização do porto passou a 4.000 caminhões por dia.

    Em Itajaí (SC), a autarquia que administra o terminal afirmou ter adquirido nos últimos anos "veículos operacionais, drones, lanchas de patrulha, armamentos e coletes balísticos" e implementado "sistemas de inteligência dedicados". Outras iniciativas envolvem cursos de mergulho e varredura em cascos de navios.

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    A reportagem apurou que rotas no Norte e no Nordeste preocupam investigadores não só pela menor estrutura dos portos regionais, mas também pelas condições das regiões onde estão instalados —ambas as localidades enfrentam avanço de facções criminosas que disputam territórios entre si.

    No caso de Natal, a autarquia que administra o terminal local disse ter reduzido a exportação de frutas por contêineres. As remessas agora se dão predominantemente por pallets.

    Remessas em contêineres continuam a existir, mas passam por um procedimento de conferência prévia antes de serem despachadas. O novo modelo, segundo o terminal, atendeu às necessidades do setor produtivo e ampliou o controle sobre as cargas que passam pelo porto.

    Em Pernambuco, onde facções também miram a zona aduaneira, o porto de Suape disse acompanhar "com especial atenção" a nova dinâmica do crime organizado , "particularmente diante de ocorrências e movimentações identificadas nos portos do Nordeste".

    O terminal declarou à Folha que mantém um esquema de segurança dividido em quatro pilares: tecnologia, qualificação de pessoal, inteligência e cooperação institucional.

    Não é diferente para Fortaleza. A Companhia Docas do Ceará declarou manter "rigorosos protocolos de controle de acesso, monitoramento e atuação integrada com os órgãos de segurança pública" e vem ampliando investimentos em segurança.

    "Em paralelo", afirmou, "está em andamento a modernização e expansão do sistema de videomonitoramento, que ampliará a cobertura e a capacidade de vigilância das instalações portuárias".

    Já a Codeba, que administra o porto de Salvador , disse que uma das grandes ações recentes está no recém-implementado Centro Integrado de Segurança Pública Portuária no Porto de Aratu-Candeias.

    Segundo o órgão, a novidade servirá ao tanto ao aprimoramento das atividades operacionais quanto da inteligência da Guarda Portuária, além dos demais órgãos que atuam no local e é a primeira do país nesse sentido.

    Especialistas ouvidos pela Folha dizem que a diversificação nas rotas do tráfico não ocorre apenas na origem. Para a pesquisadora Isabella Vianna Pinho, cuja tese de doutorado analisou o mercado transnacional de cocaína, isso vale também para o destino final no exterior. "Antes a droga ia direto para a Europa, mas hoje temos muitas apreensões na África e na própria Ásia", afirma.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/08/contra-trafico-portos-investem-em-scanner-com-ia-drones-submarinos-e-trocam-conteineres-por-pallets.shtml.

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    Trabalhador portuário de Navegantes (SC) acompanha passagem de caminhão por um dos novos scanners adquiridos pelo porto; segundo o terminal, investimento foi de R$ 25 milhões - Divulgação Portonave · Divulgação Portonave — Foto: UOL

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