Brasil

    Contra autocratas sem limites, democracias sem fronteiras

    Nesta terça-feira (15), data em que se celebra o Dia Internacional da Democracia , as razões para comemorar são escassas, pois a qualidade do Estado de Direito vem recuando de forma acelerada em todo o planeta. Leia mais (09/14/2026 - 22h00)

    Folha de S.Paulo
    15 de setembro de 2026 às 01:00
    Contra autocratas sem limites, democracias sem fronteiras
    A imagem mostra uma vista panorâmica da Esplanada dos Ministérios em Brasília, com a bandeira do Brasil em primeiro plano. Ao fundo, destacam-se os edifícios do Congresso Nacional e o Palácio da Alvorada, além de uma ampla área verde e ruas — Foto: Folha de S.Paulo

    Expressa as ideias do autor e defende sua interpretação dos fatos​

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    Imagem aérea feita por drone mostra a praça dos Três Poderes, com destaque para o Congresso Nacional ao centro, o Palácio do Planalto à esquerda e o Supremo Tribunal Federal à direita - Pedro Ladeira - 31.jan.25/Folhapress
    Imagem aérea feita por drone mostra a praça dos Três Poderes, com destaque para o Congresso Nacional ao centro, o Palácio do Planalto à esquerda e o Supremo Tribunal Federal à direita - Pedro Ladeira - 31.jan.25/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Cientista política, é diretora-executiva do Pacto pela Democracia

    Nesta terça-feira (15), data em que se celebra o Dia Internacional da Democracia , as razões para comemorar são escassas, pois a qualidade do Estado de Direito vem recuando de forma acelerada em todo o planeta.

    Segundo o WJP Rule of Law Index , 68% dos países sofreram declínio em 2025, um salto expressivo em relação aos já alarmantes 57% do ano anterior. O relatório do V-Dem , por sua vez, mostra um mundo em que, pela segunda vez consecutiva, há mais autocracias do que democracias , sendo 92 regimes autocráticos contra 87 democráticos. Quase três quartos da população mundial vive sob autocracias, e apenas 7%, em democracias liberais.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    É neste cenário que o Brasil realiza mais um processo eleitoral decisivo para a sua democracia. Internamente, a primeira eleição após a tentativa de golpe bolsonarista impõe à sociedade brasileira a necessidade de reafirmar seu compromisso com o Estado de Direito e o rechaço inequívoco frente a qualquer ensaio de ruptura democrática. Zelar pela integridade do processo, garantir a liberdade do voto e reconhecer plenamente os resultados expressos nas urnas são fatores imprescindíveis para seguirmos cicatrizando as feridas abertas pela intentona recente.

    O pleito de 2026 acontece em um ambiente internacional em que ingerências estrangeiras sobre processos democráticos se tornam mais frequentes. O Brasil já sente os efeitos concretos desse fenômeno, tornando a defesa da soberania nacional um compromisso fundamental para este e os próximos anos.

    A ascensão de autocratas não ameaça apenas as democracias de seus próprios países. Além de se inspirarem mutuamente e compartilharem estratégias, narrativas e recursos, essas lideranças vêm demonstrando crescente disposição para projetar poder para além de suas fronteiras ao interferir em democracias alheias. Para muitos deles, soberanas são somente suas ambições.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Embora ingerências dessa natureza não sejam novidade, há algo novo na escala, velocidade e sofisticação com que ocorrem. Estamos diante de uma transformação estrutural do ambiente democrático internacional. E, se forças antidemocráticas operam de forma transnacional, o campo democrático também vem buscando cruzar fronteiras, compartilhando estratégias para enfrentar processos de autocratização.

    O Brasil tem sido uma referência importante nesse esforço, tendo se tornado um farol de resiliência democrática e uma fonte de inspiração global. Isso não significa, porém, que o caso brasileiro seja exemplar, muito menos que tenhamos logrado um franco triunfo da democracia. Ao contrário: seguimos enfrentando agudas crises democráticas e temos a responsabilidade de transformar o que já aprendemos em capacidade coletiva permanente de reimaginação e resistência, no Brasil e para além dele.

    O Dia Internacional da Democracia talvez nunca tenha sido tão relevante . No Brasil de 2026, a defesa da democracia passa a ser também indissociável da proteção de duas soberanias inseparáveis: a das urnas e a nacional. Para um horizonte democrático, essa deve ser a nossa fronteira.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/09/contra-autocratas-sem-limites-democracias-sem-fronteiras.shtml.

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    Imagem aérea feita por drone mostra a praça dos Três Poderes, com destaque para o Congresso Nacional ao centro, o Palácio do Planalto à esquerda e o Supremo Tribunal Federal à direita - Pedro Ladeira - 31.jan.25/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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