Conter o avanço das bets entre os mais jovens
Segundo o Ministério da Saúde , o número de atendimentos para problemas de saúde mental relacionados a jogos e apostas no SUS subiu 140% de 2018 a 2025 -quando foram registrados 6.157 atendimentos, quase o dobro do ano anterior. Leia mais (09/16/2026 - 22h00)

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Segundo o Ministério da Saúde , o número de atendimentos para problemas de saúde mental relacionados a jogos e apostas no SUS subiu 140% de 2018 a 2025 —quando foram registrados 6.157 atendimentos, quase o dobro do ano anterior.

Ademais, as chamadas bets são "elemento central" no comprometimento da renda das famílias, nas palavras do diretor de Fiscalização do Banco Central , Ailton de Aquino, ao comentar a ata do Comitê de Estabilidade Financeira, divulgada no início deste mês.
Dados tais impactos, o Estado tem o dever de aplicar restrições para coibir as apostas online, da mesma forma como já se dá com bebidas alcoólicas e tabaco —entre as medidas preconizadas pela OMS , estão a alta tributação e a proibição de propagandas e do acesso a menores de idade.
Em relação à prática de apostas entre os mais jovens, são preocupantes os resultados da pesquisa recente da Frente Parlamentar Mista de Educação , realizada em parceria com o Equidade.info.

De acordo com o estudo feito em escolas de todo o país, 9,5% dos alunos de 11 anos afirmam já ter apostado. A taxa sobe para 32,3% aos 17 anos e 40,1% aos 18 anos ou mais. Nos anos finais do fundamental, a média é de 16,2%; no ensino médio, 27,3%.
O nível socioeconômico mais alto está associado a maior probabilidade de apostar, mas a escolaridade dos pais pode reduzir esse risco. O estudo aponta como particularmente vulneráveis os alunos de escolas públicas, de domicílios com mais bens, mas cujos pais não têm ensino superior.
A lei de 2023 proíbe o acesso a bets a menores de 18 anos, determina que as plataformas adotem procedimentos de verificação de idade e exige tecnologia de identificação e reconhecimento facial. Os dados sugerem que os alunos estejam usando sites clandestinos ou se valendo de dispositivos para burlar as regras.

Além do incremento da educação midiática e financeira nas escolas, o SUS, que recentemente expandiu os serviços de apoio a dependentes de apostas, deve dar maior atenção ao atendimento a crianças e adolescentes.
É preciso elevar a tributação. A soma de todos os impostos incidentes sobre a atividade não ultrapassa 35%, enquanto a carga total sobre cigarros e bebidas destiladas supera 70%.
Em relação à publicidade, a proibição ou restrições ainda mais severas do que as implementadas pelo Ministério da Fazenda em julho são medidas necessárias. O Brasil precisa avançar na contenção dos efeitos das bets, principalmente para proteger os estratos mais vulneráveis.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/09/conter-o-avanco-das-bets-entre-os-mais-jovens.shtml.

Jovem menor de idade acessa sites de apostas em celular - Pedro Ladeira/Folhapress · Pedro Ladeira/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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