Conta para crianças ajuda a ensinar a lidar com dinheiro, mas não substitui educação financeira; veja opções
No Dia da Crianças , pais podem aproveitar a data para dar aos filhos o primeiro contato com uma conta bancária. Bancos oferecem produtos para menores de idade com recursos como Pix , cartão de débito, mesada programada e investimentos , mas as condições de uso variam entre as instituições. Leia mais (10/11/2026 - 23h00)

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No Dia da Crianças , pais podem aproveitar a data para dar aos filhos o primeiro contato com uma conta bancária. Bancos oferecem produtos para menores de idade com recursos como Pix , cartão de débito, mesada programada e investimentos , mas as condições de uso variam entre as instituições.

As contas costumam ser abertas pelo pai ou pela mãe, pelo aplicativo do banco, e ficam vinculadas ao responsável. Em geral, não há tarifas de abertura ou manutenção. Os pais podem acompanhar saldo e extrato, receber notificações de movimentações e definir limites. As contas também permitem programar mesadas e separar dinheiro para objetivos.
Na maioria dos casos, não há cheque especial nem cartão de crédito, o que limita os gastos ao saldo disponível.
Há tarifas? Não há taxa de manuteção; os quatro primeiros saques são gratuitos, custando R$ 6,40 por operação a partir do quinto.

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Reinaldo Domingos, presidente da DSOP Educação Financeira, diz que é preciso não confundir a ferramenta com a educação financeira em si. Segundo ele, os recursos da conta podem apoiar o aprendizado ao permitir que a criança vivencie situações de escolha, planejamento, consumo e organização do dinheiro.
"Se os pais simplesmente colocam dinheiro na conta e deixam a criança gastar, estamos diante de uma experiência de consumo", afirma.

Para Domingos, não há idade universal para abrir uma conta. A decisão depende da maturidade da criança e da capacidade de compreender o dinheiro e as consequências das próprias escolhas. A educação financeira, porém, pode começar por volta dos três anos, quando o pequeno passa a perceber o uso do dinheiro pelos adultos e manifesta desejos de consumo.
O planejador financeiro Diego Endrigo, CFP pela Planejar, diz que a demanda por orientação sobre dinheiro costuma surgir por volta dos nove ou dez anos, quando as crianças passam a ter acesso a cartões adicionais ou contas pré-pagas, como as usadas na cantina da escola.
A participação dos pais é fundamental, sobretudo no início, diz Domingos. Acompanhar os gastos, conversar sobre escolhas e estabelecer combinados ajuda a criança a entender como usar o dinheiro. O controle excessivo, porém, pode impedir o desenvolvimento da autonomia.
Se a criança gasta toda a mesada e fica sem dinheiro para outro desejo, a experiência pode servir de aprendizado. Cabe aos pais ajudá-la a entender o que aconteceu, em vez de simplesmente impedir o gasto, afirma o especialista.
Endrigo diz que o dinheiro também pode ser apresentado como resultado do tempo dedicado ao trabalho, ou seja, cada compra consome uma parte dos recursos acumulados com esse esforço.
Endrigo diz que prefere a mesada fixa, que dá previsibilidade à criança e ensina a importância de guardar parte do dinheiro para o mês seguinte. Outra opção, segundo ele, é combinar um valor fixo com uma parcela variável, vinculada a tarefas em casa ou na escola.
Um caminho é dividir os investimentos da criança em três objetivos: reserva de emergência , construção de patrimônio e planejamento de longo prazo, segundo o especialista.
Para a reserva de emergência, ele indica o Tesouro Selic , título público com liquidez diária. Para objetivos de médio prazo, sugere o Tesouro Prefixado, que permite fixar uma taxa de juros até o vencimento, mas pode sofrer oscilações de preço se vendido antecipadamente.
Já para o longo prazo, como a aposentadoria, recomenda o Tesouro IPCA+, que rende a inflação do período mais uma taxa prefixada.
Domingos afirma que o exemplo dos pais é fundamental para a educação financeira. Não adianta falar sobre planejamento e consumo consciente se a criança observa em casa gastos sem limites.
Endrigo alerta ainda que pais que tratam o dinheiro apenas como algo a ser guardado, sem ensinar como usá-lo, podem transmitir aos filhos uma relação excessivamente restritiva com os gastos. A família deve ensinar a usar o dinheiro de forma consciente, equilibrando a preservação do patrimônio com a realização de desejos e planos.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/10/conta-para-criancas-ajuda-a-ensinar-a-lidar-com-dinheiro-mas-nao-substitui-educacao-financeira-veja-opcoes.shtml.

Crianças podem aprender a lidar com o dinheiro desde cedo, com orientação dos pais sobre gastos, planejamento e poupança - Catarina Pignato /Folhapress · Catarina Pignato /Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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