Economia

    Consultores de investimentos crescem mais de 20% ao ano e mercado muda de perfil

    Consultorias mais do que dobraram em três anos e meio, saindo de 251 em 2022 para cerca de 549 registros ativos em julho de 2026 (Foto: Pexels) " data-image-caption=" Consultorias mais do que dobraram em três anos e meio, saindo de 251 em 2022 para cerca de 549 registros ativos em julho de 2026 (Foto: Pexels) " data-large-file="https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2026/08/pexels-silverkblack-30535786.jpg?fit=1280%2C675&quality=70&strip=all" />Consultoria de investimentos cresce acima de 20% ao ano desde 2023 e ganha espaço no Brasil. Maior transparência e avanço do modelo fee-based

    InfoMoney
    19 de agosto de 2026 às 17:00
    Consultores de investimentos crescem mais de 20% ao ano e mercado muda de perfil
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    Consultorias mais do que dobraram em três anos e meio, saindo de 251 em 2022 para cerca de 549 registros ativos em julho de 2026 (Foto: Pexels)

    A consultoria de valores mobiliários entrou em uma fase de expansão no Brasil. O país chegou a 2.433 consultores pessoa física em funcionamento normal em julho de 2026, enquanto o estoque da categoria cresce entre 22% e 27% ao ano desde 2023.

    O avanço ocorre em meio à maior transparência sobre remuneração e à expansão dos modelos de cobrança por taxa, o chamado fee-based .

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    A consultoria passou cerca de três décadas como um segmento relativamente pequeno e só ultrapassou a marca de 1.000 registros em 2022.

    Desde então, o número de entradas aumentou ano após ano. Foram 311 novos consultores em 2022, 391 em 2023, 524 em 2024 e um recorde de 663 em 2025.

    O ritmo permanece elevado em 2026. Até 15 de julho, 403 novos registros haviam sido contabilizados, diante de 102 cancelamentos. O saldo líquido no período chegou, portanto, a 301 profissionais.

    Consultorias mais do que dobraram em três anos e meio, saindo de 251 em 2022 para cerca de 549 registros ativos em julho de 2026 (Foto: Pexels)
    Consultorias mais do que dobraram em três anos e meio, saindo de 251 em 2022 para cerca de 549 registros ativos em julho de 2026 (Foto: Pexels) — Foto: InfoMoney · Fonte: InfoMoney

    Os dados fazem parte de um levantamento realizado por Francisco Amarante, superintendente da Associação Brasileira dos Assessores de Investimentos (ABAI), a partir dos cadastros públicos de participantes regulados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

    Para Amarante, o movimento reflete também mudanças no perfil de quem investe.

    “À medida que o mercado de capitais cresce e os investidores se tornam mais sofisticados, aumenta também a demanda por diferentes modelos de relacionamento e remuneração”, afirma.

    Segundo ele, assessoria e consultoria têm propostas regulatórias e comerciais distintas, e o avanço de uma atividade não significa necessariamente a substituição da outra.

    A expansão aparece também entre as pessoas jurídicas. As consultorias mais do que dobraram em três anos e meio, saindo de 251 em 2022 para cerca de 549 registros ativos em julho de 2026.

    Em 2024, o saldo líquido das empresas foi positivo em 89 registros. Em 2025, chegou a 108, recorde da série. Até meados de julho de 2026, foram 88 entradas e 37 cancelamentos, deixando saldo positivo de 51.

    Apesar da velocidade de crescimento, a diferença de escala em relação à assessoria continua grande. São 26.092 assessores PF em funcionamento normal, ante 2.433 consultores. A relação é de aproximadamente 11 assessores para cada consultor.

    “O estoque de consultores pessoa física vem crescendo entre 22% e 27% desde 2023, e o número de consultorias pessoa jurídica mais do que dobrou desde 2022. É, sem dúvida, um dos movimentos mais relevantes do atual momento do mercado”, diz Amarante.

    Ele ressalva, porém, que a consultoria “cresce, mas vem de uma base baixa de profissionais”.

    O avanço ocorre em meio à maior discussão sobre os modelos de remuneração no mercado de investimentos. Na consultoria, a remuneração típica é o fee , uma taxa paga diretamente pelo cliente pelo serviço de aconselhamento.

    O consultor também tem atribuições diferentes das do assessor. Pela regulação, presta orientação, recomendação e aconselhamento de forma independente e individualizada.

    Já o assessor atua como preposto de intermediários e distribui produtos disponibilizados pelas instituições às quais está vinculado.

    A Resolução CVM 179 colocou a transparência sobre remuneração no centro da relação entre investidores, intermediários e profissionais. Para Amarante, a mudança ajuda a explicar por que diferentes formas de atendimento passaram a receber mais atenção.

    “A transparência sobre remuneração e o avanço do fee-based são, sim, fatores relevantes para explicar a expansão da consultoria”, avalia.

    “Mas eles fazem parte de uma transformação mais ampla: o amadurecimento do mercado brasileiro e a diversificação das formas de relacionamento entre investidores e profissionais de investimentos”, prossegue.

    O comportamento é compatível com a hipótese de migração de parte dos profissionais entre os dois modelos.

    A base pública, porém, não permite acompanhar individualmente os registros e, portanto, não comprova que o avanço da consultoria decorra diretamente da saída de assessores.

    “Isso é compatível com a hipótese de que parte dos profissionais esteja avaliando ou realizando uma migração entre os dois modelos, especialmente diante do crescimento do fee-based e das novas possibilidades de atuação no mercado”, analisa Amarante.

    O superintendente ressalta, porém, que o crescimento da consultoria não precisa ocorrer em detrimento da assessoria.

    “Há espaço para o crescimento da assessoria, da consultoria e de outros modelos que ampliem o acesso do investidor brasileiro a orientação financeira qualificada.”

    Para o investidor, a expansão amplia as alternativas de relacionamento, mas também exige atenção às diferenças entre os serviços. Pela regulação brasileira, um mesmo profissional não pode exercer simultaneamente as atividades de assessor e consultor.

    “O mais importante é que o investidor compreenda claramente as diferenças entre os modelos: quem está contratando, como o profissional é remunerado, quais são os vínculos existentes e qual serviço está sendo prestado”, finaliza Amarante.

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