Construtora havia sido multada em R$ 119 mil por prédio que desabou em SP
Prédio de 12 andares que estava em construção desabou durante a madrugada de sábado (12/9) e caiu sobre imóveis vizinhos na zona leste

A construção do prédio que desabou na madrugada do úlitmo sábado (12/9) , na zona leste de São Paulo , já acumulava um histórico de irregularidades antes do acidente. Em 2021, a empresa responsável pela obra recebeu uma multa de R$ 119 mil , segundo o prefeito Ricardo Nunes (MDB). O valor fazia parte de uma série de autuações aplicadas pelo município ao longo dos anos.
Os problemas começaram ainda em 2019, quando a Prefeitura identificou que a construção avançava sem alvará. Naquele momento, segundo Nunes, o município autuou e interditou a obra. Mesmo com a medida, porém, os trabalhos continuaram, de acordo com Nunes.
A situação chegou à Justiça em 2021. Diante da continuidade da construção, a Procuradoria-Geral do Município ( PGM ) entrou com uma ação para tentar interromper os trabalhos. Foi ai que novas multas foram aplicadas à empresa, incluindo a de R$ 119 mil citada pelo prefeito.

O caso voltou a ter um novo capítulo em 2024. Segundo Nunes, em um novo processo, a Prefeitura condicionou a autorização para uma nova edificação à demolição da estrutura que já existia no terreno. A ideia era que, somente depois de retirar a construção anterior, uma nova obra pudesse ser feita no local dentro dos parâmetros previstos na legislação.
Embora a Prefeitura sustente que a demolição não foi realizada, um documento assinado em 22 de fevereiro de 2024 por uma servidora da Subprefeitura da Penha registrou que, conforme o entendimento técnico descrito no relatório, a demolição havia sido feita “em sua integralidade” e que uma nova edificação estava em andamento.
O desabamento ocorreu na Rua Tequici e deixou duas mulheres mortas, uma delas grávida. Outras duas pessoas — um homem de cerca de 30 anos e uma criança de 7 anos — foram resgatadas com vida e encaminhadas para atendimento médico. Até o início da tarde, outras quatro pessoas permaneciam soterradas nos escombros: uma criança, um casal e outra mulher.

Imagem de 2024 do prédio que desabou na Penha
Mais de 10 pessoas moravam na residência atingida pelo prédio
Criança é resgatada com vida após desabamento na zona leste de SP

Prédio desabou na madrugada deste sábado (12/9)
Herbert Chino, pai de 2 crianças que estavam em casa afetada por desabamento
Prefeito de SP visita local do desabamento

Corpo de Bombeiros confirmou 2 mortes, incluindo uma mulher grávida. Outras 2 pessoas foram resgatadas com vida e quatro seguem soterradas
O procurador-geral do município, Daniel Falcão, pediu o afastamento por pelo menos 30 dias da servidora da Subprefeitura da Penha que assinou o documento sobre a demolição da estrutura que existia no terreno onde o prédio desabou. A medida foi solicitada para evitar que a funcionária permaneça no cargo enquanto a Prefeitura apura as circunstâncias em que o documento foi elaborado.
Após o desabamento, a Prefeitura constatou que a demolição não teria ocorrido. A divergência levou a Controladoria-Geral do Município (CGM) a abrir uma investigação para verificar o que aconteceu e qual foi a atuação da servidora.

Segundo Falcão, o afastamento é necessário para que a funcionária não permaneça no cargo durante a apuração e não atrapalhe o andamento da investigação interna. Polícia busca responsáveis pela obra.
A Polícia Civil está à procura dos responsáveis pela construção do prédio de 12 andares que desabou sobre imóveis vizinhos, na Rua Tequici, na Penha, zona leste de São Paulo, na madrugada deste sábado. Segundo a Secretaria da Segurança Pública ( SSP ), os policiais realizam diligências para localizar e prender os envolvidos.
Segundo o prefeito Ricardo Nunes, os responsáveis pela obra são pai e filho. O filho, além de ser um dos proprietários do imóvel, também seria o engenheiro responsável tecnicamente pela construção.

Ainda de acordo com Nunes, a busca pelos responsáveis ocorre após a Prefeitura identificar que uma determinação anterior para demolir a estrutura que já existia no terreno não teria sido cumprida.
Uma câmera de segurança instalada do outro lado da rua registrou o momento em que o prédio em construção desabou sobre uma casa na Penha, zona leste de São Paulo, na madrugada deste sábado. As imagens mostram que o desmoronamento ocorreu por volta da 1h58, na Rua Tequici, 61. Não havia ninguém dentro do imóvel em obras no momento da queda. Veja o momento:
Quatro pessoas foram retiradas dos escombros até o início da tarde, sendo duas delas sem vida. Entre os sobreviventes está uma menina de 5 anos, resgatada pelos bombeiros. O pai da criança, Herbert Chino, ainda aguardava a retirada de outra filha , de 7 anos, e da esposa, que permaneciam soterradas. “Alguém tem que responder por isso”, disse ele enquanto acompanhava o trabalho das equipes de resgate.

A Defesa Civil informou que ainda não é possível afirmar se as chuvas que atingem a capital paulista tiveram relação com o desabamento.
A obra era realizada pela construtora New Home. O advogado da empresa, Alexandre Sampi, afirmou que a construção estava regular e tinha alvará. Segundo ele, o prédio chegou a ser embargado, mas o embargo teria sido cassado.


Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/sao-paulo/construtora-havia-sido-multada-em-r-119-mil-por-predio-que-desabou-em-sp.

Jéssica Bernardo / Metrópoles — Foto: Metrópoles
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