Consórcio suspende obras de restaurante no Trianon após Promotoria questionar corte de árvores
O consórcio Borboletas, responsável pela gestão do parque Trianon, na avenida Paulista, em São Paulo , decidiu suspender a construção de um restaurante dentro do local na esteira de uma recomendação do Ministério Público que pediu a paralisação imediata das obras. Leia mais (09/03/2026 - 18h27)

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O consórcio Borboletas, responsável pela gestão do parque Trianon, na avenida Paulista, em São Paulo , decidiu suspender a construção de um restaurante dentro do local na esteira de uma recomendação do Ministério Público que pediu a paralisação imediata das obras.

A Promotoria diz ter constatado irregularidades no manejo da vegetação local. Entre os problemas identificados estão a supressão de vegetações de pequeno porte e o corte de quatro árvores nativas de grande porte em área protegida pela legislação ambiental.
O consórcio declarou à Folha que a suspensão das obras tem caráter preventivo e que "tem colaborado com os esclarecimentos necessários e com a apresentação de todos os documentos solicitados". "Continuamos confiantes na comprovação de que atendemos a todos os requisitos necessários para a retomada dos trabalhos."
A gestão Ricardo Nunes ( MDB ) não se pronunciou até a publicação deste texto.

O projeto do consórcio para o Trianon prevê um restaurante com capacidade para abrigar 150 cadeiras em aproximadamente 100 m² de área construída. A ideia é que o estabelecimento funcione num anexo da casa do administrador, que no passado serviu de residência à zeladoria do parque.
Em fase de fundação, a estrutura do restaurante ocupa a área de uma construção sem valor histórico, segundo a concessionária, erguida para servir de depósito e vestiário de funcionários.
O inquérito foi instaurado em 23 de junho. Assinada pelo promotor Walfredo Cunha Campos, a portaria que abriu a investigação disse que a medida se impunha ante o fato de que o Trianon "foi formalmente reconhecido pelo poder público como patrimônio histórico-cultural". O parque é tombado tanto na esfera municipal como na estadual.

O laudo da Promotoria afirma que as árvores suprimidas são espécies de mata atlântica primária declaradas patrimônio ambiental imune de corte por um decreto estadual de 1989.
O projeto da obra, ainda de acordo com o Ministério Público, também contraria o plano diretor do Trianon porque o texto veda intervenções no subsolo do parque —duas repartições do restaurante, a cozinha e área de serviço, ficariam nesse local.
O Borboletas chegou a contestar a abertura da investigação num recurso ao Conselho Superior do Ministério Público, mas sem sucesso. O pedido para trancar o caso foi negado em 25 de agosto.
A rejeição do recurso significa, na prática, que o caso volta à 1ª Promotoria de Justiça do Meio Ambiente da Capital para ser investigado.
A Promotoria ainda avalia os próximos passos.
Uma das hipóteses é a formalização de um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) "para readequação do projeto e recuperação do dano ambiental" do Trianon. Outra envolve ajuizar uma ação civil pública para contestar eventuais autorizações de manejo no parque que considerar nulas.
O caso, porém, ainda pode ser arquivado "caso comprovada a regularidade integral" dos atos praticados no Trianon.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/09/consorcio-suspende-obras-de-restaurante-no-trianon-apos-promotoria-questionar-corte-de-arvores.shtml.

Obra de restaurante no parque Trianon - Zanone Fraissat - 11.jun.26/Folhapress · Zanone Fraissat - 11.jun.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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