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    Conheça Roberto Simonsen, fundador da Fiesp e ideólogo desenvolvimentista

    Economista e político dá nome para uma das ruas mais antigas de São Paulo, instalada na região central

    UOL
    13 de outubro de 2026 às 03:00
    Conheça Roberto Simonsen, fundador da Fiesp e ideólogo desenvolvimentista
    Rua estreita com prédios antigos coloridos à esquerda, incluindo fachadas rosa, branca e amarela, e edifício moderno ao fundo. À direita, construção amarela com grades e tapume grafitado. Poste de luz antigo na calçada. — Foto: UOL

    As camadas de história encobertas em construções, ruínas e paisagens, por Vicente Vilardaga

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    Vista da rua Roberto Simonsen com vários prédios preservados, inclusive o Solar da Marquesa - Eduardo Knapp/Folhapress · Eduardo Knapp/Folhapress
    Vista da rua Roberto Simonsen com vários prédios preservados, inclusive o Solar da Marquesa - Eduardo Knapp/Folhapress · Eduardo Knapp/Folhapress — Foto: UOL · Fonte: UOL

    A Roberto Simonsen é uma das ruas mais antigas de São Paulo. Certamente tropeiros trafegavam por ela no século 17. Fica bem no centro da cidade e tem várias construções históricas, como a Casa Número Um, o Solar da Marquesa de Santos e um prédio recém-descoberto projetado por Ramos de Azevedo . A via liga a igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo ao Pateo do Collegio.

    Teve várias designações. Chamou-se rua de Santa Tereza, por causa do Recolhimento de Santa Tereza, um abrigo de moças que funcionou ali a partir de 1685. Depois recebeu o nome de rua do Carmo. Em 1948, com a morte do empresário, a Câmara Municipal decidiu homenageá-lo e transformá-la em Roberto Simonsen.

    Mas, afinal, quem foi Roberto Simonsen? Economista, escritor e político, nascido em Santos em 1889, esteve entre os empresários mais poderosos e articulados do país no seu tempo. Desde jovem passou a se posicionar como liderança empresarial.

    Detalhe da fachada do prédio da Fiesp, na avenida Paulista, inaugurado em 1979 - Pedro Affonso/Folhapress · Pedro Affonso/Folhapress
    Detalhe da fachada do prédio da Fiesp, na avenida Paulista, inaugurado em 1979 - Pedro Affonso/Folhapress · Pedro Affonso/Folhapress — Foto: UOL · Fonte: UOL

    A base dos seus negócios privados estava na exportação de café e em projetos imobiliários na sua cidade natal. Também fundou a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

    Antes de ser Fiesp, a entidade surgiu como Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), criado em 1928. O presidente era o empresário Francesco Matarazzo e Simonsen, o vice. A Fiesp só foi criada como entidade sindical em 1931, presidida por Simonsen, e a Ciesp permaneceu existindo como associação civil.

    Nos anos seguintes, entre inúmeras iniciativas, Simonsen fundaria o Idort (Instituto de Organização Racional do Trabalho) e participaria da criação da Fespsp (Escola Livre de Sociologia e Política de São Paulo).

    Parte da fachada escura de um prédio exibe as siglas FIESP, CIESP, SESI e SENAI em letras brancas alinhadas verticalmente. O céu nublado aparece ao fundo.
    Parte da fachada escura de um prédio exibe as siglas FIESP, CIESP, SESI e SENAI em letras brancas alinhadas verticalmente. O céu nublado aparece ao fundo. — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Em 1933 houve no Brasil a Assembleia Nacional Constituinte, encarregada de redigir a nova Constituição, e Simonsen foi eleito deputado federal classista, um dos quatro paulistas escolhidos pelos sindicatos reconhecidos pelo governo. Foi eleito mais uma vez para a presidência da Fiesp em 1937.

    No começo de sua existência, entre 1930 e 1940, a entidade dos empresários paulistas funcionou na rua 15 de Novembro, 244, na região central. Em seguida, a federação encontrou um novo endereço no Palácio Mauá, no Viaduto Dona Paulina, 80.

    A sede atual, na avenida Paulista, 1.313, está ocupada pela Fiesp desde 1979. É um projeto do arquiteto Rino Levi que teve uma intervenção de Paulo Mendes da Rocha no térreo e no saguão de entrada.

    Com o Estado Novo implantado e o fechamento das casas legislativas, Simonsen perdeu seu mandato de deputado. Em janeiro de 1938, foi reeleito novamente para a presidência da Fiesp, onde ficaria por vários anos. Nesse período avançou no projeto de criação do Sesi e do Senai.

    Simonsen pertenceu à ABL (Academia Brasileira de Letras), eleito em 1945. Seu livro mais conhecido é "História Econômica do Brasil (1500-1820)", mas ele deixou dezenas de obras. Alguns o consideravam o maior economista do Brasil, o ideólogo do desenvolvimentismo.

    Durante sua atuação na ABL, Simonsen estava imerso na polêmica com o economista Eugênio Gudin. Enquanto Simonsen defendia que o Estado tivesse um papel ativo no planejamento econômico, na proteção tarifária e no incentivo à industrialização, Gudin achava que o país deveria aproveitar suas vantagens competitivas naturais, como a agricultura e a exportação de commodities.

    Depois do fim do Estado Novo, Simonsen filiou-se ao PSD (Partido Social Democrático) e integrou sua comissão executiva. Foi eleito senador por São Paulo, superando o pintor Cândido Portinari, candidato do PCB (Partido Comunista Brasileiro).

    O empresário morreu de repente na ABL aos 59 anos. Tudo aconteceu enquanto ele fazia um discurso de saudação oficial ao primeiro-ministro da Bélgica, Paul van Zeeland, em visita ao Brasil.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/blogs/andancas-na-metropole/2026/10/conheca-roberto-simonsen-fundador-da-fiesp-e-ideologo-desenvolvimentista.shtml.

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    Vista da rua Roberto Simonsen com vários prédios preservados, inclusive o Solar da Marquesa - Eduardo Knapp/Folhapress · Eduardo Knapp/Folhapress — Foto: UOL

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