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    Conheça o banco no Irã que recebe sanções dos EUA há 19 anos e que Trump quer destruir

    O banco Melli, o maior do Irã , foi alvo de sanções muitas vezes ao longo dos últimos 20 anos. Na segunda-feira (24), o governo dos EUA voltou a mirar o banco com o objetivo de eliminar sua capacidade de operar no exterior. Leia mais (08/26/2026 - 10h23)

    Folha de S.Paulo
    26 de agosto de 2026 às 13:23
    Conheça o banco no Irã que recebe sanções dos EUA há 19 anos e que Trump quer destruir
    Fachada do Bank Melli Iran com letreiro em persa e inglês. Três motos estão estacionadas em frente ao banco, e uma pessoa caminha pela calçada. Árvores com folhas verdes aparecem à direita. — Foto: Folha de S.Paulo

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    O banco Melli, o maior do Irã , foi alvo de sanções muitas vezes ao longo dos últimos 20 anos. Na segunda-feira (24), o governo dos EUA voltou a mirar o banco com o objetivo de eliminar sua capacidade de operar no exterior.

    Agência do banco Melli em Teerã - Atta Kenare - 25.out.25/AFP · Atta Kenare - 25.out.25/AFP
    Agência do banco Melli em Teerã - Atta Kenare - 25.out.25/AFP · Atta Kenare - 25.out.25/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, prometeu punir os países que fazem negócios com o Irã como parte da Operação Pária Econômico, intensificando a guerra econômica do governo contra Teerã , a capital iraniana.

    Uma das poucas exigências específicas apresentadas por ele teve como alvo as operações internacionais do banco Melli. "Todas as agências do Bank Melli devem ser fechadas e ficar às escuras", afirmou.

    Sucessivas ondas de sanções já limitaram severamente a capacidade do banco de fazer negócios no exterior, refletindo o isolamento econômico mais amplo do Irã.

    Cliente usa caixa automático do banco Melli, em Teerã - Majid Asgaripour - 17.jun.26/Reuters · Majid Asgaripour - 17.jun.26/Reuters
    Cliente usa caixa automático do banco Melli, em Teerã - Majid Asgaripour - 17.jun.26/Reuters · Majid Asgaripour - 17.jun.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O banco estatal enfrenta sucessivas rodadas de duras penalidades financeiras pelo menos desde 2007, quando os EUA o acusaram formalmente de financiar os programas nuclear e de mísseis do Irã. Países de todo o mundo, assim como a ONU (Organização das Nações Unidas) e a União Europeia, também tentaram restringir o suposto uso, pelo banco, de supostas empresas de fachada no exterior para financiar atividades ilícitas.

    Nos Emirados Árabes Unidos, um funcionário que atendeu o telefone na agência do Melli em Dubai na terça-feira (25) afirmou que ela estava funcionando normalmente.

    E, em Londres, as luzes estavam acesas na agência do Melli no rico bairro de Kensington. Uma placa na porta da frente orientava as pessoas a usar uma entrada lateral, e era possível ver cerca de seis pessoas no interior, embora a entrada de um repórter tenha sido barrada.

    Três caixas eletrônicos do Bank Melli Iran instalados em parede externa. Um homem de camiseta azul e calça jeans está usando o caixa eletrônico central, de costas para a câmera. Uma mulher vestindo hijab preto caminha à esquerda, passando p
    Três caixas eletrônicos do Bank Melli Iran instalados em parede externa. Um homem de camiseta azul e calça jeans está usando o caixa eletrônico central, de costas para a câmera. Uma mulher vestindo hijab preto caminha à esquerda, passando p — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A capacidade de resistência do banco Melli depende do apoio do governo iraniano e das quase 3.100 agências que mantém no país. Há muito tempo, o banco também mantém presença internacional, com agências em outras partes do Oriente Médio , da Europa e da Ásia.

    Alguns países —especialmente o vizinho Iraque, em 2024— revogaram as licenças de operação do banco Melli sob pressão das sanções. Outros governos, entre eles o britânico, assim como a União Europeia, impuseram restrições tão severas que as agências locais, embora ainda abertas, são praticamente incapazes de movimentar dinheiro ou facilitar o comércio com o Irã, atividade que está no centro das operações internacionais do banco.

    Há muito tempo, autoridades norte-americanas acusam o Melli de criar ou utilizar empresas internacionais como fachada para enviar e receber recursos como parte da rede bancária paralela do Irã, cujo comércio anual é estimado em dezenas de bilhões de dólares. O Departamento do Tesouro afirma que a rede foi criada para contornar sanções econômicas e que financia as atividades militares e os grupos aliados do Irã.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Em janeiro, por exemplo, autoridades do Tesouro acusaram empresas nos Emirados Árabes Unidos e em Singapura de atuar como empresas de fachada —ou por meio delas— para canalizar dinheiro de e para o Irã através de estruturas ligadas ao Melli.

    "O alcance do Bank Melli certamente diminuiu nos últimos anos", avaliou Matthew Levitt, que ocupou um alto cargo na área de inteligência do Departamento do Tesouro durante o governo do ex-presidente George W. Bush. "Mas ele conseguiu continuar financiando atividades ilícitas por meio de subsidiárias e da aplicação seletiva das regras em vários países do mundo", declarou.

    Durante anos, segundo Levitt, os Emirados Árabes Unidos desempenharam um "papel desproporcional" como centro de financiamento ilícito para o Irã, sofrendo mais penalidades econômicas por seus vínculos com Teerã do que qualquer outro país, com exceção da China. O comércio entre Irã e Emirados Árabes Unidos movimentou cerca de US$ 28 bilhões em 2024, quando os Emirados Árabes eram a maior fonte de importações iranianas.

    Ilustração para Economia - Governo vai implantar sistema de chamadas verificadas contra fraudes telefônicas - Ferramenta será capaz de indicar se ligação partiu ou não de origem confiável
    Ilustração para Economia - Governo vai implantar sistema de chamadas verificadas contra fraudes telefônicas - Ferramenta será capaz de indicar se ligação partiu ou não de origem confiável — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    No início deste ano, o presidente Donald Trump menosprezou os Emirados, chamando-os de "uma espécie de banqueiro do Irã".

    Mas as relações entre os Emirados Árabes Unidos e o Irã esfriaram em 2026, em meio à guerra aérea travada contra o Irã pelos Estados Unidos e por Israel . Forças iranianas lançaram drones e mísseis contra os Emirados Árabes e outros países que abrigam bases militares americanas.

    Na semana passada, os Emirados Árabes anunciaram que interromperiam todo o comércio e todas as transações financeiras com o Irã , numa tentativa de acelerar a pressão sobre Teerã à medida que a crise econômica do país piora a cada dia.

    O ministro das Finanças do Irã, Ali Madanizadeh, previu na terça-feira (25) que muitos países se recusariam a aceitar as exigências de Bessent, "oficial ou extraoficialmente".

    "Naturalmente, nossos inimigos pretendem lançar um ataque terrorista econômico contra nós, mas também temos nossas próprias ferramentas e sabemos como jogar o jogo", disse Madanizadeh à televisão estatal iraniana.

    No Reino Unido, onde o Melli opera desde 1967, as sanções "reduziram significativamente" a capacidade de atuação da empresa e geraram "incerteza relevante" sobre a possibilidade de a operação britânica do banco continuar em funcionamento, segundo seu relatório anual de 2025.

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    Em setembro passado, o Reino Unido e a União Europeia voltaram a impor sanções ao Melli, além de outras instituições e pessoas ligadas ao programa nuclear iraniano. As medidas atingiram duramente as agências do Melli em Londres, Paris e Hamburgo, na Alemanha.

    A unidade britânica do Melli, que mantinha cerca de 100 milhões de euros (US$ 117 milhões) em depósitos em dezembro, informou em seu relatório anual que havia mudado o foco do crescimento para a "proteção dos ativos restantes do banco". A subsidiária empregou, em média, 43 pessoas no ano passado, e o banco demitiu alguns funcionários "para adequar sua estrutura de custos ao seu modelo de negócios restrito".

    Uma mulher que atendeu à porta lateral da agência de Kensington recusou-se a responder a perguntas na terça-feira, assim como um funcionário que atendeu a linha telefônica do serviço de atendimento ao cliente.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/conheca-o-banco-no-ira-que-recebe-sancoes-dos-eua-ha-19-anos-e-que-trump-quer-destruir.shtml.

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    Agência do banco Melli em Teerã - Atta Kenare - 25.out.25/AFP · Atta Kenare - 25.out.25/AFP — Foto: Folha de S.Paulo

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