Conheça a Casa da Mulher Brasileira, abrigo que acolhe vítimas de violência
Unidade em São Paulo centraliza serviços para vítimas de violência doméstica, incluindo apoio policial e psicossocial

Vinte anos após a sanção da Lei Maria da Penha, considerada um marco no combate à violência doméstica e familiar contra a mulher no Brasil, a rede de proteção às vítimas passou a contar com estruturas integradas como a Casa da Mulher Brasileira. Na unidade do Cambuci, na região central de São Paulo, o atendimento funciona 24 horas por dia , todos os dias da semana.
A unidade reúne em um único endereço atendimento policial, jurídico, psicossocial e assistencial, reduzindo a chamada “rota crítica” enfrentada por mulheres que decidem denunciar seus agressores e buscam romper o ciclo da violência.
O espaço concentra a DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), representantes do Ministério Público, da Defensoria Pública, um anexo do Tribunal de Justiça para análise de medidas protetivas de urgência e um posto do IML (Instituto Médico Legal), o que permite que a vítima resolva diferentes etapas do processo sem precisar se deslocar pela cidade.

Segundo a promotora de Justiça Juliana Gentil Tocunduva , a centralização dos serviços evita a chamada “rota crítica”, expressão utilizada para descrever a sequência de deslocamentos que muitas mulheres precisavam fazer após denunciar o agressor.
“Antes, a mulher precisava ir a uma delegacia, depois procurar o Ministério Público, depois o IML, depois a Defensoria. Esse caminho acabava criando inúmeros obstáculos. Na casa ela encontra praticamente tudo em um único espaço”, afirma.
Além do atendimento jurídico e policial, a Casa da Mulher Brasileira oferece suporte voltado à reconstrução da vida das vítimas.

O local conta com acolhimento psicossocial, assistência social, alojamento de passagem e uma brinquedoteca para crianças de até 12 anos, permitindo que mães sejam atendidas enquanto os filhos permanecem em segurança.
Para especialistas ouvidos pela CNN Brasil , esse acompanhamento multidisciplinar é fundamental, já que romper o ciclo da violência envolve desafios emocionais, financeiros e sociais que vão além da responsabilização criminal do agressor.
A segurança das vítimas também faz parte da atuação da Casa da Mulher Brasileira. O equipamento trabalha de forma integrada com o Programa Guardiã Maria da Penha, da GCM (Guarda Civil Metropolitana) da cidade de São Paulo, que realiza visitas periódicas para fiscalizar o cumprimento das medidas protetivas determinadas pela Justiça.

As mulheres atendidas também podem receber um aplicativo no celular com a função de “botão do pânico”, que aciona imediatamente a equipe mais próxima caso o agressor descumpra a ordem judicial.
A comandante da Inspetoria de Defesa da Mulher da GCM, Mary Roseane de Souza, afirma que o objetivo é garantir proteção e fortalecer o acolhimento para evitar que a vítima retorne ao ciclo de violência.
Nosso trabalho é fazer um acolhimento humanizado para que ela não tenha mais vontade de voltar para o agressor. Nenhuma mulher vai estar sozinha com a gente.

Na capital paulista, a Casa da Mulher Brasileira está localizada na Rua Vieira Ravasco, 26, no bairro do Cambuci.
O atendimento é gratuito, funciona 24 horas por dia e conta com estrutura acessível, incluindo intérpretes de Libras. Mulheres que precisarem de orientação ou desejarem denunciar casos de violência também podem recorrer ao serviço nacional de atendimento pelo Ligue 180.












Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/conheca-a-casa-da-mulher-brasileira-abrigo-que-acolhe-vitimas-de-violencia/.

Local foi inaugurado em 2019 • Prefeitura de São Paulo · • Prefeitura de São Paulo — Foto: CNN Brasil
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