Congresso vê PL dos minerais críticos “destravado” e votação até setembro
Parlamentares e representantes do setor privado apostam em análise na próxima semana de esforço concentrado; formato para unificar textos de Câmara e Senado ainda está em negociação

Congressistas envolvidos nas negociações do marco dos minerais críticos avaliam que a proposta está “destravada” no Senado e apostam em uma votação até o fim de setembro.
A principal expectativa, segundo interlocutores ouvidos pela CNN, é que o texto avance durante a próxima semana de esforço concentrado do Congresso, prevista para o início de setembro.
O movimento ocorre em meio à reaproximação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que se reuniram nesta quarta-feira (12). O encontro faz parte de uma articulação mais ampla para alinhar a pauta de votações do Congresso antes das eleições.

Apesar da avaliação de que o marco ganhou condições políticas para avançar, a estratégia sobre qual texto será efetivamente votado ainda não está definida.
Hoje existem duas propostas sobre o tema no Senado. A primeira é o PL 2.780/2024, aprovado pela Câmara e relatado pelo deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP). A segunda é o PL 4.443/2025, apresentado pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL) e relatado pelo senador Wilder Morais (PL-GO) na Comissão de Infraestrutura.
A tendência discutida nos bastidores é apensar o projeto relatado por Wilder ao texto que veio da Câmara, usando as duas propostas para construir uma redação comum. O formato, porém, ainda depende de uma decisão de Alcolumbre e de acordo entre os senadores envolvidos na negociação.

Parlamentares envolvidos nas negociações argumentam que o texto aprovado pela Câmara relatado por Jardim parte de uma base considerada mais madura, após meses de discussão com governo, setor mineral, especialistas e diferentes bancadas do Congresso.
Além disso, interlocutores destacam que o relatório apresentado por Wilder já incorporou grande parte das soluções construídas por Jardim, o que reduz a distância entre os dois projetos e facilita uma eventual unificação.
A estratégia ainda não está fechada e dependerá de decisão de Davi Alcolumbre e de acordo entre os parlamentares envolvidos.

Na semana passada, Jardim afirmou que Alcolumbre havia sinalizado justamente a intenção de tratar conjuntamente os dois projetos. A decisão é relevante porque, embora os textos tenham se aproximado em vários pontos, ainda existem diferenças principalmente no modelo de governança e no poder concedido ao governo para acompanhar negócios envolvendo ativos minerais considerados estratégicos.
O substitutivo apresentado por Wilder incorporou boa parte dos instrumentos econômicos aprovados pela Câmara, incluindo créditos fiscais, mecanismos de financiamento e recursos para um fundo garantidor. A principal diferença está no controle do governo sobre operações societárias: o texto da Câmara prevê "triagem e homologação" de determinadas operações, enquanto o projeto do Senado estabelece apenas "registro e acompanhamento".
Outro movimento visto por congressistas como sinal de que o marco começou a avançar ocorreu nesta semana na Câmara.

O novo relatório do PLP 114/2026, conhecido como PLP dos Combustíveis, passou a incluir dispositivos relacionados aos incentivos previstos para a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. O texto foi apresentado pela relatora, deputada Marussa Boldrin (Republicanos-GO), e está pronto para análise do plenário.
O objetivo é resolver antes a adequação fiscal necessária para que os benefícios previstos no projeto possam entrar em vigor caso sejam aprovados pelo Senado.
O texto relatado por Jardim prevê até R$ 5 bilhões em créditos fiscais entre 2030 e 2034, limitados a R$ 1 bilhão por ano, para estimular projetos que avancem no beneficiamento e na transformação dos minerais dentro do Brasil. O benefício poderá chegar a 20% dos investimentos considerados elegíveis.

Na terça-feira (11), o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que a intenção era justamente usar o PLP para deixar pronta a sustentação fiscal desses incentivos antes da conclusão da votação do marco no Senado.
A votação do PLP estava prevista inicialmente para terça, mas a sessão da Câmara foi cancelada. A proposta está pronta para deliberação do plenário nesta quarta-feira.
Na avaliação de parlamentares envolvidos nas negociações, a inclusão dos minerais críticos no PLP retira um dos obstáculos que poderiam surgir mais adiante, o questionamento sobre a compatibilidade dos novos benefícios fiscais com as regras de responsabilidade fiscal.

Com essa parte encaminhada, a negociação no Senado passa a se concentrar principalmente na construção do texto político e regulatório que unificará as propostas de Wilder e Jardim.
O marco ganhou prioridade no Congresso diante da corrida internacional por minerais utilizados em setores como defesa, transição energética, baterias e tecnologias avançadas. O texto aprovado pela Câmara cria uma política nacional para o setor, estabelece mecanismos de financiamento e prevê instrumentos para incentivar que uma parcela maior do beneficiamento e da transformação desses recursos seja realizada no Brasil.

Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/infra/congresso-ve-pl-dos-minerais-criticos-destravado-e-votacao-ate-setembro/.

Brazilian President Luiz Inacio Lula da Silva receives the New President of the Senate, Senator Davi Alcolumbre, and Federal Deputy Hugo Motta, New President of the Chamber of Deputies, at the Planalto Palace in Brasilia, Brazil, on Februar — Foto: CNN Brasil
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