Conflito entre Estados Unidos e Irã completa seis meses nesta sexta-feira
Guerra no Oriente Médio persiste além das previsões iniciais, com sanções econômicas substituindo ofensiva militar e aprovação de Trump em queda; Priscila Yazbek resume situação atual

A guerra entre os Estados Unidos e o Irã completa seis meses nesta sexta-feira (28), contrariando as previsões iniciais de que o conflito se encerraria em poucas semanas. Nenhum dos objetivos declarados pelos Estados Unidos foi alcançado até o momento, e o conflito segue sem perspectiva de encerramento.
Ao Bastidores CNN desta sexta, a correspondente da CNN em Nova York, Priscila Yazbek, fez um resumo da situação atual do conflito, um semestre após os ataques do dia 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel deram início à chamada Operação Fúria Épica contra o Irã.
"Os Estados Unidos iniciaram essa semana a operação 'pária econômico' , mudando a estratégia de algo mais focado em objetivos militares para uma tentativa de estrangulamento econômico do Irã, para tentar obter algum tipo de concessão", afirmou Yazbek.

Teerã, por sua vez, voltou a criticar duramente o presidente norte-americano e classificou as sanções como " terrorismo de Estado ".
Yazbek lembrou que o regime iraniano possui uma resistência histórica a pressões econômicas. A inflação no país já está em 66% e os preços dos alimentos subiram mais de 100% .
"Eles não dão sinal de que vão fazer algum tipo de concessão, mesmo que a sua economia sofra ainda mais do que já está sofrendo", acrescentou a correspondente.

Do lado americano, o conflito também cobra um preço elevado . A taxa de aprovação de Donald Trump caiu para apenas 33% , o pior índice registrado tanto em seu primeiro quanto em seu segundo mandato.
"31% apenas dos americanos aprovam esse conflito, que tem sido usado como um dos principais slogans dos democratas para as eleições de meio de mandato , que chegam no dia 3 de novembro", destacou Yazbek.
A guerra trouxe consequências diretas para a economia americana. A inflação nos Estados Unidos está acima de 3% , e o preço do galão de gasolina, que era inferior a US$ 3 antes do início do conflito, ultrapassou os US$ 4 .

"É algo que está sendo muito rejeitado pela população americana, que já tem traumas dessas guerras prolongadas, com Afeganistão, Iraque, Vietnã, e que não gostaria que houvesse mais um conflito se prolongando", disse a correspondente.
Yazbek observou que analistas também apontam os riscos geopolíticos gerados pela concentração de recursos militares americanos no Oriente Médio.
Com porta-aviões e munições deslocados para a região, questiona-se como ficam as defesas dos Estados Unidos em outras frentes, como as relacionadas à Rússia , à Coreia do Norte e à China .

China e Índia, segundo informações de bastidores, sinalizaram que não se preocupam com as retaliações americanas e pretendem continuar fazendo negócios com o Irã.
Um exemplo concreto das tensões geradas pelo conflito foi a suspensão de exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul , incluindo o cancelamento de um exercício anfíbio, após o país não ter apoiado a ofensiva americana contra o Irã.
"Isso traz uma análise de que talvez os Estados Unidos estejam ficando vulneráveis em outras frentes. Além do risco político, há também o risco geopolítico desse conflito que vem se arrastando", concluiu a correspondente.


Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/conflito-entre-estados-unidos-e-ira-completa-seis-meses-nesta-sexta-feira/.

Análise: Líder Supremo do Irã segue invisível após seis meses de guerra — Foto: CNN Brasil
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