Confiança nas vacinas contra o sarampo cai nos EUA, aponta pesquisa Reuters/Ipsos
76% dos americanos consideram segura para crianças a vacina contra o sarampo, ante 84% em 2020

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A confiança dos americanos nas vacinas contra doenças infantis potencialmente fatais, incluindo o sarampo , caiu nos últimos anos, segundo uma nova pesquisa Reuters/Ipsos, um sinal preocupante para o país, que enfrenta seus piores surtos de sarampo em décadas.

A pesquisa, realizada ao longo de quatro dias e concluída na segunda-feira, mostrou que a maioria do país ainda apoia a vacinação de crianças contra o sarampo.
A doença praticamente desapareceu dos EUA por mais de duas décadas, até voltar a se disseminar nos últimos anos após uma queda nas taxas de vacinação.
Cerca de 76% dos americanos disseram acreditar que as vacinas contra sarampo, caxumba e rubéola são seguras para crianças, abaixo dos 84% registrados em uma pesquisa Reuters/Ipsos de maio de 2020. A queda na confiança foi mais acentuada entre os republicanos, já que algumas pessoas do partido têm minimizado a importância das vacinas.

O presidente Donald Trump assinou em agosto uma ordem executiva que determinava a redução do número de imunizações no calendário federal de vacinação infantil, de 17 para 11. Robert F. Kennedy Jr. , principal autoridade de saúde do governo do presidente republicano, foi por muito tempo um ativista antivacina antes de Trump nomeá-lo secretário da Saúde. No cargo, ele tem buscado reformular a política de vacinação dos EUA, defendendo menos vacinas para crianças.
Pensilvânia, Utah e Carolina do Sul enfrentam surtos de sarampo neste ano. A Pensilvânia anunciou três mortes relacionadas à doença nas últimas semanas. O país contabilizou mais de 3.000 infecções confirmadas neste ano, o maior número em 35 anos.
O sarampo, que pode causar sintomas como febre, erupções cutâneas e problemas respiratórios, é altamente contagioso, mas pode ser facilmente prevenido com a vacina tríplice viral contra sarampo, caxumba e rubéola, uma imunização de rotina para crianças que apresenta eficácia de 97% na prevenção da infecção após duas doses. Ela costuma ser aplicada entre os 12 e os 15 meses e, depois, novamente entre os 4 e os 6 anos.

A cobertura vacinal média entre crianças no jardim de infância nos EUA caiu no ano passado para 92,5%, segundo dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), abaixo dos 95% que especialistas consideram necessários para alcançar a chamada imunidade coletiva, capaz de proteger pessoas da comunidade que não podem receber a vacina.
A pesquisa Reuters/Ipsos mostrou que apenas 19% dos americanos aprovam como Trump lida com o surto de sarampo, enquanto 52% desaprovam. Os demais disseram não ter opinião ou não responderam à pergunta.
Trump raramente falou sobre o surto de sarampo, mesmo diante da ampla expectativa de que os EUA percam ainda neste ano o status de país livre da circulação endêmica da doença, após surtos iniciados no ano passado levarem à transmissão contínua. Trata-se de um marco antes impensável para um país que se orgulhava de ter erradicado a doença há mais de duas décadas graças às altas taxas de vacinação.
Os eleitores registrados que participaram da pesquisa Reuters/Ipsos escolheram os democratas em vez dos republicanos, por 45% a 25%, quando questionados sobre qual partido tem a melhor abordagem para conter doenças infecciosas como o sarampo.
Isso pode ser motivo de preocupação para alguns republicanos, enquanto o partido tenta manter o controle do Congresso nas eleições legislativas de 3 de novembro, embora vacinas e doenças estejam longe de ser as principais preocupações dos eleitores.
Cerca de 31% dos eleitores disseram estar muito preocupados com os surtos de sarampo, ante 58% que afirmaram o mesmo sobre o custo de vida.
Depois que a Pensilvânia anunciou no mês passado duas mortes relacionadas ao sarampo, Kennedy voltou a repetir a alegação falsa de que a vacina tríplice viral contém restos de fetos abortados e colocou em dúvida se o sarampo havia contribuído para as mortes. A Pensilvânia anunciou nesta semana uma terceira morte relacionada à doença.
A pesquisa Reuters/Ipsos, realizada on-line em todo o país, reuniu respostas de 1.143 adultos dos EUA e teve margem de erro de 3 pontos percentuais.
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Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2026/09/confianca-nas-vacinas-contra-o-sarampo-cai-nos-eua-aponta-pesquisa-reutersipsos.shtml.

Enfermeira aplica a vacina contra o sarampo - Michelle Freyria - 8.fev.2026/Reuters · Michelle Freyria - 8.fev.2026/Reuters — Foto: UOL
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