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    Conectar capitais transforma territórios

    Os recursos para enfrentar os grandes desafios sociais e ambientais existem; falta é fazê-los atuar de forma coordenada. Há décadas discutimos como ampliar os recursos para negócios de impacto , mas talvez a pergunta mais importante seja outra: como fazer diferentes tipos de capital trabalharem juntos? Leia mais (09/10/2026 - 08h00)

    Folha de S.Paulo
    10 de setembro de 2026 às 11:00
    Conectar capitais transforma territórios
    Empreendedores de negócios de impacto social, acelerados pela Artemisia, visitam bairro periférico no Recife — Foto: Folha de S.Paulo

    Espaço de debate para temas emergentes da agenda socioambiental

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    Empreendedores de negócios de impacto social visitam bairro periférico no Recife - Divulgação · Divulgação
    Empreendedores de negócios de impacto social visitam bairro periférico no Recife - Divulgação · Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Coordenadora de Programas no ICE, onde é responsável pela gestão do programa de relacionamento com associados e pela liderança de duas dimensões estratégicas da Coalizão pelo Impacto

    Superintendente executivo de desenvolvimento e microcrédito do Banrisul. É especialista em inovação e empreendedorismo pela Harvard Business School com MBA em Business Analytics pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul

    Os recursos para enfrentar os grandes desafios sociais e ambientais existem; falta é fazê-los atuar de forma coordenada. Há décadas discutimos como ampliar os recursos para negócios de impacto , mas talvez a pergunta mais importante seja outra: como fazer diferentes tipos de capital trabalharem juntos?

    Imagens que traduzem o impacto social
    Imagens que traduzem o impacto social — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O desafio não está apenas na disponibilidade de recursos, mas em mecanismos que conectem capitais com diferentes lógicas de risco, retorno, prazo e propósito. Há filantropia, crédito, investimento privado e instrumentos públicos, mas eles ainda dialogam pouco entre si.

    Nenhum desses capitais, isoladamente, responde à complexidade dos negócios de impacto. A filantropia assume riscos que o mercado ainda não absorve, o setor público constrói ambiente favorável, instituições financeiras transformam soluções maduras em operações de escala, investidores impulsionam o crescimento, organizações de apoio fortalecem gestão e governança.

    A inovação, portanto, não está apenas em novos instrumentos financeiros, mas na construção de uma arquitetura capaz de conectar competências distintas em torno de objetivos comuns.

    Um ano após enchentes no RS, vítimas e voluntários veem reconstrução lenta
    Um ano após enchentes no RS, vítimas e voluntários veem reconstrução lenta — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Essa lógica inspira iniciativas de fortalecimento dos ecossistemas de impacto em diferentes regiões do país, que preparam os negócios para acessar capital qualificado, combinando diagnóstico, capacitação, mentorias, governança e aproximação entre empreendedores e financiadores.

    O próprio Impacta RS ilustra essa lógica: articulação multissetorial entre o ICE (Instituto de Cidadania Empresarial) , por meio da Coalizão pelo Impacto , Banrisul , RegeneraRS e a Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul.

    O programa reúne competências complementares para articular o ecossistema, fortalecer negócios, aproximar capital e ampliar as condições para a reconstrução e o desenvolvimento sustentável do Estado.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Os dados iniciais da jornada reforçam essa percepção: a maioria dos negócios já colocou suas soluções no mercado, mas ainda enfrenta desafios de governança, gestão financeira e captação de recursos. O gargalo muitas vezes não é a falta de capital, mas a ausência de condições para conectá-lo às soluções que já existem.

    Esse é talvez o principal aprendizado: o capital catalítico não substitui o mercado, mas reduz barreiras para que atue melhor. Instituições financeiras, filantropia, investidores e organizações da sociedade civil não devem substituir reciprocamente. Cada ator gera mais valor quando contribui a partir de sua vocação.

    A principal inovação, portanto, é institucional: construir confiança, criar linguagem comum, estabelecer governança e reduzir assimetrias de informação são condições indispensáveis para que diferentes capitais atuem de forma complementar. Talvez seja hora de dedicar menos energia a novos instrumentos e mais atenção às conexões já existentes.

    O capital financeiro continuará indispensável, mas o que amplia seu alcance é uma infraestrutura relacional capaz de alinhar incentivos, compartilhar riscos e transformar cooperação em capacidade permanente.

    Transformar territórios é, antes de tudo, um exercício de cooperação. Conectar capitais é o começo.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/papo-de-responsa/2026/09/conectar-capitais-transforma-territorios.shtml.

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