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    Concessões ao setor privado precisam ser ampliadas

    As concessões de infraestrutura ao setor privado avançaram de forma consistente. A melhora da regulação feita na gestão anterior e a não interrupção dos leilões neste terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ) mostram que, ao menos nesse campo, prevaleceu algum pragmatismo. Leia mais (09/21/2026 - 22h00)

    Folha de S.Paulo
    22 de setembro de 2026 às 01:00
    Concessões ao setor privado precisam ser ampliadas
    Trem de carga azul com várias locomotivas e vagões segue sobre ponte elevada de concreto que cruza rio de água barrenta. Vegetação densa e área rural cercam a ponte sob céu claro. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Trem de carga trafega por trecho de nova linhas ferroviária, em Rondonópolis (MT) - Zanone Fraissat - 6.nov.25/Folhapress · Zanone Fraissat - 6.nov.25/Folhapress
    Trem de carga trafega por trecho de nova linhas ferroviária, em Rondonópolis (MT) - Zanone Fraissat - 6.nov.25/Folhapress · Zanone Fraissat - 6.nov.25/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    As concessões de infraestrutura ao setor privado avançaram de forma consistente. A melhora da regulação feita na gestão anterior e a não interrupção dos leilões neste terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ) mostram que, ao menos nesse campo, prevaleceu algum pragmatismo.

    Mesmo assim, atrasos são recorrentes. A meta de 13 leilões de rodovias foi reduzida para apenas 7 neste ano. Os 8 previstos no setor ferroviário foram deixados, na maior parte, para o próximo ano, com investimentos projetados de R$ 154,9 bilhões.

    Quanto aos portos, de 18 projetos anunciados, poucos foram a mercado, e aportes esperados de ao menos R$ 20,8 bilhões acabaram adiados. As hidrovias federais também continuam emperradas. No total, ao menos R$ 204 bilhões em investimentos devem ficar para o próximo mandato.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Análises morosas, modelagens que precisam ser refeitas e filas no Tribunal de Contas da União ( TCU ) se somam a agências reguladoras pouco aparelhadas e com déficit de pessoal. Há asfixia orçamentária e interferências políticas nas nomeações, o que enfraquece a capacidade técnica.

    Por certo, o tema é complexo, ainda mais em contratos antigos e mal dimensionados que exigem renegociações detalhadas.

    Felizmente, o governo Lula se apoiou em avanços regulatórios anteriores e conseguiu realizar um bom número de leilões. Entre 2023 e 2025, foram 50 certames de rodovias, portos e aeroportos —mais do que os 45 de Jair Bolsonaro ( PL ) e os 26 de Fernando Henrique Cardoso ( PSDB ).

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Rodovias responderam por R$ 247 bilhões em investimentos contratados; portos, por R$ 15,5 bilhões. São cifras importantes para um Estado deficitário com declinante margem orçamentária para obras públicas.

    No saneamento , o maior volume de leilões está nas mãos de estados e prefeituras, com grande fluxo de concessões e parcerias viabilizadas pelo marco legal de 2020, tão combatido pela esquerda estatizante.

    Desde então, 70 certames já ocorreram. Restam 31 projetos, com R$ 66,3 bilhões previstos e alcance de 631 municípios, incluindo blocos em Rondônia, São Paulo, Goiás e Ceará.

    O setor talvez seja o que mais diretamente foi impactado pela abertura ao capital privado depois de décadas de ineficiência.

    Os avanços até aqui, porém, não bastam. O investimento agregado em infraestrutura chegou a cerca de R$ 280 bilhões em 2025 e deve se aproximar de R$ 300 bilhões em 2026 —ou 2,3% do PIB .

    O país precisaria de algo próximo de 4% a 5% do PIB, de forma sustentada, para reduzir o déficit acumulado nos vários setores.

    A capacidade estatal está esgotada diante do esmagamento do Orçamento público por despesas obrigatórias. O custo de capital elevado, alimentado por uma política gastadora que reforça a persistência de juros altos , encarece os projetos. Será preciso avançar mais nas concessões.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/09/concessoes-ao-setor-privado-precisam-ser-ampliadas.shtml.

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    Trem de carga trafega por trecho de nova linhas ferroviária, em Rondonópolis (MT) - Zanone Fraissat - 6.nov.25/Folhapress · Zanone Fraissat - 6.nov.25/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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