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    Concentração de pagamentos de emendas no começo do ano muda trajetória fiscal, diz IFI

    O governo acelerou o pagamento de emendas parlamentares no primeiro semestre de 2026 , algo que costuma se repetir em anos de eleição, afirma a IFI (Instituição Fiscal Independente), órgão ligado ao Senado, em um relatório publicado nesta quinta-feira (20). Leia mais (08/20/2026 - 16h00)

    Folha de S.Paulo
    20 de agosto de 2026 às 19:00
    Concentração de pagamentos de emendas no começo do ano muda trajetória fiscal, diz IFI
    A imagem mostra o plenário da Câmara dos Deputados do Brasil, com um layout circular e várias cadeiras dispostas em fileiras. Algumas pessoas estão presentes no local, e ao fundo há painéis eletrônicos exibindo informações. O ambiente é bem — Foto: Folha de S.Paulo

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    O governo acelerou o pagamento de emendas parlamentares no primeiro semestre de 2026 , algo que costuma se repetir em anos de eleição, afirma a IFI (Instituição Fiscal Independente), órgão ligado ao Senado, em um relatório publicado nesta quinta-feira (20).

    Plenário da Câmara dos Deputados durante sessão conjunta do Congresso Nacional - Marcos Oliveira - 13.mar.25/Agência Senado · Marcos Oliveira - 13.mar.25/Agência Senado
    Plenário da Câmara dos Deputados durante sessão conjunta do Congresso Nacional - Marcos Oliveira - 13.mar.25/Agência Senado · Marcos Oliveira - 13.mar.25/Agência Senado — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A antecipação está prevista na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) deste ano. Foi determinado que 65% do valor destinado a emendas, tanto as individuais de deputados e senadores como as de bancadas estaduais , deveriam ser pagos até o fim de junho. Segundo a IFI, essa execução concentrada no início do ano é típica de anos eleitorais.

    A antecipação do pagamento das emendas parlamentares tornou a política fiscal expansionista, diz a IFI. Trata-se de uma mudança de rota, porque, pelos mesmos critérios, em 2025 a política fiscal foi contracionista.

    Esses desembolsos concentrados explicam em parte a piora das contas públicas neste ano. Além disso, os pagamentos das emendas podem aumentar o volume de restos a pagar, compromissos que o governo assumiu em exercícios anteriores, mas ainda não quitou de fato.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A soma de restos a pagar de despesas discricionárias (não obrigatórias) e emendas é de R$ 105,5 bilhões.

    O estoque de dívidas de emendas de bancada estadual e de comissão já ultrapassa todo o limite de pagamento disponível para 2026. Segundo a IFI, não existe espaço em caixa para quitar essas obrigações neste ano.

    O relatório mostra que, apesar de o governo estar cumprindo a meta estabelecida por lei, o resultado fiscal primário efetivo permanece negativo. Nos sete primeiros meses do ano, o governo central acumulou um déficit primário efetivo de R$ 81,2 bilhões. As receitas líquidas cresceram 6% em termos reais, impulsionadas, em parte, pela alta do preço do petróleo a partir do conflito no Oriente Médio, mas as despesas primárias subiram ainda mais rápido, a 6,3% em termos reais, puxadas pela forte expansão dos gastos discricionários, de 44,5%, e das emendas.

    Ilustração para Economia - Governo vai implantar sistema de chamadas verificadas contra fraudes telefônicas - Ferramenta será capaz de indicar se ligação partiu ou não de origem confiável
    Ilustração para Economia - Governo vai implantar sistema de chamadas verificadas contra fraudes telefônicas - Ferramenta será capaz de indicar se ligação partiu ou não de origem confiável — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Formalmente, o governo consegue bater a meta fiscal estabelecida para este ano, mas a IFI afirma que isso só acontece devido às deduções legais permitidas pela legislação. Descontando os artifícios legais, o resultado das contas públicas é de déficit primário efetivo de 0,4% do PIB em 2026.

    A instituição também calculou o resultado primário estrutural, uma métrica que busca enxergar a posição fiscal subjacente ao remover os efeitos temporários do ciclo econômico e de eventos não recorrentes (como o preço atípico do petróleo ou a economia aquecida). Por esse critério, o rombo dobrou: o déficit estrutural passou de 0,7% do PIB no acumulado de quatro trimestres até junho de 2025 para 1,4% do PIB no mesmo período de 2026.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/concentracao-de-pagamentos-de-emendas-no-comeco-do-ano-muda-trajetoria-fiscal-diz-ifi.shtml.

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    Plenário da Câmara dos Deputados durante sessão conjunta do Congresso Nacional - Marcos Oliveira - 13.mar.25/Agência Senado · Marcos Oliveira - 13.mar.25/Agência Senado — Foto: Folha de S.Paulo

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