Tecnologia

    Computação quântica já mexe no seu celular e você nem viu

    Ela não está na sua mesa, mas já influencia a criptografia do seu app de mensagens, o ônibus que você pega e o remédio que sua farmácia vende O post Computação quântica já mexe no seu celular e você nem viu apareceu primeiro em Olhar Digital .

    Olhar Digital
    26 de agosto de 2026 às 22:41
    Computação quântica já mexe no seu celular e você nem viu
    Foto: Olhar Digital

    Você não tem um computador quântico em casa. Provavelmente nunca vai ter. Mesmo assim, essa tecnologia já encosta na sua rotina em pontos que ninguém anuncia: no aplicativo de mensagens, na rota do caminhão que entrega sua compra, no remédio que está sendo testado agora em laboratório.

    A computação quântica não substitui o seu notebook. Ela resolve um tipo específico de problema — aqueles com um número absurdo de combinações possíveis — usando qubits, que exploram propriedades da física quântica para testar caminhos em paralelo. É uma ferramenta de nicho. Só que o nicho dela é bem grande.

    Este é o caso mais concreto. A criptografia que protege suas conversas, seu internet banking e suas senhas se apoia em contas que computadores comuns levariam milhares de anos para resolver. Um computador quântico grande o suficiente resolveria em bem menos tempo.

    Wharrysson Lacerda
    Wharrysson Lacerda — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Esse computador ainda não existe. Mas o risco tem nome: “colha agora, decifre depois” . Alguém guarda dados criptografados hoje e espera a máquina do futuro para abrir tudo.

    Por isso a indústria não esperou. O NIST , órgão de padrões dos EUA, publicou em 2024 os primeiros padrões de criptografia pós-quântica, entre eles: o Signal adotou proteção pós-quântica em 2023, e a Apple anunciou o protocolo para o iMessage em 2024. O Google Chrome também já usa troca de chaves híbrida resistente a computadores quânticos. Você não clicou em nada. Já veio ligado.

    Escolher a melhor rota entre milhares de possibilidades é exatamente o tipo de problema em que algoritmos quânticos prometem vantagem. A Volkswagen testou otimização quântica de rotas para ônibus urbanos em 2019. Portos, transportadoras e companhias aéreas rodam experimentos parecidos.

    Importante: hoje, na maioria dos casos, computadores clássicos ainda entregam resultado igual ou melhor. O que essas empresas fazem é aprender a formular o problema agora, para não ficar para trás depois.

    Simular como uma molécula se comporta é caro em computador comum, porque moléculas são objetos quânticos. Aqui a vantagem faz mais sentido. Farmacêuticas e empresas químicas mantêm parcerias com fabricantes de hardware quântico para acelerar a descoberta de fármacos e de materiais para baterias.

    Dá, e de graça. IBM, Amazon e Microsoft oferecem acesso a processadores quânticos pela nuvem, com camadas gratuitas para estudantes e curiosos . O Brasil também entrou no mapa: o SENAI CIMATEC , em Salvador, instalou um computador quântico da IBM.

    Ninguém sabe. As máquinas atuais erram muito, e o grande desafio é a correção de erros. O chip Willow , anunciado pelo Google em dezembro de 2024, foi apresentado como avanço nesse ponto. As estimativas para um computador quântico realmente útil variam de cinco a vinte anos, dependendo de quem você pergunta.

    Enquanto isso, a computação quântica segue como aquele convidado que ainda não chegou à festa — mas cuja chegada já fez todo mundo reorganizar a casa.

    O post Computação quântica já mexe no seu celular e você nem viu apareceu primeiro em Olhar Digital .

    Publicado originalmente por Olhar Digital. Leia a matéria completa em https://olhardigital.com.br/2026/08/26/pro/computacao-quantica-ja-mexe-no-seu-celular-e-voce-nem-viu/.

    Imagem 1

    Wharrysson Lacerda — Foto: Olhar Digital

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)