Complexo do Alemão, no Rio, tem ruas cobertas por telhados, e polícia vê ação de facção contra drones
Levantamento da Core (Coordenadoria de Recursos Especiais), da Polícia Civil do Rio, mostra que ruas e vielas do Complexo do Alemão , na zona norte da cidade, vêm sendo cobertas por estruturas para possivelmente dificultar o monitoramento por drones. Leia mais (08/18/2026 - 13h36)

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Levantamento da Core (Coordenadoria de Recursos Especiais), da Polícia Civil do Rio, mostra que ruas e vielas do Complexo do Alemão , na zona norte da cidade, vêm sendo cobertas por estruturas para possivelmente dificultar o monitoramento por drones.

A comparação entre imagens de satélite de novembro de 2025 e registros aéreos de fevereiro de 2026 revela mudanças no intervalo de 84 dias —ruas que antes apareciam nas imagens ficaram encobertas por telhados, um antigo estacionamento ganhou cobertura. Há também o caso de uma laje que passou a ter uma piscina.
Polícia crê que estruturas foram instaladas pelo Comando Vermelho para se proteger de ataques rivais e reduzir monitoramento da polícia - PCERJ
As construções ficam concentradas em área central do complexo, de difícil acesso, apontada pela polícia como possível esconderijo da cúpula do CV ( Comando Vermelho ).

Segundo os investigadores, os telhados funcionam como blindagem contra ataques com explosivos lançados por drones de facções rivais, mas também comprometem o monitoramento feito pela própria polícia.
Segundo o delegado Fabrício Oliveira, da Core, as alterações mais visíveis identificadas pela polícia são as barricadas colocadas no terreno e as coberturas de telhado erguidas em escadarias, vielas e ruas.
"O objetivo inicial do telhado, na nossa opinião, é impedir qualquer tipo de filmagem e monitoramento deles", afirmou o delegado. "Eles já colocavam lonas em algumas áreas, bocas de fumo, em algumas bancas de venda de drogas, contenções pra proteger para não serem filmados nem pela aeronave, nem por drones. Então é uma evolução disso, isso é mais robusto e pode proteger também, inclusive, desses ataques de grupos rivais", disse.

Para a polícia, acrescenta, é ruim porque prejudica o planejamento. "A gente acaba não conseguindo visualizar o que está embaixo daquele telhado ali, a operação se torna mais arriscada."
O mesmo padrão de cobertura foi identificado no Rebu, em Senador Camará, na zona oeste. Em abril, a Polícia Civil e a Prefeitura de Niterói destruíram parte de uma estrutura semelhante em uma comunidade da cidade.
Facções usam aeronaves para vigiar rivais, atacar áreas e intimidar moradores. Investigação aponta compra de modelos agrícolas com carga de até 80 kg

Dados do Disque-Denúncia mostram o crescimento das denúncias: o primeiro relato de um drone com granada foi em 2023; em 2024, foram quatro; em 2025, o total saltou para 73 envolvendo traficantes e outras 14 relacionadas a milicianos.
Em um dos casos, ocorrido no sábado (1º), duas pessoas que montavam brinquedos para uma festa infantil de rua ficaram feridas depois que um drone lançou uma bomba sobre a favela dos Dourados, em Cordovil, zona norte do Rio, controlada pelo CV e disputada pelo TCP (Terceiro Comando Puro).
Segundo a investigação, a favela dos Dourados é alvo do TCP, ligado a Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, que domina o Complexo de Israel" (Parada de Lucas, Cidade Alta, Vigário Geral, Pica-Pau e Cinco Bocas) e é foragido, sem advogado constituído.

O uso de drones por facções é monitorado pela polícia desde 2017, quando a corporação identificou a aquisição dos equipamentos por Peixão para monitorar rivais e agentes públicos.
Diante do crescimento dos episódios, a Polícia Civil formalizou em 13 de julho a criação da Coant, que reúne pilotos próprios e concentra o trabalho de inteligência sobre drones. A estrutura já existia desde março, quando a corporação comprou seis drones chineses, dentro de investimento em tecnologia de R$ 2,1 milhões em dois anos.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/08/complexo-do-alemao-no-rio-tem-ruas-cobertas-por-telhados-e-policia-ve-acao-de-faccao-contra-drones.shtml.

Unidade da Polícia Civil que opera drones e reúne informações de inteligência sobre equipamentos no RJ - Divulgação/PCERJ · Divulgação/PCERJ — Foto: Folha de S.Paulo
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