Companhias aéreas soam o alarme diante da perspectiva de um inverno sombrio
As companhias aéreas enfrentarão uma crise cada vez mais grave nos próximos meses, alertaram executivos do setor, à medida que os preços persistentemente elevados dos combustíveis as obrigam a reduzir voos e custos e a adiar pagamentos de aeronaves arrendadas.

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Bruxelas e Londres | Financial Times As companhias aéreas enfrentarão uma crise cada vez mais grave nos próximos meses, alertaram executivos do setor, à medida que os preços persistentemente elevados dos combustíveis as obrigam a reduzir voos e custos e a adiar pagamentos de aeronaves arrendadas.

Executivos soam o alarme enquanto o setor se prepara para sua primeira temporada de inverno desde que a guerra no Irã desencadeou um choque energético que já derrubou os lucros.
A easyJet, uma das maiores companhias aéreas da Europa, e a alemã Lufthansa estão entre as empresas que estão reduzindo a capacidade para atravessar o inverno, período marcado pela demanda mais fraca e que, em anos anteriores, levou empresas aéreas à falência.
Em um sinal das crescentes pressões, a Delta Air Lines reduziu drasticamente na sexta-feira sua projeção de lucro anual, afirmando que a alta dos preços dos combustíveis provocada pelo conflito no Oriente Médio lhe custaria US$ 6 bilhões (R$ 30 bilhões) adicionais neste ano.

"Esta é uma crise em toda a sua dimensão", disse Michael O’Leary, presidente da Ryanair. "Todos vão sofrer no ano que vem... estamos apenas tentando enxugar a operação o máximo possível."
Líderes do setor, analistas e financiadores disseram ao FT que o risco de companhias aéreas quebrarem durante a temporada de inverno —que começa neste mês e vai até o fim de março— era maior do que em anos anteriores.
Eventuais falências se somariam ao colapso da companhia aérea americana Spirit Airlines, em maio, e ao fim da airBaltic, no mês passado.

"Neste inverno veremos empresas de pequeno e médio porte enfrentando dificuldades e tendo problemas para sobreviver", disse Luis Gallego, presidente-executivo da IAG, proprietária da British Airways. "Algumas estarão muito perto de desaparecer ou desaparecerão."
O’Leary, da Ryanair, afirmou esperar que a disparada dos preços dos combustíveis provocada pelo conflito no Oriente Médio dure pelo menos até 2028.
Analistas e executivos disseram que o impacto financeiro dos preços mais altos do petróleo sobre companhias aéreas europeias e internacionais está aumentando à medida que vencem os contratos de hedge de combustível, deixando-as diante da escolha entre contratar novas proteções, travar custos mais elevados ou correr o risco de pagar ainda mais no mercado à vista.

"Mesmo para quem compra combustível com seis meses de antecedência, hoje o preço ainda está em US$ 1.200, US$ 1.300, um patamar incrivelmente alto", disse Kenton Jarvis, presidente da easyJet, em comparação com o nível habitual do setor, de cerca de US$ 700 por tonelada.
A diferença entre o preço do petróleo bruto e o do combustível de aviação —conhecida como "crack spread"— aumentou tanto que vários grupos aéreos, entre eles Lufthansa e IAG, começaram a fazer hedge do próprio combustível de aviação, em vez de apenas do petróleo.
As companhias aéreas americanas não fazem hedge de combustível de aviação, o que as deixou mais expostas à disparada dos preços neste ano.
"Tudo indica que será um inverno difícil, mesmo para as companhias aéreas que contam com hedge", disse John Strickland, analista do setor de aviação. "Veremos cancelamentos consideráveis, e isso chega até a colocar em dúvida a sobrevivência de algumas empresas."
Em uma tentativa de proteger seus resultados, a easyJet dobrou os cortes de capacidade previstos para este inverno, retirando mais 700 mil assentos de sua programação, acrescentou Jarvis. Somente em setembro, o setor eliminou 6 milhões de assentos de voos previstos para outubro, novembro e dezembro, segundo o grupo de dados Cirium. Isso equivale a cerca de 1% da capacidade total de voos.
As companhias aéreas recorrem cada vez mais às suas frotas como forma de reduzir custos.
Uma empresa de leasing afirmou que quase uma dúzia de companhias aéreas já havia solicitado o adiamento de pagamentos de arrendamento, pedindo para postergá-los por vários meses ou reduzir as parcelas mensais em cerca de 10%. Segundo essa fonte, entre elas estavam companhias expostas à região do Golfo.
Um executivo de uma das maiores empresas de leasing do mundo afirmou ter recebido "alguns pedidos de adiamento de pagamentos de arrendamento de companhias aéreas menores", mas acrescentou: "A grande maioria de nossos clientes afirma que a demanda continua bastante boa, com as receitas por passageiro se mantendo em níveis razoavelmente sólidos."
As companhias aéreas também estão se desfazendo de aeronaves mais antigas e menos eficientes no consumo de combustível mais rapidamente do que o previsto, após o aumento das entregas de aviões da Boeing e da Airbus.
Jarvis, da easyJet, disse que a companhia acelerou os planos de retirar de operação seus Airbus A319, enquanto a Lufthansa afirmou que aposentaria algumas aeronaves mais antigas antes do previsto.
Carsten Spohr, presidente da Lufthansa, disse que a companhia alemã está adotando medidas para reduzir a capacidade no inverno, como deixar em solo grandes Airbus A380 e Boeing 747, que tem dificuldade de lotar na baixa temporada.
Mesmo com a crescente preocupação em relação ao inverno, executivos apontaram alguns sinais mais positivos no mercado.
Eles disseram que a demanda continua forte nas viagens de longa distância em classe executiva, nas quais os fortes aumentos de preços não conseguiram reduzir a procura, embora alguns tenham afirmado que os mercados de curta distância e de lazer começam a sofrer.
"Quanto mais premium for a operação, menor o impacto", disse Spohr. "Acho que meus colegas do setor de baixo custo estão mais preocupados."
A easyJet afirmou que as reservas para o próximo verão estão mais fracas do que em anos anteriores, mas que agora mais clientes deixam para reservar suas viagens mais perto da data.
Gallego, da IAG, disse que o mercado europeu de viagens de lazer está sofrendo mais do que outros, enquanto a demanda do segmento premium continua "forte e resiliente".
Embora o grupo mantenha a capacidade estável no inverno, reduziu alguns voos da Vueling com origem em Barcelona e realocou a capacidade para outros mercados.
"Ninguém sabe o que vai acontecer", disse Gallego. "Faremos o que for necessário."
Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://c-level.folha.uol.com.br/infraestrutura/2026/10/companhias-aereas-soam-o-alarme-diante-da-perspectiva-de-um-inverno-sombrio.shtml.

Aviões da British Airways no aeroporto de Heathrow, no oeste de Londres, Reino Unido; a empresa controladora da BA alertou que algumas companhias aéreas poderiam enfrentar dificuldades para sobreviver - Toby Melville/Reuters · Toby Melville — Foto: UOL
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