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    Como um bicho de meio milímetro sobreviveu ao vácuo do espaço

    Testados na órbita terrestre em 2007, os tardígrados driblaram vácuo e radiação solar com um truque biológico chamado criptobiose O post Como um bicho de meio milímetro sobreviveu ao vácuo do espaço apareceu primeiro em Olhar Digital .

    Olhar Digital
    31 de agosto de 2026 às 19:48
    Como um bicho de meio milímetro sobreviveu ao vácuo do espaço
    Foto: Olhar Digital

    Um tardígrado , animal que não passa de meio milímetro, sobreviveu à exposição direta ao vácuo do espaço em 2007, sem qualquer proteção. O teste, batizado de TARDIS, colocou os bichos em órbita baixa da Terra por dez dias.

    A proeza só foi possível porque, antes do lançamento, os animais entraram em estado chamado criptobiose. Nele, o tardígrado expulsa quase toda a água do corpo e reduz o metabolismo a quase zero.

    O experimento aconteceu a bordo da missão Foton-M3, da Agência Espacial Europeia (ESA), lançada da Rússia em setembro de 2007. A espaçonave carregava 120 espécimes de cada uma de duas espécies, Richtersius coronifer e Milnesium tardigradum .

    Tardígrado visto no microscópio – Imagem: Videologia/Shutterstock
    Tardígrado visto no microscópio – Imagem: Videologia/Shutterstock — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Os animais ficaram presos a um compartimento externo chamado Biopan. Já em órbita, a cerca de 270 quilômetros de altitude, o painel do experimento se abriu.

    Um grupo de tardígrados foi exposto só ao vácuo espacial, protegido da radiação solar por um filtro. Outro grupo recebeu vácuo e radiação ultravioleta solar direta, sem filtro nenhum.

    O resultado saiu no ano seguinte na revista científica Current Biology , assinado por uma equipe liderada por K. Ingemar Jönsson, da Universidade de Kristianstad (Suécia). A diferença entre os grupos foi enorme.

    Tardígrado visto no microscópio
    Tardígrado visto no microscópio — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Quem enfrentou só o vácuo sobreviveu quase tanto quanto os tardígrados que continuaram na Terra. Já entre os expostos a vácuo somado à radiação solar total, a sobrevivência despencou, e apenas uma pequena fração resistiu.

    A criptobiose depende de um truque químico. Ao secar, o tardígrado substitui boa parte da água das próprias células por um açúcar chamado trealose.

    Essa substância forma uma espécie de vidro biológico ao redor das estruturas internas. O “vidro” evita que membranas e proteínas se desmontem quando a água some, o que normalmente destruiria a célula.

    Rodrigo Mozelli
    Rodrigo Mozelli — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    O animal encolhe, recolhe as pernas para dentro do corpo e assume uma forma seca conhecida como tun. Existem variações desse estado, ativadas por ameaças diferentes: falta de água, frio extremo, ausência de oxigênio ou alta concentração de sal.

    Em qualquer uma delas, o metabolismo despenca a níveis quase indetectáveis, e o bicho pode permanecer assim por anos. Basta uma gota de água para reverter o processo e reativar as funções vitais em poucas horas.

    Esse desempenho alimentou a fama do tardígrado como criatura indestrutível. Mas a própria Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) trata o experimento de 2007 como a primeira demonstração de um animal sobrevivendo à exposição direta do espaço, não como prova de resistência sem limites.

    Tardígrado visto no microscópio – Imagem: Videologia/Shutterstock
    Tardígrado visto no microscópio – Imagem: Videologia/Shutterstock — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    A resistência extrema existe apenas no estado seco de criptobiose. Um tardígrado hidratado e ativo, se jogado ao vácuo espacial, morre como qualquer outro animal.

    Isso acontece porque as células dele continuam dependendo de água líquida para funcionar. Mesmo em criptobiose, a combinação de vácuo com radiação solar direta mostrou ter um limite.

    Quanto maior a dose recebida, menor a chance de sobrevivência. É um comportamento bem diferente da ideia popular de um bicho à prova de tudo, e esse limite interessa às pesquisas sobre proteção de astronautas e preservação de tecidos biológicos.

    Vale lembrar que esse sobrevivente não precisa de laboratório para aparecer. Ele vive em musgos e líquens espalhados pelo mundo, inclusive em telhados, calhas e jardins no Brasil.

    Basta uma poça de água parada por alguns dias sobre um tufo de musgo úmido para encontrar, ao microscópio, um desses animais em plena atividade.

    Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

    Publicado originalmente por Olhar Digital. Leia a matéria completa em https://olhardigital.com.br/2026/08/31/ciencia-e-espaco/como-um-bicho-de-meio-milimetro-sobreviveu-ao-vacuo-do-espaco/.

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    Tardígrado visto no microscópio – Imagem: Videologia/Shutterstock — Foto: Olhar Digital

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