Como tela de grafiteiros de SP foi parar em vídeo de Ronaldo Fenômeno
Tela "Camisa 9 da Quebrada", criada pelo Grupo Opni, da zona leste de SP, apareceu em postagem de Ronaldo Fenômeno nas redes sociais

Como uma tela criada por artistas do graffiti, da periferia de São Paulo , foi parar atrás de Ronaldo , em um post em que o Fenômeno agradece pelas homenagens feitas pelo seu aniversário de 50 anos? Tudo começou em julho do ano passado, bem longe do artilheiro do penta.
A tela “Camisa 9 da Quebrada” faz parte da série “Craques do Impossível” e foi produzida pelos artistas WOS e Nego Todd. Eles fazem parte do Grupo Opni , reconhecido internacionalmente na arte de rua e surgido há quase 30 anos na zona leste paulistana. O coletivo é responsável, por exemplo, por transformar a Vila Flávia, na região de São Mateus, em uma galeria de arte a céu aberto.
Tantas credenciais aproximaram o grupo de outros nomes que vão além do graffiti. Um deles foi MC Hariel , que contou com um trabalho do Opni até mesmo na capa de “Monstro Invisível”, de 2020, uma parceria póstuma com o rapper Sabotage.

“MC Hariel, que é esse artista gigante, grande parceiro nosso, já tinha gravado videoclipe no nosso espaço”, afirma César Mors, curador do Opni.
A tela começou a ganhar o rumo da casa de Ronaldo justamente no lançamento da produtora de Hariel, a Zaori, na zona norte paulistana, em 2025. O músico convidou o Opni para mostrar sua arte durante o evento. “Estávamos com a exposição ‘Traços Periféricos’, e a nossa intenção era pegar obras de artistas da periferia e deixar em locais de visibilidade maior, para ter um acesso mais central.”
Uma agente do ex-jogador estava por lá, viu “Camisa 9 da Quebrada” e enviou um vídeo para o craque afirmando que aquela obra tinha tudo a ver com ele.

O Fenômeno se identificou de imediato e pediu para que a tela fosse adquirida. Curador do Opni, César Mors viu ali uma oportunidade de mostrar mais trabalhos ao craque, como se fosse um músico que deseja tocar outras composições próprias para despertar o interesse de quem parou para ouvi-lo. “O Ronaldo comprou [a tela], mas não é só isso que a gente tem”, conta.
César Mors, então, enviou outra tela (“Nossos Príncipes e Princesas”), azulejos, uma carta escrita à mão e embalagem cuidadosamente preparada. Levou tudo até a casa do Fenômeno, onde seguranças informaram que o ex-jogador estava viajando e, por isso, não teria como recebê-lo pessoalmente.
Desde então até o último dia 23 de setembro, os artistas do Opni não tiveram mais notícias de onde o Fenômeno havia colocado a tela. Foi quando “Camisa 9 da Quebrada” surgiu atrás do craque, em sua postagem de agradecimento para seus mais de 29 milhões de seguidores apenas no Instagram. Mors começou então a receber uma série de mensagens de pessoas que reconheceram o trabalho.

Coautor da tela, Nego Todd conta como foi o processo de criação. “O WOS iniciou esse trabalho e, quando ele me convidou, nós sempre falamos e falávamos sobre as nossas infâncias e o sonho de sermos jogadores para fazer as transformações”, afirma.
Nego Todd diz que, assim como eles, muitos jovens querem ser jogadores para transformar as vidas das famílias, de poder contribuir com a sua comunidade. “Então essa entrada em campo que esse personagem representa traz para nós esses valores”, afirma.






Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/sao-paulo/como-tela-de-grafiteiros-de-sp-foi-parar-em-video-de-ronaldo-fenomeno.

Reprodução — Foto: Metrópoles
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