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    Como seria um presidente amigo de miliciano?

    Se ganhar a eleição para presidente da República -como tem chances reais de fazê-lo-, Flávio Bolsonaro seria o mais próximo que já tivemos de um chefe do Executivo federal com laços milicianos. Uso aqui milícia não como figura de linguagem, mas literalmente: em sua trajetória, Flávio Bolsonaro tem mantido relação direta com integrantes de grupos armados que usam de coação com discurso moralizante para aferir lucro individual por meio do uso da violência e outros negócios escusos. Leia mais (09/23/2026 - 16h42)

    Folha de S.Paulo
    23 de setembro de 2026 às 19:42
    Como seria um presidente amigo de miliciano?
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    Advogado, é professor de direito internacional e direitos humanos na FGV Direito SP. Doutor pela Central European University (Budapeste), escreve sobre direitos e discriminação

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    Quem são os envolvidos na morte da vereadora Marielle Franco, segundo a PF
    Quem são os envolvidos na morte da vereadora Marielle Franco, segundo a PF — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Se ganhar a eleição para presidente da República —como tem chances reais de fazê-lo—, Flávio Bolsonaro seria o mais próximo que já tivemos de um chefe do Executivo federal com laços milicianos. Uso aqui milícia não como figura de linguagem, mas literalmente: em sua trajetória, Flávio Bolsonaro tem mantido relação direta com integrantes de grupos armados que usam de coação com discurso moralizante para aferir lucro individual por meio do uso da violência e outros negócios escusos.

    Como seria, portanto, um presidente da República amigo de miliciano no mais alto cargo? Primeiro, um presidente amigo de miliciano repassaria dinheiro para seus amigos milicianos. Não seria uma novidade. Como revelado nesta segunda (21) em O Estado de S. Paulo, Flávio destinou quase R$ 200 mil a um projeto na área de influência dos mandantes da morte de Marielle Franco , tendo negociado a liberação de emendas com miliciano envolvido no assassinato da vereadora.

    Segundo, um presidente amigo de miliciano faria de tudo para esconder o dinheiro que milicianos lavarem. Não seria novidade, pois foi o que seu pai fez. O Bolsonaro pai cortou a verba do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), órgão que justamente identifica movimentações suspeitas de bandidos como milicianos e afins. Fica no ar a dúvida de por que os Bolsonaros querem dificultar que se monitore o dinheiro do crime, inclusive da milícia.

    O miliciano Adriano da Nóbrega, em foto divulgada em 2019 pela Polícia Civil do Rio de Janeiro - 2019/Divulgação/Polícia Civil · 2019/Divulgação/Polícia Civil
    O miliciano Adriano da Nóbrega, em foto divulgada em 2019 pela Polícia Civil do Rio de Janeiro - 2019/Divulgação/Polícia Civil · 2019/Divulgação/Polícia Civil — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Terceiro, um presidente amigo de miliciano empregaria alguns deles no próprio Estado. Não seria novidade. Como deputado estadual, Flávio empregou a mãe e a mulher do ex-policial militar Adriano da Nóbrega , morto em 2020, acusado de comandar a maior milícia do Rio de Janeiro . O PM não era um desconhecido. Flávio homenageou duas vezes o ex-policial miliciano na Assembleia do Rio; em 2003, por sua "dedicação, brilhantismo e galhardia".

    Se o clã Bolsonaro logrou empregar miliciano e repassar dinheiro para miliciano, dificultando seu monitoramento, imagine se Flávio tiver a chave do Palácio do Planalto e decidir usá-la para beneficiar amigos de longa data.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/thiago-amparo/2026/09/como-seria-um-presidente-amigo-de-miliciano.shtml.

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